Paciência
Com o passar dos 9 meses, as nossas capacidades físicas diminuem gradualmente, os nossos movimentos vão lentificando e isso serve para nos irmos habituando a um novo ritmo que aí vem. Quando agora digo, "vou-me despachar num instantinho", significa, pelo menos, o dobro do tempo de antigamente. Auto-obrigo-me a ter calma e paciência comigo mesmo e imagino que me irá ser muito útil. Quando demoro uns largos minutos a calçar-me e termino a tarefa mais ofegante que depois duma aula de cycle, penso que já estou preparada para aquelas manhãs em que preparar a criança para a escola, exigem mais que uma resistência física e psicológica dum maratonista.
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Gostar ainda mais de mim
Nunca tive propriamente, probelmas de auto-estima, mas obriguei-me a gostar de mim de uma forma diferente. Gostar e cuidar de mim, durante os últimos tempos era bem mais do que isso, era cuidar também do meu bebé. Gostar de mim ao ponto de comer o melhor, de descansar sempre que o corpo pedia, de admirar as minhas novas formas voluptuosas, de fazer (ainda mais) tudo aquilo que gosto, com o pretexto de aproveitar ao máximo. Gostar ainda mais de mim, foi o início do amor pelo meu filho.
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A pele é uma coisa fantástica
Já sabia que era o nosso maior órgão, sabia que tinha uma capacidade imensa de crescimento, mas entre o que li nos livros e o que fui vendo no espelho, há uma grande diferença. Quando, em Dezembro, fui para o Brasil e, orgulhosamente, exibi o que eu achava ser um barrigão, estava longe de imaginar o estado que me encontraria em Março. E esticou, esticou, esticou para acolher um Diogo, que nestes últimos 3 meses, cresceu, cresceu, cresceu..
(E agora tudo a fazer figas, bem apertadinhas, para que, da mesma maneira que esticou, a coisa também encolha)
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Os homens são mais Homens
Falo, em especial, pelo meu, mas também por outros pais e futuros pais, com quem tenho o prazer de conviver. Envolvem-se como se também eles carregassem a criança durante nove meses, participam, questionam, mimam-nos e apoiam-nos, como nunca... Há umas décadas atrás seria impensável e mal visto até, um homem em aulas de preparação para o parto, a acompanhar todas as consultas, a ler livros e a pesquisar na net. O que há uns anos os diminuía, na sua condição masculina, hoje só os engradece! Não duvido que serão pais mais felizes, mais capazes e maridos mais maravilhosos por toda esta entrega!
Obrigado Pedro.
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As mulheres são seres iluminados
Se há mil e uma coisas que nos tornam fantásticamente especiais, ter a capacidade de, durante 40 semanas, sermos fiéis depositárias dum ser em formação e crescimento, é, sem dúvida, uma delas. E não me refiro apenas ao lado sentimental da coisa, falo também em termos físicos. Damos o melhor de nós para que a pessoinha que está cá dentro, venha na sua melhor condição. O nosso corpo sofre transformações incríveis, suportamos um peso enorme, as nossas pernas incham, os aneis deixam de servir, o peito parece que explode, o umbigo salta, andamos como se fossemos patos e, no fim de tudo, temos o projecto de por um ser de 3.500kg a passar por um local estreito... E tudo isto, com uma alegria enorme!
No mínimo, não somos deste mundo!