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sexta-feira, 18 de março de 2016

Generosidade infinita

Quando alguma coisa é infinita significa que é imensa, inteira, presente quando menos se espera e é assim a generosidade das crianças, a forma como nos amam e nos lembram, tantas vezes, que o amor incondicional nos vem deles.
Todas as noites, quando o deito para dormir e me enrosco um pouco, o Miguel diz, de sorriso na boca e olhos entreabertos com meiguice, "Mamã linda. Mamã boa". Nunca lhe ensinei tal coisa e já o faz há vários meses. E diz isto, às vezes depois de meia dúzia de ralhetes para que se deite e fique sossegada, depois de eu ter sido tudo menos linda e boa. Diz-me isto mesmo depois daqueles momentos em que não tive paciência, fui mais fria. E aquele momento de doçura dele lembra-me que eu sou "linda e boa", lembra-me que sei fazer melhor e, às vezes, fico com a sensação de que ele sabe disto muito melhor do que eu. Aquelas frases dele funcionam como pequenos post-it que colo na minha memória para que, no dia seguinte eu seja efectivamente "linda e boa". E sou, porque ele assim o diz.
Também há uns dias o Diogo me deu uma lição de generosidade. Depois de vinte (ou terão sido trinta?) vezes que o chamei para vir tomar banho e ele me ignorava enquanto brincava, eu, munida duma dor de cabeça gigante, e uma total ausência de paciência, agarrei-o de forma firme bem bruta no braço e arrastei-o até à banheira enquanto disparava meia dúzia de frases azedas e de forma também firme bruta e agressiva coloquei-o no quarto de banho. Ele agarra-se a mim e de sorriso na cara diz tranquilamente: "Mesmo quando és bruta comigo e me empurras eu adoro-te para sempre".
Bem sei que "children see, children do" e este é reflexo de todas as vezes que lhe disse que o amo muito até quando ele faz a maior birra, quando faz a maior asneira, mas não deixa de ser maravilhoso assistir à facilidade com que o amor lhes sai. 
Apesar de não viver envolta em culpas e ressentimentos comigo própria quando não me sai a melhor frase ou o gesto mais meigo, estas frases e atitudes destas pessoas pequenas são puros ensinamentos. Porque todas as crianças são assim, não é mérito cá de casa, é a essência da infância e, o nosso mérito é manter esta generosidade no seu todo ao longo da vida, permitir que sejam felizes neste amor que sentem e espalhá-lo um pouco todos os dias. O nosso trabalho está em fazer com que o adulto que está a caminho não anule esta simplicidade no sentir.

quinta-feira, 10 de março de 2016

5

Podia dizer muita, muita coisa acerca do que o dia de hoje representa, mas só me ocorre isto:

Hoje, sinto-me cinco anos mais feliz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Eu achava que já tinha visto (quase) tudo

...mas entretanto, no grupo de Mães do facebook, deparo-me com não uma, não duas, mas muitas mães a sugerirem que outra levasse o filho a um medium ou a um curandeiro, enquanto a primeira se queixava do seu filho ter comportamentos mais violentos quando falava e brincava sozinho.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Pó de fada.... no AR!!!

As Mães são fadas, toda a gente sabe disso. E eu acho um desperdício aquelas que não usam os seus poderes com mais frequência, acho até criminoso. Toda a gente sabe que um beijinho de Mãe num dói-dói tem um efeito três vezes mais potente que uma colher de sobremesa de Ben-U-Ron (eu sou médica e leio estudos científicos duplamente cegos e afirmo isto com toda a propriedade). Mas há mais para além do beijinho, há infinitos poderes desconhecidos e à espera de serem explorados.
Lá em casa funciona, os meus poderes são musicais, apesar de eu cantar mal como o raio. Descobri esta minha magia com o Diogo, rapaz dado ao drama quando se magoa, e eu inventei uma música carregada de analgésico e anti inflamatório que funciona em segundos. Aliás, já o apanhei (secretamente) a cantar sozinho, para si próprio essa música depois de se magoar e também a cantar para o irmão. O meu truque canta-se assim: 

Sai, sai, sai, 
vai embora dói-dói.
Sai, sai, sai
Da cabeça (ou local magoado) do Diogo (ou do Miguel)
(segue-se um beijinho no local)

Entretanto, achei que era um mundo a explorar e, com o Miguel, rapaz dado à má disposição matinal e à telha em geral, descobri que o truque musical também traz sorrisos. No fundo é um Prozac que actua em segundos, sem efeitos laterais, com excepção dum belo sorriso, tal como pede a minha música.
As Mães são fadas mascaradas de pessoas mas, às vezes, são tão pessoas, tão pessoas , tão pessoas que se esquecem que são fadas com poderes mágicos, truques infalíveis e pós de perlim pim pim na ponta dos dedos. Eu também me esqueço, mas felizmente tenho filhos que sabem disto melhor do que eu e me lembram de vez em quando. Lembram-me que sou uma fada quando me pedem a música do dói-dói, quando me dizem, em momentos de semi-discussão, que aquilo que lhes falta para estarem bem dispostos é miminhos nas costas com as unhas (dito pelo Diogo) ou um abraço meu (dito pelo Miguel).
E segue um beijo mágico e cheio de estrelinhas para todas as fadas com que me cruzo que, com poucos adereços fazem a magia acontecer!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Esta pequena pessoa dá cabo de mim

Há alturas em que não o aguento, que me apetece tirar férias de ser mãe dele, sabê-lo bem longe de mim, onde não possa ouvir o seu chorro TÃO frequente, as suas birras irritantes, a palavra mamã repetida até à exaustão. Há dias em que eu queria que ele não me quisesse para nada. Vestir, despir, dar de comer, desapertar o cinto do carro, sentar e tirar da cadeirinha, apanhar um brinquedo que cai, ler a história e deitar, acudir pesadelos e outras maleitas nocturnas, dar colo, limpar o ranho, dar remédios, tirar sapatos, levar a fazer xixi, limpar o rabo, pentear, arranjar as meias que estão a cair, cortar a carne e dar a sopa... tudo (e muito mais) tem de ser feito por mim, sob pena duma avalanche de lágrimas e dum chorro sem fim.
Isto cansa, mói e leva a minha paciência ao limite.
É tão mais simples ser uma "boa mãe" ( seja lá o que isso for) dum filho fácil.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Tenho uma amiga #16

Cujo nível de exigência com os filhos lhe causa angústia e frustração intensa. Bastava "apenas" baixar as expectativas e seria uma Mãe muito mais feliz.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #9

Ter um filho que dorme mal é muito, muito, mas mesmo muito pior do que um filho que come mal. 
Porque, mesmo que ele não coma, nós podemos comer na mesma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #8

Os miúdos são más pessoas. Muito más pessoas que detestam e são contra o descanso dos pais, porque, se durante a semana, é preciso fazer o pino e um mortal encarpado para que saiam da cama entre as 8.15/8.30h, ao fim de semana acordam frescos e fofos às 7.30h.
Más pessoas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

As crianças são um empecilho

As crianças, com especial destaque para os nossos filhos, são um estorvo à vida. Deixámos de ter espontaneidade no dia a dia a dia porque tudo tem de ser pensado e preparado com a devida antecedência. A sopa tem de estar feita, a roupa do colégio pronta, é preciso decidir de véspera quem leva e vai buscar à escola, em que actividades extra curriculares vão participar, e o que tenho pensado para os entreter enquanto dou um jeito à casa e faço o jantar. Os horários para cumprir, a rotina  que pode ser quebrada, mas o mínimo possível para que haja estabilidade e previsibilidade na vida dos pequenos. Não dá para chegar às oito da noite e decidir que, afinal não quero fazer jantar e vamos mas é ao cinema. Para conseguir jantar fora a um sítio não baby friendly, é necessário todo um planeamento estratégico de horas e avós e malas com pijamas e roupa para o dia seguinte. E a barriga, aquilo que fazem à nossa barriga? Não querem que vos explique tudo aquilo que um filho faz a uma relação, pois não? Sãos as discussões devido ao cansaço e à falta de espontaneidade que os putos nos tiram, são o "faz assim porque é melhor" ou "faz assado porque eu é que sei", é o tempo de qualidade ao final do dia que desaparece e se esfuma entre banhos, jantares e brincadeiras com os meninos que precisam da atenção dos papás. As férias são planeadas, em parte, a pensar neles porque se eles estiverem tranquilos e divertidos nós poderemos pensar em relaxar e descansar. No entanto a tarde pára para as sestas, caso contrário ficaria o caos instalado devido ao mau humor. Mas, mesmo assim, o raio dos miúdos acham que podem fazer birras porque afinal nem queriam aquela comida ou três gelados por dia é que é a conta certa e somos uns autênticos tiranos por só dar dois. Os filhos dão cabo do nosso sono e da nossa paciência. O Miguel voltou a dormir mal, a querer colo a cada 5 minutos acordado, a andar no meio das minhas pernas enquanto eu faço coisas por casa. Lembrou-se que me quer a mim para tudo e mais alguma coisa e, ai de alguém que se lembre de lhe descalçar os sapatos, porque isso (e tudo o resto) só a sua mãezinha pode fazer. Os filhos desgastam-nos, fazem-nos olheiras e rugas e depois fazem-nos gastar um dinheirão em cremes e tratamentos para parecer que estamos óptimas, frescas e fofas. O Diogo é um choramingas, em casa, única e exclusivamente em casa porque na escola, o sacana, não dá um ai e tem sempre bolinha verde de muito bom comportamento. Em casa chora e dramatiza cada momento e consome-me a paciência a cada choramingadela. Os irmão, aquela tal multiplicação do amor, pegam-se, empurram-se, querem o brinquedo um do outro e odeiam-se momentaneamente. Fazem queixas um do outro em catadupa e eu, ingénua, às vezes ralho, tomo partidos, castigo o agressor e, dali a dois décimos de segundo, estão a rir e a brincar como se o conflito anterior fosse totalmente irrelevante.
Os filhos acabam com a vida que existia antes deles, mas dão-lhe uma luz e uma cor tão únicas que fazem com que todas as linhas escritas acima sejam um pequeno nada. Deito-me à noite com eles para que adormeçam e sou invadida por um misto de perdão pelo mal que me fazem e agradecimento imenso por serem meus. Lembro-me de, em Agosto, me ter deitado com os dois, um de cada lado, para dormir a sesta, abraçaram-me e adormeceram assim. Eu numa posição desconfortável, atravancada entre dois corpos pequenos cada um mais em cima de mim do que o outro e estes pensamentos loucos passaram todos pela minha cabeça. Loucos porque senti uma felicidade tão serena e boa enquanto pensava em como a minha vida mudou. A maternidade é isto mesmo, uma posição incómoda a que o nosso corpo se adapta e se sente feliz.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #7

Os teus filhos vão-te fazer/dizer exactamente aquilo que tu lhes fazes/dizes.

-Mamã, quero ver o teu cocó. Que lindo cocó mamã!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma pessoa decide começar a correr ao ar livre para se preparar para o Urban Trail.
Uma pessoa compra uma bolsinha para colocar o telemóvel no braço enquanto corre, adere ao Spotify, cria uma playlist jeitosa para corrida e adere também ao RunKeeper para começar a controlar tempos e distâncias
Uma pessoa vai duas vezes pela fresca da manhã fazer a sua corridinha e vai fazendo uns percursos engraçados pela sua cidade. 
Uma pessoa começa a ganhar gosto.
E depois vem o S. Pedro e espeta com um temporal violento, com direito a alerta vermelho da Protecção Civil durante uns bons dias.
No fundo, acho que até os céus conspiram contra a minha tentativa de gostar de correr.

sábado, 29 de agosto de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #6

A linha que separa uma criança normal, espontânea, descontraída e uma mal educada é muito ténue.

E eu própria tantas vezes fico confusa com aquilo que devo ou não permitir ou repreender. Porque, às vezes, dou por mim a sentir-me uma grande chata com tantos "nãos" e imposições que talvez nem sejam assim tão necessárias. Desconheço o que seja o comportamento normal e aceitável de duas crianças de 4 e 2 anos e talvez o "aceitável" numa maioria não seja o meu. Haverá, certamente, coisas que, para a minha família sejam aceites, não se considerem problema e essa não seja a regra para os restantes. E, afinal, o que importa mais? Acredito que os nossos próprios valores valham sempre mais, mas, a verdade, é que vivemos em sociedade e, por mais que não estejamos focados no que os outros pensam, é quase inevitável que, uma vez ou outra, saia uma repreensão só para não parecer mal a terceiros. Detesto quando isto acontece, especialmente porque não sou coerente.
Ninguém disse que era fácil, pois não?

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #6

Tu achas que conheces bem o teu filho. Tentas o desfralde já com a certeza que vai ser para adiar porque, para ti, ele não está minimamente preparado. E, em 10 dias, o desfralde fica mais que feito, o rapaz de 2 anos vai fazer xixi sozinho sem te pedir ajuda, estando acordado é incapaz de fazer seja o que for com a fralda posta e acorda com a fralda da noite completamente seca.
Tu achas que conheces bem os reus filhos mas a capacidade deles te surpreenderem é superior aos teus conhecimentos.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Leis (quase) absoluta da maternidade #3

Quando decides dar um irmão ao teu filho, podes ter a certeza que, dentro de um ano e meio, dois anos, o teu filho mais velho vai ter eco.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #2

Uma das provas de amor, quase diárias, que o meu filho Diogo me dá, é fazer questão que seja a eu a limpá-lo quando faz cocó. Como se eu ficasse mesmo feliz...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Leis (quase) absolutas da maternidade #1

A probabilidade do Miguel me pedir colo no trajecto carro-casa é directamente proporcional ao número de sacos que carrego nas mãos.