As vinte semanas são uma marco, quanto mais não seja porque dizem que é no meio que está a virtude. Já senti os outros "meios" ao ponto de os escrever, primeiro estes e dois anos depois estes. Nunca são iguais e, diga-se o que disser, não se vive a segunda e a terceira gravidez com a intensidade da primeira. Porque o factor novidade esmorece, porque já sabemos muito bem ao que vamos, o que é ou não normal e expectável sentir e acontecer, porque temos filhos fora de nós que nos ocupam o colo, a cabeça e as preocupações também. Não é melhor, nem pior, é apenas diferente. E apesar de o ter escrito consciência plena de que isto é o normal, por vezes tenho pena de não sentir aquele entusiasmo da primeira vez, é como se agora toda a emoção e amor estivessem guardados para quando a vir. Não sinto aquela loucura duma primeira gravidez e, contribui para isso o facto de, por ter a placenta anterior, mesmo já estando a meio (ou a mais do que isso) ainda não a sentir porque aplacenta lhe amortece os movimentos. Saber que se está grávida é bom, ver as ecos é emocionante, mas ter aqueles toques e mexidelas ao longo do nosso dia ajuda a lembrar que temos uma pequena pessoa muito nossa a crescer às nossas custas. Como se, ao longo das horas eles nos fossem lembrando que estão por ali. E, nesta fase estes movimentos são bons, ainda estou ligeiramente distante da fase em que sentimos um pé a empurrar as costelas, outro a esmagar o fígado e uns apertos no estômago. Sim, porque aí não haverá placenta que me safe...
Apesar de, em teoria, as vinte semanas marcarem o meio, eu desejo do fundo, fundinho do meu coração que o meio real desta gravidez já esteja mais do que ultrapassado. Porque a barriga está gigante, porque me basta a estria que me apareceu no finalzinho da gravidez do Miguel, porque suspeito bem que a anca me vai doer a gravidez toda com uma linda tendência para agravar à medida que a menina cresce, porque já me custam apertar as fivelas dos sapatos, porque o Miguel continua a pedir colo, porque os meninos estão ansiosos por ter a mana cá fora, porque me vai saber pela vida ter de novo um bebé colado a mim, porque estou muito curiosa para saber se desta vez vem uma loira ou morena, porque continuo sem me imaginar envolta em laços, folhos, rendas e cor de rosa, porque não queria passar dos 10 kilos. É só por isto.
1 comentário:
Gostei tanto... Pôs em palavras tudo o que senti. Com a diferença que à terceira (menina) eu não tinha muita pressa que saísse porque eu não via como arranjar mais horas no dia para dar atenção a todas (e sim, só pensei nisso lá para as 20 semanas). Pensei: adoro estar grávida e, se continuar assim, consigo cuidar e ter tempo para as 3 �� também tenho a dizer que só fui para o hospital na última e a cabeça dela apareceu na sala de triagem. Só deu tempo da enfermeira pôr as luvas. O melhor parto de todos e 3 filhas tão diferentes e com necessidades tb diferentes. Obrigada por partilhar. Amei
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