Não os podemos proteger de tudo. Está mal, deveríamos poder.
É um dos grandes contra sensos da maternidade. Lembro-me de tantas vezes me sentir poderosa como Mãe. Na gravidez por os carregar e fazer crescer dentro de mim, no parto por os fazer nascer, enquanto os amamentava e os via crescer por mim, a cada conquista deles, de cada vez que se autonomizavam em coisas pequenas do dia a dia, no poder dos meus beijos para cuidar dói-dos e no dos abraços para açambarcar as tristezas. Que forte que me sentia quando geria noites mal dormidas do Miguel e as birras do dia do Diogo, o poder dalgumas palavras minhas para dar a volta a situações difíceis, a força do meu olhar para controlar atitudes menos desejáveis. E a alegria de cada vez que lhes ensinava coisas pequenas, valores grandes, gestos simples que via serem absorvidos. As Mães (e os Pais) são poderosos e capazes de se agigantarem quando é preciso.
E depois a impotência. E nem me refiro à impotência que senti no episódio que relatei uns posts abaixo, falo daquela impotência de não os conseguir salvar de pequenas tristezas mundanas. Não os posso proteger de frases menos meigas de quem os rodeia, não lhes posso apagar a tristeza que vejo ao serem postos de lado por outros meninos com quem querem brincar. Não posso deixar de contar que o cão da avó morreu.
Fico eu com a tristeza para mim. Magoa-me e amachuca-me o coração ver que não vão andar sempre felizes e contentes com arco-íris por cima da cabeça, que vai haver quem os trate mal (ou menos bem), que vai haver outras crianças que os vão ignorar e que isso os vai deixar com a tristeza estampada no olhar.
E vão haver outras vezes que eu nem vou saber.
E eu acho mal.
2 comentários:
:(
sei do que falas…também eu fiquei triste… e ainda sem uma explicação para o que vi.
Raquel
É muito triste mesmo... todos passam por isso e eu acho mesmo muito mal não os podermos salvar. porque só assim nos salvaríamos a nós também! Um beijinho gigante![como sempre, um grande texto!]
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