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sábado, 10 de dezembro de 2016

Não consigo.
Não consigo ver imagens, reportagens do que se passa em Aleppo. Não consigo abrir aqueles vídeos que andam pelo facebook como forma de sensibilização e, quando abro, não chego a ver meia dúzia de segundos. Mudo de canal, ao fim de escassos minutos, quando vejo aquelas grandes reportagens com imagens demasiado reais, demasiado explícitas, demasiado angustiantes.
Confesso, não consigo mesmo.
Lido mal com a minha impotência, muito mal mesmo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Love me now



Conheci o John Legend há mais de dez anos, por mero acaso. Naquela altura, de forma mais ou menos regular cometia a ilegalidade de fazer o download de músicas e álbuns inteiros de um qualquer programa cujo nome já não me recordo, e , ao engano foi-me parar ao computador o álbum "Live at the knitting factory". Fiquei maravilhada, viciada e apaixonada por este senhor. Depois apaixonei-me pelo Pedro e a música "Refuge", desse mesmo álbum, tornou-se "a nossa música", aquela que juntos cantávamos alto nas viagens de carro, a que nos fez delirar no nosso casamento, a que ainda hoje ouço com a mesma emoção.  Desde então não há álbum que saia que eu não compre, já o vi em concerto em Portugal por duas vezes e, estivemos quase para o ir ver a Londres também.
Até há um, dois anos, não sabia nada da vida pessoal dele, limitava-me a ouvi-lo em repeat, não lhe conhecia a mulher, acho até que nem sabia que era casado. Conheci-a (sacana do caraças) e ainda fiquei a gostar mais daquele universo. A sacana é gira que se farta, tem uma página de instagram com um sentido de humor fora de série, é completamente autêntica, formam um casal para lá de maravilhoso, lidaram publicamente com a infertilidade de uma forma naturalíssima e agora têm uma filha que dá vontade de trincar. A bem dizer, são as únicas celebridades que sigo no instagram e, da mesma forma que o Pedro tem direito aos seus "free pass" o Johinho é o meu.
A verdade é que, mais de dez anos a ouvi-lo e o senhor ainda me surpreende e lança mais uma música deliciosa e com um videoclip cheio de histórias de amor, incluindo a dele. 
 

domingo, 20 de novembro de 2016

Estou sozinha no aeroporto, pronta para embarcar para cinco dias longe deles. Primeira vez que nos afastamos tantos dias, no máximo tinham sido três. Vim porque quis, porque assim o decidi, e mesmo sendo de livre vontade, chorei pela primeira vez num aeroporto. O Diogo foi o primeiro, agarrou-se a mim e não me queria largar. O Miguel seguiu-lhes os passos e o meu coração encolhia a cada beijo, a cada "vou ter muitas saudades tuas". Dissemos adeus, enviamos beijos ao longe em todos as janelas possíveis e, caramba, como eu amo aqueles três...
Como fazem aqueles e aquelas que, sem outra hipótese, se afastam dos seus por semanas, meses? Como fazem?

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

De quem é a culpa?

Ontem tive reunião dos representantes dos pais das turmas de creche e pré-escolar com o respectivo coordenador e directora do colégio. É suposto que cada representante de turma questione todos os outros pais acerca de eventuais dúvidas, críticas ou sugestões, para que depois sejam transmitidas à direcção.
Depois de duas horas de reunião, saí de lá a pensar que talvez o estado da educação, os programas cada vez mais exigentes, a pressão que os miúdos sofrem por terem mais e mais trabalho, a falta de tempo para brincar, não seja apenas culpa do sistema, da forma que está montado. Há pais com uma responsabilidade GIGANTE nas proporções que isto está a tomar. Naquela reunião, foram levantadas questões do arco da velha, vindas de pais de crianças de 5 anos, que sofrem duma ansiedade antecipatória para a entrada para a primária que a mim me assustou. Não me considero especialmente desleixada ou demasiado relaxada com a educação/aprendizagens/conquistas dos meus filhos mas, perante aquele montão de dúvidas e medos, fiquei seriamente a pensar.  Aqueles pais que queriam melhorias no ensino do inglês e queriam esmiuçar o que estava a ser feito para tal, queriam saber acerca do corpo docente para o ensino primário, queriam saber quais as "limitações" dos seus filhos em termos de memória, concentração e afins para o poderem trabalhar em casa ao longo deste ano, vão ser os pais que irão pressionar professores, directores e filhos para fazerem mais e melhor a toda a hora. É legítimo querermos que os nosso filhos usufruam ao máximo das suas capacidades, que as potenciem, mas é preciso pensar a que preço. Porque, nada mais certo do que todas as crianças, filhas de pais ansiosos em Novembro com o que vai acontecer em Setembro do ano seguinte, sofrerem na pele a ansiedade, a pressão e o medo de falhar. 
Enquanto meio mundo de pais se vai queixar do excesso de matéria, de trabalhos de casa, o outro meio irá exigir o oposto aos professores, aos coordenadores e directores de escolas e, em cadeia, a informação chega  a quem decide. O nosso mundo mudou, as exigências da sociedade são diferentes daquelas que existiam há vinte ou trinta anos atrás, mas a adaptação não pode acontecer a qualquer preço. E, assim sendo, eu vou-me continuar a borrifar para o facto do Diogo cantar músicas inteiras em inglês comigo a perceber apenas duas ou três palavras e vou ficando é muito satisfeita porque ele as quer cantar para mim, porque ele vem entusiasmado porque as aprendeu.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sonos de mãe

A maternidade está envolta em clichés e um deles é, sem dúvida, a célebre frase "dorme tudo agora enquanto o tens na barriga porque depois nunca vais dormir igual". Dizem as entendidas e experientes mães que, depois de termos filhos, nunca mais se dorme em condições, mesmo que a criança durma a noite inteira sem dar um ai na sua cama. E, muitas vezes ouvi gente a confirmar essa teoria, alegando que, depois de ter filhos, nunca mais tiveram aquele sono profundo, nunca mais conseguiram dormir até tarde, mesmo sem as crianças em casa e, mesmo se eles estiverem a dormir em casa dos avós, vão acordando ao longo da a noite a achar que a criança está a fazer barulhinhos no seu quarto.
Pois bem, eu nessa não alinhei. Sinto que durmo igualzinho ao que dormia antes, sem tirar nem por. Óbvio que desperto se eles chamarem ou chorarem com pesadelos, mas mais nada. E, tendo a sorte de ter um jantar com amigos, que se prolonga até madrugada, tranquilamente durmo até ao meio dia se me deixarem. Seria fácil de pensar que isto me acontece porque passei 22 meses da minha vida a despertar uma média de 4 a 5 vezes por noite, mas não é verdade. Antes do Miguel nascer, e já tendo o Diogo que começou a dormir 12 horas seguidas pelos 6 meses, já eu dormia muito bem. 
Por isso, meninas grávidas deste meu país, nada temam, há esperança em manter boas noites de sono, caso o vosso filho faça o mesmo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Amor e legumes

A propósito post aqui, lembrei-me dum episódio que já aconteceu há algum tempo em minha casa, mas que me faz todo o sentido. Como disse, apesar de não serem particularmente esquisitos, os meus filhos não deixam de ser crianças e, geneticamente, possuem uma "alergia" às "coisas verdes" no prato. No entanto, como os pais gostam bastante, em praticamente todas as refeições, há legumes a acompanhar o prato, e umas vezes mais discretos do que outras. Num jantar, o Diogo, em modo resmungão, perguntou porque é que a comida tinha sempre legumes e, eu respondi: 

- Porque eu te adoro mesmo muito e, por isso, quero que tu comas coisas que te fazem muito bem, que te fazem crescer forte e que te ajudem a ficar poucas vezes doente. Eu gosto tanto, tanto de ti que quero que tu comas o que há de melhor e mais saudável.

A resposta foi surpreendentemente bem recebida e não voltou a questionar a existência frequente de legumes no prato. (não que não torça o nariz de longe a longe)
E, no fundo, a resposta é mesmo verdadeira e, alimentar bem é uma forma de amor e de cuidado, tal e qual como os protegemos do calor ou do frio com roupa adequada, como quando acordamos a meio da noite para dar o antibiótico, como quando brincámos com eles para que eles se sintam importantes. Não quero com isto dizer que quem "vacila" mais vezes na alimentação dos filhos não os ame como eu amo os meus mas, para mim, sabendo o que sei, não fazia sentido ser de outra forma.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Associações estranhas

Hoje fiz um peeling à minha cara para ver se lhe passa a ideia de que ainda é adolescente. O tratamento terminou e, quando me olhei ao espelho gostei de imediato do aspecto da minha pele. Estava fresca, brilhante sem ser oleosa. A palavra que me saltava à cabeça de cada vez que me vejo ao espelho é que estou com a  pele LUZIDIA. E isto é bom. No entanto, a associação imediata que me surge nesta mente estranha é mesmo o sketch do Gato Fedorento. 

 

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Fotografias

 
Fazer álbuns com dois ou três anos de atraso, é algo verdadeiramente delicioso. Para além da viagem no tempo, do avivar de memórias, é outra forma que a vida tem de me mostrar como é boa. E as fotos encerram em si essa importante missão, guardar momentos, expressões, dias que, no seu tempo foram importantes. Vendo e revendo fotos, fazendo montagens, percebo como tenho uma vida boa, recheada, com saúde e, assim passo à minha geração seguinte. É certo que não tenho fotos de discussões, gritos, birras e choros descontrolados, mas também não é bem disso que me quero lembrar daqui a alguns anos. E, assim sendo, cada lente capta aquilo que o olho de quem dispara a máquina quer guardar.
 
P.S.- os meus álbuns são feitos no programa Blurb.

Outra forma de egoísmo

Acontece, com mais frequência do que seria de esperar, que o egoísmo se manifeste de forma totalmente contrária à sua definição normal. Longe da atitude do "não quero saber", "só penso em mim", há o outro egoísmo, que, apesar de assumir uma forma oposta, a essência é a mesma. E este vê-se naqueles momentos em que alguém diz que não lhe apetece abordar este ou aquele assunto e, nós, egoístas, assumimos que isso não é verdade e, como nos vamos sentir muito melhor por mostrarmos a nossa (genuína) preocupação e interesse, abordamos a questão, falamos, interrogamos, queremos saber mais, para depois despejarmos meia dúzia de frases simpáticas e de tentativa de conforto. Não é má intenção na verdade, é só egoísmo. Aquele egoísmo que não permite respeitar a vontade do outro, a vontade de se manter em silêncio por tempo indeterminado.
Na tentativa de "ser simpático", fica pelo caminho o "ser empático" que, para mim, seria bem mais interessante e reconfortante.
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Querida pele

Sei que não tenho sido a melhor cuidadora, prometi-te anti-rugas aos 30 anos e só agora pelos 35 te comecei a dar. Não fui a mais cuidadosa com a protecção solar e muito menos com aquela coisa que tu adoras, o tal de "desmaquilhar e limpar à noite". No entanto nunca fumei, sempre te hidratei muito (com a água que bebo), dei-te descanso e, verdade seja dita, nunca te besuntei com muita base no dia a dia. No fundo, uma coisa compensa a outra.
Sei que ainda és jovem, quanto mais não seja de espírito, mas se fazes tanta questão de ainda viver na adolescência, porque não optaste por te manter fresca, luminosa e pulposa em vez de me brindares com um acne estúpido? Achas mesmo que estes pequenos furúnculos fazem com que todos pensem que eu afinal ainda tenho 15 anos? Não, não pensam.
Vê lá se tomas juízo que eu já tomei. Se eu agora te limpo antes de ir para cama, até ponho um creme de noite, exfolio-te semanalmente, dou-te um belo dum creme hidratante ao acordar, o mínimo que podes fazer é comportar-te como uma senhora e deixar de ter erupções. Combinado?

Um beijo, da sempre tua, Ana.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

E assim começam os 35

À meia noite fiquei com um nó na garganta porque, pela primeira vez, pensei: será que vou viver outros 35? Assustou-me, pela primeira vez, o número de velas a apagar e espero, que isto não volte a acontecer. Não gostei da sensação, não era eu com aqueles pensamentos.
Acordei com a voz de dois miúdos, os meus, a conversarem no quarto de banho e depois a enfiarem-se na minha cama com beijos.
Fiz mais de vinte panquecas de banana para o nosso pequeno almoço.
Vestimos roupa leve, calçamos chinelos e fomos ao quartel de bombeiros de Riba de Ave para saber o que estavam a precisar. Garrafas de água, fruta e barras de cereais.
E, no meio das nossas compras, carregamos o carrinho com estes pedidos para os irmos entregar, como prometido. Tivemos direito a uma super recepção de gente boa e simpática que ficou feliz por ver dois pequenos de mãos carregadas com os bens em falta. Subiram em todos os carros, ambulâncias e jipes de monte, ligaram luzes e sirenes, tiraram fotos e estavam eufóricos.
Espantei-me com a facilidade com que o Miguel foi ao  colo daquelas pessoas que tinha acabado de conhecer, não é nada habitual, mas as crianças reconhecem os corações bons, não é?
No carro, de regresso a casa, ganhei o dia com as frases que ouvi: "Estou tão feliz", "Nem acredito que agora tenho amigos bombeiros", "Estou tão impressionado!". What goes around, comes around!
Fiz sopa na bimby enquanto a minha tia adiantava o almoço.
Atendi muitos telefonemas, recebi imensas mensagens.
Fui para a piscina, brinquei na caixa de areia e almocei com a família que se juntou.
Deitei-me com os meus filhos e sobrinha para a sesta.
Fui nadar enquanto dormiam
Fiz as malas e voltamos para casa.
Lembrei-me que não ia ter os meus pais e as minhas amigas até à demência comigo neste dia.
Fui comprar 2 balões gigantes de 35, com a desculpa que o 3 seria para o Miguel e o 5 para o Diogo.
Banhos e roupas giras, tudo em grande correria.
Segui para um dos sítios mais bonitos da minha cidade, com vista para is Jardins das Virtudes, o rio, a Alfandega. 
Os amigos e a familia foram chegando, beijos, , parabéns, fotografias de grupo, fotografias com mousse nos dentes, com filhos, de mãos dadas à vizinha. Correrias e barulhos de criança como barulho de fundo e a alegria de juntar 46 pessoas numa quarta feira de Agosto.
Espetaculo de dança e variedades, já de madrugada, protagonizado por crianças que tinham tudo menos sono.
Regresso a casa.
Pronta para este novo ano.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fim de semana dos bons- parte I

Este foi um fim de semana em cheio, comprido, com festas, amigos, jantares, passeios, carroceis, piscinas e claro, uma vitória de Portugal!! Assim sendo, vamos por partes.
Noite de S. João, quente como seria de esperar, mas não como a manhã chuvosa o fazia prever. Rumamos ao Porto ao entardecer, da Trindade aos Caldeireiros, fotos, compras de martelos e sentir o ambiente fabuloso que se vive na cidade. Uma mesa à nossa espera no meio da rua, música pimba como se quer para o bailarico e amigos. Muitos amigos que chegam, sentam connosco e outros que passam, dão as suas marteladas (salvo seja) e seguem caminho. dançamos muito, fizemos comboinhos, comemos sardinhas, caldo verde, pimentos assados e rematamos com um gelado do Santini que, segundo o Diogo, já é tradição. 
Depois vieram os balões e, confesso, que é uma coisa que me fascina. Fascina-me a alegria e entusiasmo de quem espera pacientemente que o fogo os encha, de quem o larga com palmas e gritos, como se aquele fosse o primeiro e único balão de S. João da vida. Nem que o anterior tenha sido cinco minutos antes, cada balão que sobe é especial. E o céu enche-se de pontinhos luminosos, a música dos martelinhos faz eco em todas as ruas e becos e vamos para casa cedo, mas felizes, com a certeza de que, em 2017, estaremos à mesma hora e no mesmo lugar.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Contrasensos

Sempre que chegámos perto do Verão (em teoria, claro, porque na prática nem o cheiro se sente), começam a aparecer nas prateleiras dos supermercados e lojas de perfumes/maquiagens/cremes para tudo e mais alguma coisa, os auto-bronzeadores.
Não faz sentido.
Eles deveriam começar a anunciar esse tipo de produtos lá para o final de Setembro, que é quando se começa a prever que a cor branco/bege/transparente volte a aparecer. Em teoria, no Verão há sol e, na prática, o sol bronzeia e, sendo assim, acho que se trata dum sério caso de Marketing invertido.
Mas, como sou uma fácil, e tenho tendência para acordar com cor de lula, já tratei de comprar o meu.
Escolhi este, única e exclusivamente, pelo cheiro que deve ser a coisa que eu mais gosto nos auto-bronzeadores, aquele cheiro a Verão. E acabei de me lembrar de mais um argumento para estes produtos serem vendidos no Inverno.
Pois bem, estou a usar há umas semanitas e ainda só tenho a dizer bem: a cor é leve, mas nota-se a diferença, é muito hidratante, bom de espalhar e, melhor de tudo (para além do cheiro) é que não mancha!!
BBB


(depois de reler o que escrevi, chego à conclusão que eu era óptima para disfarçar posts patrocinados. Começava por uma nota introdutória, como quem não quer a coisa e depois páu... espetava lá com o produtinho. Fácil, fácil.)

sexta-feira, 18 de março de 2016

Generosidade infinita

Quando alguma coisa é infinita significa que é imensa, inteira, presente quando menos se espera e é assim a generosidade das crianças, a forma como nos amam e nos lembram, tantas vezes, que o amor incondicional nos vem deles.
Todas as noites, quando o deito para dormir e me enrosco um pouco, o Miguel diz, de sorriso na boca e olhos entreabertos com meiguice, "Mamã linda. Mamã boa". Nunca lhe ensinei tal coisa e já o faz há vários meses. E diz isto, às vezes depois de meia dúzia de ralhetes para que se deite e fique sossegada, depois de eu ter sido tudo menos linda e boa. Diz-me isto mesmo depois daqueles momentos em que não tive paciência, fui mais fria. E aquele momento de doçura dele lembra-me que eu sou "linda e boa", lembra-me que sei fazer melhor e, às vezes, fico com a sensação de que ele sabe disto muito melhor do que eu. Aquelas frases dele funcionam como pequenos post-it que colo na minha memória para que, no dia seguinte eu seja efectivamente "linda e boa". E sou, porque ele assim o diz.
Também há uns dias o Diogo me deu uma lição de generosidade. Depois de vinte (ou terão sido trinta?) vezes que o chamei para vir tomar banho e ele me ignorava enquanto brincava, eu, munida duma dor de cabeça gigante, e uma total ausência de paciência, agarrei-o de forma firme bem bruta no braço e arrastei-o até à banheira enquanto disparava meia dúzia de frases azedas e de forma também firme bruta e agressiva coloquei-o no quarto de banho. Ele agarra-se a mim e de sorriso na cara diz tranquilamente: "Mesmo quando és bruta comigo e me empurras eu adoro-te para sempre".
Bem sei que "children see, children do" e este é reflexo de todas as vezes que lhe disse que o amo muito até quando ele faz a maior birra, quando faz a maior asneira, mas não deixa de ser maravilhoso assistir à facilidade com que o amor lhes sai. 
Apesar de não viver envolta em culpas e ressentimentos comigo própria quando não me sai a melhor frase ou o gesto mais meigo, estas frases e atitudes destas pessoas pequenas são puros ensinamentos. Porque todas as crianças são assim, não é mérito cá de casa, é a essência da infância e, o nosso mérito é manter esta generosidade no seu todo ao longo da vida, permitir que sejam felizes neste amor que sentem e espalhá-lo um pouco todos os dias. O nosso trabalho está em fazer com que o adulto que está a caminho não anule esta simplicidade no sentir.

terça-feira, 8 de março de 2016

Ando para escrever isto há uns tempos

Irritam-me pessoas que se maquilham, já estando maquilhadas. Irrita-me que simulem que se desmaquilham, limitando-se a passar, ao de leve, o algodão. Eu até entendo que é bonito vender sonhos, ver imagens perfeitas, de dias cheios de sol, roupas que encaixam na perfeição, crianças lindas impecavelmente arranjadas e felizes.Eu também gosto de, ocasionalmente, ir para uma dimensão à parte em que apenas existem coisas bonitas e, por isso, entendo bem o conceito. Não me choca que o foco esteja no belo.
Choca-me é a mentira que faz perpetuar o descontentamento alheio e a ilusão de que com os outros é tudo mais bonito e mais fácil. 
Não me lixem... Eu consigo andar com muito boa cara durante o dia, com um ar fresco e fofo, uma pele de cor bonita e textura suave, mas não acordo assim diariamente. Quando, à noite, retiro o rímel ( e até é com o tal bifásico da sephora), na primeira passagem fico toda borratada e com ar de panda e depois continuo a limpar. Quando retiro a base, a minha pele não fica exactamente igual. É que se ficasse eu nem a punha.
Depois vão lá meia dúzia de inocentes (mais as outras tantas que nada dizem) comentar em como é fabuloso que ela acorde com tão bom ar e que quase nem se nota que retirou a maquilhagem. Essas inocentes ficam a remoer no porquê de também elas não terem uma pele perfeita e não acordarem com um ar fabuloso, ao invés da típica cara de cú matinal. 
Gosto de coisas bonitas, mas há poucas coisas mais lindas do que a verdade. E a verdade é que, a esmagadora maioria das mulheres não tem a pele imaculada e resplandecente quando acorda e, a verdade, é que não há nada de errado nisso. 
Assumir defeitos requer coragem e auto-estima no ponto de rebuçado e, neste plano, lembro-me sempre da Tyra Banks (que é a Tyra Banks e não outra qualquer) que se mostrou sem qualquer produto, sem perucas, pestanas e afins e, acredito que, com este gesto, retirou muitas minhocas da cabeça de senhoras inocentes que, coitadas, sofriam por não serem sempre fabulosas, no que toca à imagem, obviamente.
Acredito que devemos tentar sempre ser a melhor versão de nós mesmas, em tudo, mas sem mentiras e esforços irrealistas que causam angústias completamente desnecessárias.
E, posto isto, sai uma salva de palmas para todas as mulheres que acordam, praticamente todos os dias, com cara de fim de festa! clap! clap! clap!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Detesto hormonas

Com especial destaque para as minhas, que teimam em me controlar o humor, entre outras coisas. Detesto este lado demasiado biológico, que me faz lembrar todos os meses que, apesar de racional, sou um animal. 
E o que quero eu dizer com isto?
Que tenho um Síndrome Pré Menstrual f@di#d!
Fico com uma depressão a cada 28 dias, mal humorada, irritada, sensível, chata, achar que tudo na minha vida está errado, que só tomei decisões erradas, que os meus filhos são uns mal educados, que o meu marido não me serve, o meu apetite para comida triplica e o outro desaparece. Mas eu afinal sou o quê?? Não deveria eu, enquanto pessoa (humana) ser superior à minha biologia e usar a diferenciação da minha massa encefálica para não me deixar afectar desta forma? Trocava, mil vezes, estes sintomas por umas brutas dumas cólicas porque a sua resolução era bem mais simples e objectiva. Agora isto não tem solução. Pior, eu até podia já estar de sobreaviso para o mau humor e conseguir racionalizar porque sei de onde vem, mas não. Todos os meses me deixo enganar e acho sempre que estou coberta de razão para me queixar, chatear e implicar. 
Odeio isto, juro que odeio.

(P.S.- que este post nunca te sirva, a ti Pedro Costa, para num qualquer momento de discussão, lançares a frase: ui, deves estar com o período. Serás um homem morto.)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Irrita-me profundamente que me digam que eu vou fazer o exame de bioestatística na boa, que não tenho nada com que stressar, mimimi mimimi.
Eu ando em estado de semi-pânico bem disfarçado, porque só eu sei como o meu raciocínio lógico-matemático está ao nível duma hiena. Eu juro, que preferia cair dum lanço de escadas do que ter de estudar esta treta e ainda ser submetida a exame. Assim caía e já estava. Assunto arrumado. Podia doer um bocado no imediato mas depois passava. Ninguém me compreende...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Lei de Murphy adaptada a mim #3

Depois duma odisseia para arranjar o explicador para a cadeira de Bioestatistica (a.k.a. tortura medieval para o meu pobre cérebro limitado em tudo que às matemáticas diz respeito), marco a primeira explicação com dez dias de antecedência, envio todos os slides das aulas e um exame tipo. Chego na hora marcada e a primeira coisa que oiço é:
-Qual é a disciplina mesmo?

Tem tudo para correr bem, não tem?