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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #8

Os miúdos são más pessoas. Muito más pessoas que detestam e são contra o descanso dos pais, porque, se durante a semana, é preciso fazer o pino e um mortal encarpado para que saiam da cama entre as 8.15/8.30h, ao fim de semana acordam frescos e fofos às 7.30h.
Más pessoas.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Amor de filho

Tanto se fala no amor de mãe pelos filhos, que não se ama igual dois filhos, que não se educa de maneira igual porque nos surgem em fases diferentes da vida, são duas pessoas diferentes. E depois há quem insista em dizer que não, que o amor da mãe é igual para todos, ocupam lugar idêntico no coração. Mas, a verdade, é que ninguém fala do amor de filho. Os meus filhos amam-me e "vivem-me" de formas tão distintas e perfeitas. 
O Diogo tem-me amor no olhar, na intenção e nos gestos. É um amor tranquilo, sereno e seguro e, aquilo que ele sente por mim é o suficiente para que adormeça tranquilo no meu abraço. O amor do Diogo é passivo, sou eu que o agarro antes de adormecer e ele deixa-se ir no embalo das minhas mãos nas suas costas. O Miguel tem-me amor na pele, um amor ansioso, turbulento e que precisa de toque. O Miguel esfrega as bochechas nas minhas mãos quando o vou buscar à escola, enrosca-se nos meus braços, procura o meu calor. O amor do Miguel é intenso, por vezes raivoso e descontrolado, quando me aperta a cara e cerra os dentes. O amor do Miguel é activo, é ela que me abraça antes de dormir, é ele que me acaricia a face e diz "tu é muito uinda" e depois me dá beijos. 
E eu sou feliz nestes dois amores, neles me encontro. E, se há dias em que tudo o que preciso é dum amor tranquilo, noutros a exigência também me sabe bem, porque me faz sentir querida. Sou suspeita, é certo, mas acho que tenho a combinação perfeita.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

As crianças são um empecilho

As crianças, com especial destaque para os nossos filhos, são um estorvo à vida. Deixámos de ter espontaneidade no dia a dia a dia porque tudo tem de ser pensado e preparado com a devida antecedência. A sopa tem de estar feita, a roupa do colégio pronta, é preciso decidir de véspera quem leva e vai buscar à escola, em que actividades extra curriculares vão participar, e o que tenho pensado para os entreter enquanto dou um jeito à casa e faço o jantar. Os horários para cumprir, a rotina  que pode ser quebrada, mas o mínimo possível para que haja estabilidade e previsibilidade na vida dos pequenos. Não dá para chegar às oito da noite e decidir que, afinal não quero fazer jantar e vamos mas é ao cinema. Para conseguir jantar fora a um sítio não baby friendly, é necessário todo um planeamento estratégico de horas e avós e malas com pijamas e roupa para o dia seguinte. E a barriga, aquilo que fazem à nossa barriga? Não querem que vos explique tudo aquilo que um filho faz a uma relação, pois não? Sãos as discussões devido ao cansaço e à falta de espontaneidade que os putos nos tiram, são o "faz assim porque é melhor" ou "faz assado porque eu é que sei", é o tempo de qualidade ao final do dia que desaparece e se esfuma entre banhos, jantares e brincadeiras com os meninos que precisam da atenção dos papás. As férias são planeadas, em parte, a pensar neles porque se eles estiverem tranquilos e divertidos nós poderemos pensar em relaxar e descansar. No entanto a tarde pára para as sestas, caso contrário ficaria o caos instalado devido ao mau humor. Mas, mesmo assim, o raio dos miúdos acham que podem fazer birras porque afinal nem queriam aquela comida ou três gelados por dia é que é a conta certa e somos uns autênticos tiranos por só dar dois. Os filhos dão cabo do nosso sono e da nossa paciência. O Miguel voltou a dormir mal, a querer colo a cada 5 minutos acordado, a andar no meio das minhas pernas enquanto eu faço coisas por casa. Lembrou-se que me quer a mim para tudo e mais alguma coisa e, ai de alguém que se lembre de lhe descalçar os sapatos, porque isso (e tudo o resto) só a sua mãezinha pode fazer. Os filhos desgastam-nos, fazem-nos olheiras e rugas e depois fazem-nos gastar um dinheirão em cremes e tratamentos para parecer que estamos óptimas, frescas e fofas. O Diogo é um choramingas, em casa, única e exclusivamente em casa porque na escola, o sacana, não dá um ai e tem sempre bolinha verde de muito bom comportamento. Em casa chora e dramatiza cada momento e consome-me a paciência a cada choramingadela. Os irmão, aquela tal multiplicação do amor, pegam-se, empurram-se, querem o brinquedo um do outro e odeiam-se momentaneamente. Fazem queixas um do outro em catadupa e eu, ingénua, às vezes ralho, tomo partidos, castigo o agressor e, dali a dois décimos de segundo, estão a rir e a brincar como se o conflito anterior fosse totalmente irrelevante.
Os filhos acabam com a vida que existia antes deles, mas dão-lhe uma luz e uma cor tão únicas que fazem com que todas as linhas escritas acima sejam um pequeno nada. Deito-me à noite com eles para que adormeçam e sou invadida por um misto de perdão pelo mal que me fazem e agradecimento imenso por serem meus. Lembro-me de, em Agosto, me ter deitado com os dois, um de cada lado, para dormir a sesta, abraçaram-me e adormeceram assim. Eu numa posição desconfortável, atravancada entre dois corpos pequenos cada um mais em cima de mim do que o outro e estes pensamentos loucos passaram todos pela minha cabeça. Loucos porque senti uma felicidade tão serena e boa enquanto pensava em como a minha vida mudou. A maternidade é isto mesmo, uma posição incómoda a que o nosso corpo se adapta e se sente feliz.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #7

Os teus filhos vão-te fazer/dizer exactamente aquilo que tu lhes fazes/dizes.

-Mamã, quero ver o teu cocó. Que lindo cocó mamã!

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Alegria é #16

ver os meus três homens a brincar pela casa. Em correrias, subidas e descidas de cama,, sustos, cócegas e muitas, muitas gargalhadas. Fazer surf nas costas do pai, saltar em cima da cama, dar gritos com os sustos e ficar num excitamento louco, tudo o que não se deseja nos minutos que antecedem a hora de ir dormir, mas que os deixa a transpirar (literalmente) de alegria.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O Miguel

O Miguel sempre teve dificuldades em separar-se de mim.Nasceu de parto induzido depois de quase duas semanas de manobras e mézinhas para por o pequeno texugo cá fora.
Custou-lhe muito quando fui trabalhar e, durante quase um ano e  meio foram raras as manhãs em que não resmungou ou choramingou na hora de o entregar à avó. De imediato sossegava e passava os dias tranquilo.
Nunca reclamaou para adormecer, mas eu sempre lhe fiz falta durante a noite e, durante quase dois anos, pediu a minha presença várias e várias vezes, ora chorando, ora chamando. Bastava eu ir perto, colocar a minha mão nas suas costas que, na maioria das vezes, voltava a adormecer tranquilo para, poucas horas depois, repetir a dose.
Em Março deste ano passou a ter-me a tempo inteiro durante o dia. Este facto, aliado a uma cama nova, fez com que dormisse a noite inteira. Junho trouxe uma nova fase e uma dependência exacerbada da mãe, uma renovada dificuldade na separação e uma alegria imensa e uma necessidade grande de toque e colo no reencontro. Demos início ao Complexo de Édipo e "a mamã é minha, toda minha" foi-se ouvindo amiúde, deixei de me poder ausentar para ir ao quarto de banho sem levar com um drama imenso, passar a noite fora (como tantas vezes o fez) agora dava direito a choro na hora de dormir.
E, na semana passada veio a escola. Os primeiros dias foram tão maus que o Miguel chegou a vomitar de tanto chorar, os pesadelos voltaram e as noites lá se foram dividindo. Agora vejo-o chorar no momento em que, voluntariamente, se atira para o colo da auxiliar e, segundos depois, a caminho da sala já está calmo. Vem de lá feliz da vida, conta-me o que faz sem eu lhe perguntar e noto que está a gostar. Mas aqueles segundos em que se separa de mim são-lhe tão difíceis.
O meu bebé, independente, desenrascado, muito autónomo e despachado precisa e adora o meu colo, o meu toque. O Miguel precisa do contacto com a minha pele e procura-o. Se me deito ao seu lado na cama, automaticamente me prende num abraço, pousa a mão ou a face na minha e olha-me com um sorriso maravilhoso. E eu derreto, derreto, derreto.

sábado, 29 de agosto de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #6

A linha que separa uma criança normal, espontânea, descontraída e uma mal educada é muito ténue.

E eu própria tantas vezes fico confusa com aquilo que devo ou não permitir ou repreender. Porque, às vezes, dou por mim a sentir-me uma grande chata com tantos "nãos" e imposições que talvez nem sejam assim tão necessárias. Desconheço o que seja o comportamento normal e aceitável de duas crianças de 4 e 2 anos e talvez o "aceitável" numa maioria não seja o meu. Haverá, certamente, coisas que, para a minha família sejam aceites, não se considerem problema e essa não seja a regra para os restantes. E, afinal, o que importa mais? Acredito que os nossos próprios valores valham sempre mais, mas, a verdade, é que vivemos em sociedade e, por mais que não estejamos focados no que os outros pensam, é quase inevitável que, uma vez ou outra, saia uma repreensão só para não parecer mal a terceiros. Detesto quando isto acontece, especialmente porque não sou coerente.
Ninguém disse que era fácil, pois não?

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #6

Tu achas que conheces bem o teu filho. Tentas o desfralde já com a certeza que vai ser para adiar porque, para ti, ele não está minimamente preparado. E, em 10 dias, o desfralde fica mais que feito, o rapaz de 2 anos vai fazer xixi sozinho sem te pedir ajuda, estando acordado é incapaz de fazer seja o que for com a fralda posta e acorda com a fralda da noite completamente seca.
Tu achas que conheces bem os reus filhos mas a capacidade deles te surpreenderem é superior aos teus conhecimentos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #4

Se tens compromissos com hora marcada de manhã é certinho que os sacanas dos putos vão dormir até tarde e vão estar impossíveis de acordar. Os dois.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Não os podemos proteger de tudo. Está mal, deveríamos poder.
É um dos grandes contra sensos da maternidade. Lembro-me de tantas vezes me sentir poderosa como Mãe. Na gravidez por os carregar e fazer crescer dentro de mim, no parto por os fazer nascer, enquanto os amamentava e os via crescer por mim, a cada conquista deles, de cada vez que se autonomizavam em coisas pequenas do dia a dia, no poder dos meus beijos para cuidar dói-dos e no dos abraços para açambarcar as tristezas. Que forte que me sentia quando geria noites mal dormidas do Miguel e as birras do dia do Diogo, o poder dalgumas palavras minhas para dar a volta a situações difíceis, a força do meu olhar para controlar atitudes menos desejáveis. E a alegria de cada vez que lhes ensinava coisas pequenas, valores grandes, gestos simples que via serem absorvidos. As Mães (e os Pais) são poderosos e capazes de se agigantarem quando é preciso.
E depois a impotência. E nem me refiro à impotência que senti no episódio que relatei uns posts abaixo, falo daquela impotência de não os conseguir salvar de pequenas tristezas mundanas. Não os posso proteger de frases menos meigas de quem os rodeia, não lhes posso apagar a tristeza que vejo ao serem postos de lado por outros meninos com quem querem brincar. Não posso deixar de contar que o cão da avó morreu. 
Fico eu com a tristeza para mim. Magoa-me e amachuca-me o coração ver que não vão andar sempre felizes e contentes com arco-íris por cima da cabeça, que vai haver quem os trate mal (ou menos bem), que vai haver outras crianças que os vão ignorar e que isso os vai deixar com a tristeza estampada no olhar. 
E vão haver outras vezes que eu nem vou saber.
E eu acho mal.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Leis (quase) absoluta da maternidade #3

Quando decides dar um irmão ao teu filho, podes ter a certeza que, dentro de um ano e meio, dois anos, o teu filho mais velho vai ter eco.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #1

A probabilidade do Miguel me pedir colo no trajecto carro-casa é directamente proporcional ao número de sacos que carrego nas mãos.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O Miguel fez 2


Dois anos passaram desde que fiquei em espanto quando nasceste. Em espanto quando vi o teu peso, em espanto quando vi a cor do teu cabelo. Dois anos Miguel, dois anos...
Cresceste, viraste um menino safado, que gosta de morder, de gritar quando é contrariado, que acorda de mau humor por causa da fome, que adora roubar os brinquedos do mano e fugir. Mas não há filho mais meigo no mundo. A tua necessidade de contacto, de sentir pele também me espanta. Derretes-me com os teus beijos constantes, com a forma como me abraças quando passas por mim pela casa, como te enroscas em mim quando me deito contigo para dormir. Até parece que queres voltar a entrar cá dentro. Temos um laço especial e não sei dizer isto de outra forma. Chamas-me "mamazita" e eu faço tudo aquilo que tu queres. Sinto que sou mais permissiva contigo do que fui com o teu irmão, dás-me a volta com muita facilidade, sabes disso e abusas. Abusas fazendo-me olhinho, rindo de mansinho e enchendo-me de beijos. És determinado, dizes muito bem aquilo que queres, és explorador e curioso que é uma forma simpática de dizer que és uma pequena peste terrorista. És um cromo meu filho, um postaleco com veia de artista. Artista plástico, bailarino, cantor e actor que ensaia caras ao espelho. Nada te deixa mais feliz do que pintar, onde for e de que forma for e dificilmente acabas limpo. E eu deixo. Deixo que te sujes, que pintes as tuas mãos, a tua cara porque sei o quanto isso te faz feliz. E as pessoas em volta preocupadas que sujas a roupa, a mesa e sei lá eu mais o quê. E então? O teu consolo lava tudo.
Sempre que escrevo sobre ti ou sempre que penso no quanto te amo, lembro-me do medo que tive quando estava grávida, o medo de não ser capaz de gostar de ti como gostava do teu irmão. Ridícula que era. Não gosto igual em forma ou tamanho, mas é igualmente um amor desmedido que tudo consegue. 
Parabéns meu pequeno Migas. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Conversas telefónicas

Há dias uma amiga ligou-me a pedir opinião acerca de uma consulta de sono a que fui com o Miguel. falámos imenso, exliquei tudo o que fiz, as mudanças que implementámos cá em casa e os seus sucessos. Falámos que tanto que a conversa se estendeu para o dia seguinte. E, ela que me ligou a pedir ajuda, acabou por me ajudar imenso com um problema que andava a ter com o Diogo.
Gosto tanto disto. Gosto destas conversas abertas, honestas, ao contrário do que os "estudos" fazem querer. Pois, parece que há por aí estudos que dizem que 33% das mães mente em relação a alguns assuntos relacionados com filhos, como sono, alimentação e comportamentos. 
Felizmente, os "estudos" que realizo no dia-a-dia mostram-me exactamente o contrário. Tenho amigas cujos filhos dormem mal e algumas assumem que é por "erros" delas, tenho amigas com filhos que fazem birras tais que lhes apetece mandar os putos contra a parede. Tenho amigas e mulheres honestas na minha vida. Sortuda que sou.

(Obrigada Marta. Bastou falar-lhe sobre a hipótese de ele estar chateado comigo por eu ficar com o irmão em casa que ele acalmou.)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Duas semanas depois já tenho a minha mudança de eleição: as manhãs. 
São sem pressa, com tempo para rebolar na cama com cada um, para mimos sem a ditadura do relógio. Tenho tempo para abrir a janela e ver o tempo que faz lá fora, com calma. Gosto de não haver frases chatas.

Despacha-te.
Come isso depressa.
Já te chamei mil vezes, não vês que estamos atrasados.
Anda rápido.
Fica quieto para eu te vestir, assim chegas atrasado.

De cada vez que estas e outras me saíam pela boca, ficava um gosto amargo. Caramba, estava a passar para eles o meu stress, a minha pressa, a minha ansiedade de lutar contra o relógio. E eu não quero filhos ansiosos, com pressa de estar em todo lado.
E amanha faço panquecas em forma de coração, de quadrado e de círculo. Sim, amanhã, quinta feira, dia de semana, vai haver panquecas ao pequeno almoço.

terça-feira, 31 de março de 2015

Palavras que não corrijo

Teitino
Tolo
Pin
Tentin

(leitinho antes de dormir, colo, paninho e quente)

Ele vai aprender a dizer correcto um dia, por enquanto vou-me deliciando com estas palavras mais fofas.

sábado, 28 de março de 2015

Mudar é o verbo #2

Foram dias, meses, de angústia os que vivi entre Abril e Julho 2014. Era uma autêntica bipolaridade interna a que me encontrava e os meus pensamentos e raciocínios giravam em torno da dificuldade em tomar uma decisão que iria mudar a minha vida. Apesar de adorar o meu emprego, o meu local de trabalho, as minhas colegas, sentia-me limitada no meu tempo. No meu tempo para aquilo que, para mim, me faz mais feliz, os meus filhos, a minha família. Apesar da alegria que todos os dias sentia no meu trabalho, chegava ao final do dia e não me sentia plena porque me faltava tempo. 
E foram dias tão difíceis, devo ter andado insuportável para o Pedro, porque eu própria já estava fartinha de me aturar. Se num minuto decidia que tinha de mudar de vida, de desistir do Centro de Saúde, no seguinte chorava porque não me imaginava noutra qualquer profissão. E a minha cabeça andou assim durante meses, luta interna entre os prós e contras de cada decisão, falava com o Pedro, falava comigo própria no transito (tenho muito este hábito enquanto conduzo) e não conseguia desatar o nó que se estendia da cabeça ao coração. Recorri a ajuda profissional, à minha muleta de há vários anos, que me conhece tão bem e lá me assumi: por mais que eu adore a minha profissão - MÉDICA DE FAMÍLIA- aquilo que é mais importante para que eu me sinta realizada, feliz, serena, é a minha família. Eu sou mais feliz como Mãe. Caramba, assumir isto não é fácil, parece até antiquado e contra tudo aquilo que as mulheres conquistaram. Olha agora,depois de 6 anos de curso, 1 de internato e mais 3 de especialidade esta croma quer é ter tempo para estar em casa a mudar fraldas e limpar ranhos... Ninguém me disse isto, eu é que enfiei este preconceito na minha cabeça.
A 6 de Julho, vinda duma consulta de psicologia, e de ter vindo a chorar o caminho todo entre o Porto e a Maia, cheguei a casa e disse ao Pedro, enquanto o abraçava: Vou mudar de vida. 
Guardámos a decisão connosco até Setembro, altura em que ia falar com as minhas colegas de trabalho. Falei a atropelar-me, chorámos todas, elas entenderam, elas não queriam, elas disseram que no meu lugar fariam o mesmo, elas pediram para voltar atrás na decisão, elas abraçaram-me, elas foram maravilhosas.

Tomei esta decisão porque quis, mas também porque posso. Posso, porque tenho um marido que me apoiou incondicionalmente neste processo e ficou feliz com a minha decisão. Posso porque tenho um plano B de mão beijada, em que vou comandar a minha vida, os meus horários, as minhas folgas e férias e afins. Porque quis e porque posso, sem dúvida.
E, assim sendo, ficarei em casa, como MATI (mãe a tempo inteiro), até Setembro, altura em que o Miguel entra para a escola e, a partir dessa altura assumo aquilo que todos acham que me está destinado, ir trabalhar com o meu Pai.

sábado, 14 de março de 2015

Alegria é #14

Ter dois filhos que pedem para dormir a seta juntos pela primeira vez.
Ver a alegria deles quando concordei.
Vê-los adormecer de mão dada.

Tão único. 
Já conhecia o amor de irmãos visto "por dentro", mas assistir diariamente ao crescimento da paixão destes dois é tão doce, dá-me tantos sorrisos soltos. 
Pessoas com só um filho, toca a fazer o amor, ainda hoje, para, daqui a uns mesinhos, verem o que é bom.