segunda-feira, 30 de abril de 2012

2011/2012

Mal o Rio Ave terminou o seu joguinho, o meu filho, na sua linguagem perfeita e, totalmente perceptivel, pediu-me muito muito, muito, para que lhe vestisse aquele equipamento lindo com risquinhas azuis e brancas, de forma comemorar como deve ser, a vitória do seu clube do coração! Foi assim que ele falou, tal e qual!
O pai diz que é tudo mentira, que o menino não falou nada, mas ele não estava em casa quando isso aconteceu, tinha ido por o lixo, por isso não assistiu!
Alguém duvida de mim?

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Hoje o Diogo provou duas coisas novas:
biscoito de cão e
bolachas com cobertura de chocolate.
Importa dizer duas coisas:
só lhe facultei a segunda,
e ele fez o mesmo som de contentamento ao comer as duas iguarias.
Quanto ao chocolate, até sei a opinião da pediatra, mas relativamente a Eukanuba, nunca lhe perguntei!


Quando ouvi nas notícias a morte de Miguel Portas, o meu primeiro pensamento foi para Helena Sacadura Cabral, mulher que não conheço pessoalmente, mas por quem nutro uma especial simpatia. Sempre acreditei que, alguém que tem 2 filhos, com ideologias tão diferentes, só pode ser uma excelente pessoa, porque os educou na liberdade, no respeito por quem eram, na aceitação das suas diferenças... um exemplo.
E, por isso, não resisti a copiar o texto da MAC!

"Uma mulher rasga a própria carne para pôr um filho no mundo. É assim o parto. Dores que não lembramos com ele nos braços. Dores que passamos para dar vida. Dores naturais pela vida. É assim. Cortam-nos o cordão de carne, o outro, o invisível, nunca, e carregamos os filhos ao colo pela vida. É tão natural. Não é natural que a vida nos leve um filho. Não há mortes justas, talvez só consiga aceitar quando já muito velhos nos faltam as forças, o corpo falha e nos deixamos morrer. Na natureza é assim. Nenhuma mãe deveria sobreviver a um filho. Não é natural. Nenhuma mãe deveria ter partos ao contrário. Nenhuma mãe deveria voltar a rasgar a carne. Nenhuma mãe deveria ter os braços vazios. Dói tanto. Não é natural.  

Porque não deveria haver partos ao contrário. Porque na morte de um Homem penso sempre na mãe. Em si, Helena, a mãe."


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Macaquices


Tudo bem que, numa boa parte das vezes, o chamo de Macaquinho, porque trepa tudo, desde a minha pessoa, às escadas e aos escorregas.
Tudo bem, que traz um na camisola e, por gostar tanto, até comprei a t-shirt igual para o Verão.
Tudo bem que o tio Miguel lhe chama "Dioguito, barriga de mico"
Tudo bem que inventei uma brincadeira com os macacos do nariz para que o rapazinho me deixasse aspirar o dito, sem stresses de maior e até resulta muito bem!
Tudo bem que até sabe imitar o dito bicho (ou pelo menos uma coisa que se assemelha).
Mas não era preciso levar a coisa tão a sério e, aprender esta nova "habilidade". Além do mais pratica-a um número de vezes superior ao que gostaria.
Não sei se ignore ou se repita "ad eternum" o não, não, não, enquanto lhe tiro o dedito da macacada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Assim não dá Leonor. Eu tive um filho há coisa de um ano, alambuzei-me na gravidez, mas agora estava a tentar ser uma menina bonita e com menos 2kilos. Mas, convenhamos, posts a cada 2 dias não fica fácil. Ah e tal, estiveste ausente muito tempo e agora há muita coisa nova.

E?

Não dá para ser só um por semana?

É que uma pessoa não consegue acompanhar o ritmo e, sinto-me na obrigação, de, ao fim de semana, tratar de ver se as fotos correspondem mesmo à receita. Só numa de tirar a coisa a limpo.

Vamos combinar uma coisa: colocas posts uma vez de 15 em 15 dias, de preferência sem foto, caso contrário vou ser obrigada a retirar-te do lado direito do meu blog.

E tu não queres isso pois não?
Sempre ouvi dizer que, um quadradinho de chocolate por dia fazia muito bem. Mas como nunca fui boa a geometria, acabo sempre por comer um rectângulo.

32+8 =40







Os meus pais fazem hoje 32 anos de casados.

Namoraram 8 ( e meio, segundo a minha Mãe).

O que prefaz 40 anos de existência em comum.

O que significa o dobro do tempo de vida juntos, do que separados.

Umas vezes bem, outras menos, outras mal, mas sempre juntos. No fim das contas sempre juntos.

E isso já não se usa, já não se vê.

Muito menos com feitios como o daqueles 2, que, venha o Diabo e escolha qual deles o mais fácil. E, para ajudar à festa, não podiam ser mais diferentes e tanta, tanta coisa.

Mas continuam juntos. E dão beijos na boca (o meu pai obriga), e discutem, e cuidam um do outro e, conhecem-se e, aceitam-se.

Esta é a parte que já não se vê e já não se usa. Aceitar alguém tão diferente de nós e que nos mói a cabeça por isso mesmo, mas mesmo assim o querer por perto.

E são assim aqueles dois.

Parabéns e obrigado!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Letras de livros #4

"Nos arqueados peitos dos pés, a pele deixava transparecer umas veiazinhas azuis e enternecia-me imaginar o sangue a correr devagarinho por elas. Como da vez anterior, deixou-se acariciar com total passividade e escutou calada, fingindo uma exagerada atenção ou como se nada ouvisse e pensasse noutra coisa, as palavras intensas, atabalhoadas, que eu lhe dizia ao ouvido ou à boca ao mesmo tempoque lutava por lh descerrar os lábios."


in Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Losa

Março fez-se disto




Projecto 365+1

domingo, 15 de abril de 2012

Fevereiro fez-se disto






Projecto 365+1

Coisas de homens #2

Estava eu ao telefone, quando começo a ouvir barulhos estranhos vindos da cozinha, qualquer coisa a raspar no chão a alta velocidade.

E lá estavam eles, a brincar aos karts numa caixa de cartão onde vem a fruta da feira!

Difícil foi convencer o pequeno que, ao fim de 2 ou 3 voltas, o pai já não aguentava mais das costas!


sábado, 14 de abril de 2012

Coisas de homens #1



Enquanto eu estava na cozinha e o Pedro vestia o Diogo, ouço isto:

-Ui filho, acabaste de dar um pum e um espirro ao mesmo tempo! Mas que grande proeza! O papá não consegue fazer isso!

...

Ora portantos, de maneiras que

Ouvi ontem na rádio que, António Fiuza, presidente do Gil Vicente, da mui nobre cidade do galo, prometeu que, caso o Gil ganhe a Taça da Liga, vai oferecer champagne, nomeadamente aos sem abrigo de Barcelos.

Pois que portantos, é nestas alturas que me dá saudades de trabalhar naquela bela cidade e, quem sabe, me fazer passar por uma sem abrigo!


Fica só aqui um achega que me parece de interesse: o dito senhor (e sei isto de fonte muuuito segura) tem por hábito oferecer aos seus jogadores, pelo Natal, pacotes de soquetes com o seu nome inscrito!

Soquete Fiuza, quanto mais rasga, menos se usa!!

(esta maravilhosa rima acabou de sair desta mente parva, que é a minha. Desde já peço desculpa pelos danos causados)

Porque não poderia concordar mais!

"Amo os meus filhos acima de tudo na vida. Um amor tão grande, que às vezes acho que já não me cabe. Não sei qual será a orientação sexual deles. Ainda não sei. Mas sei que se forem homossexuais, os amarei da mesma forma, sempre. Sei que os amarei sempre. Gerei-os. Ando com eles ao colo. Andarei sempre com eles ao colo pela vida. Mas não quero sequer imaginar que um dia, alguém, ou muitos, me tratem mal os filhos, seja como for, seja pelo que for.

Por isto, por tudo, mesmo antes de os ter, nunca me coube esta falta de amor só porque as pessoas não são heterossexuais. Não percebo que seja critério de opção em tantos corações. Não entendo este repudio.

E seja lá qual for a orientação deles, nunca os ensinarei a aceitar a diferença. Qual diferença? Não se trata de diferença, nem de opção, apenas natureza. Não têm de aceitar nada, nem maus tratos, nem benevolência, nem compaixão, nada. Nem dar a outra face. Nunca. Não os quero a sorrir para um mundo que não os quer. Quero que saibam ser, mais nada. Se calhar sou utópica. Acho que sou. Mas é nesta utopia que quero o mundo para os meus filhos.


Qualquer mãe não entende quem não lhe ama os filhos. Qualquer mãe não dá a outra face. Isso é muito bonito, politicamente correcto, socialmente comovente, apenas não cabe na natureza de uma mãe."



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Enteroviroses que aí andam...

Tal como disse ontem, andava desconfiada que aquela falta de apetite, a repulsa e mãos na boca mal via o prato de comida, eram algo mais que "fisiológico".

Gastroenterite vírica, por provável Enterovírus. Chique o menino!

E eu, médica de profissão e mãe da criança, andei aqui a empaliar sintomas e a fazer associações erradas!

Ora vejamos: desde há 3 semanas que o rapaz iniciou o leite das vaquinhas e, desde então (mais ou menos) que a primeira fralda da manhã vinha que era uma categoria de cheia e, praticamente não se via fralda, era mesmo caquinha de uma ponta a outra (adoro escatologia!). Associei à adaptação ao novo leite e tal, nada de grave. Entretanto vamos de férias, sexta passada, e o rapaz começa com umas coisas que se assemelhavam a diarreia, mas nada de especial, e aqui e ali, com um vómito a meio da refeição. Eu, (estúpida, estúpida, estúpida), associei a recusa e choro durante a refeição à minha nova regra: acabaram-se as palhaçadas à hora da refeição, que tanto gostam de fazer para o menino enfardar tudo que está no prato. Acarabaram-se danças, gaiolas de passarinhos e tudo o mais que eu não possa fazer em público. Achava eu que, filho meu danado da breca, que é, não comia porque eu não armava o circo e os vómitos eram porque se engasgava com o choro, ou com um pedaço ou outro menos a jeito, ou mesmo que puxava do vómito (coisa que já fez) para me mostrar quem mandava ali. Pobre bichinho!

E desde há 2 dias que começamos a notar que, mesmo comendo mal, a barriga do Diogo, parecia que ia explodir após as refeições. Nos entretantos, o rapaz mantém a sua boa disposição habitual, o mesmo padrão de sono, noites óptimas, a andar cada vez mais e melhor e, sem sinais de qualquer má disposição.

Mas, ontem lá fomos, com a tia Ju, ao Senhor Doutor Pediatra das Urgências que nem queria acreditar, como é que um rapazito com aquela barriga impalpável de dura e timpanizada, tinha entrado hospital a dentro pelo próprio pé a distribuir olás e sorrisos. Foi só tentar palpar aquela barriga que o meu filho devolveu a sopa toda!

E pronto, estamos a sopas sem "verdes", motiliuns e leites sem lactose.



Conclusões minhas:

1-confiar um bocadinho mais cedo no instinto que me dizia que algo não estava bem, em vez de tentar arranjar justificações;


2- acabar definitivamente com palhaçadas (e convencer as outras fontes de alimentação a fazer o mesmo) na hora da refeição para que, quando ele chorar ou recusar, sabermos que não é por falta de brincadeira, mas sim porque não quer mesmo e, duma próxima (NOT), percebermos mais cedo.




Conclusões do Senhor Doutor Pediatra das Urgências:

1- o Diogo é um tipo muito porreiro por andar assim há dias e manter o seu bom humor, porque segundo o senhor acima citado, já não via uma barriga assim há muito tempo.


2- o rapaz é extremamente desenvolvido para a idade no que toca a vocabulário e a "habilidades" (sim, sim, a mãe também é duma inteligência atroz)



Dia internacional do beijo

É, para mim, a melhor manifestação físisca de amor. Não me imagino ter casado com alguém que beijasse mal. Pode parecer superficial, mas para mim não é. O beijo é realmente importante, é o melhor veículo da tão famosa "química" e, ou se tem, ou não se tem. E, dito isto, confesso que, foi pelos beijos do Pedro que, inicialmente me apaixonei. Quando demos o nosso primeiro beijo, algures em Novembro de 2006, não havia amor da minha parte. Havia interesse, atracção e achei graça à sua insistência em me conquistar, apesar dos meus sucessivos "chega para lá". Mas depois daquele primeiro e looooongo beijo, no carro estacionado à porta de minha casa, senti que as coisas começaram a mudar. Havia uma química especial e, vá, vou confessar, o rapaz dava (e dá) uns beijos maravilhosos. E, basicamente, foi mais por isso que me casei!! (mentira, mentira)

Lembro-me de quando éramos mais miúdas e andávamos na fase das curtes, ser obrigatória a pergunta, após uma de nós ter andado aos beijos com uma conquista mais ou menos importante: "Então, ele beija bem?". Era impensável não haver resposta e, caso não houvesse, era evidente que não dava lá grandes beijocas. Assim sendo, e, tendo em conta, que o bando feminino se mantém hás uns largos anos, somos todas possuidoras de conhecimentos, quase científicos, acerca de como beijam um bom par de homens com quem uma ou outra se cruzou. Chegamos mesmo a fazer rankings de "bons beijadores"!!

Ficou também famosa, a frase duma grande amiga, acerca do número de homens que já tinha beijado. Andávamos 5 meninas a percorrer esta Europa fora em Interail, e, certo dia a conversa lá foi parar aos beijos e, uma de nós sai-se, alto e bom som, até porque éramos bastante estrangeiras: puxa, já beijei x homens!! Mas, apesar de sermos bem estrangeiras, ao nosso lado ouve-se: ó menina, olhe que há mais Portugueses por aqui... (por razões óbvias, não refiro nomes, número de homens, nem local, até porque, o que aconteceu em rail, ficou em rail e, se não é para casar, não aconteceu)

Depois há os outros beijos... aqueles que dou centenas ao dia (e me parecem poucos) ao meu filho. Beijo-lhe a face, o pescoço, as orelhinhas, a barriga, os pés, as coxinhas, as mãos e tudo e tudo e tudo. Apetece-me devorá-lo em beijos, lambuzá-lo todinho, apetece-me até trincar aquele pequeno ser macio e cheiroso! E se ele recebe, cedo aprendeu a dar e, algures há meio ano atrás, aprendeu a juntar aqueles lábios pequeninos e fazer um som repenicado, sempre que pedíamos para dar beijinhos. E que beijoqueiro me saiu o moço.

E há ainda os beijos de que tenho saudade, aqueles que dava no pescoço da minha avó que, mesmo quando a noção que tinha do mundo já era escassa, a faziam sempre rir!



beijos para vocês!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Letras de livros #3

"Entender os medos e as birras, saber a sua causa e a sua explicação, descodificar os sinais e ajudar a criança a ultrapassar estes sentimenos é tarefa para os adultos...

Mas que fique bem claro: se não se deve ter medo de dizer "não" e se deve educar com firmeza, pode-se fazê-lo acentuando sempre que o amor dos pais pelos filhos é incondicional, ou seja, que educar, apoiar, proteger, ser firme, dar sentido é uma forma de expressão desse amor.

Que este livro vos seja útil...e, quem sabe, para os leitores se compreenderem melhor a si próprios, aos seus medos, à sua atitude perante a morte e a frustração e, no fundo, entenderem porque é que fazem (fazemos!) birras, nós próprios, tantas e tantas vezes..."


in O grande Livro dos Medos e das Birras de Mário Cordeiro

últimas linhas

WTF???

Sábado, dia 21 de Abril, vai haver o II Encontro do ACES Porto Ocidental.

Durante o período da manhã temos a oportunidade de frequentar 2 workhops à escolha entre vários.

Um deles é este:

Alguns aspectos do comportamento da mulher chinesa perante o nascimento.

Oi? Como é que disse?

Mas as criancinhas nascem por um sítio diferente? As senhoras puxam em mandarim? Há mais partes da anatomia que são em bico e eu não sei?

Foi a minha 3ª opção, mas prometo que, caso assista a este maravilhoso moneto, venho aqui contar tudinho!


Ando desconfiada...

... que o meu filho anda a ler livros de puericultura às escondidas. Pois bastou-lhe saber dizer que tem um ano, com aquele dedito espetado, para lhe dar a tal da "anorexia fisiológica do 2º ano de vida". Comer está a ser coisa complicada naquela casa, quer seja a papa, o leite (mas qual leite??), a sopa, a nossa comida, a fruta, o iogurte ou o que mais houver. Deu-lhe também para o belo do puxa o vómito e vai de me devolver a sopa! Obrigadinho!

No entanto, ando também desconfiada que talvez seja algo mais que uma anorexia fisiológica... A ver vamos! Mais um dia ou dois deste filme de terror alimentar e vamos ter de fazer um telefoneminha à Senhora Doutora!

Vozes de um consultório que é meu #3



Num espaço de tempo inferior a 24 horas vi no Centro de Saúde: um brasileiro vegan que "obrigava" os filhos adolescentes a fazer yoga e os levava a tudo que era especialidade médica por menos de um "ai", uma senhora turca, que veio acompanhada do filho para este lhe fazer a tradução, e cuja conversa meteu cor do cocó, tipos de vómito, métodos anticoncepcionais e papa nicolau e uma chinesa grávida, acompanhada do marido (filho de portugueses emigrados em França, que já trabalhou em Itália, Grécia e Espanha, mas que agora morava na China), e que consultou o iphone para se certificar que a vacina do tétano era cena recomendada.


O Porto é um mundo!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A pedido de uma família... a da Maria Ana

Os meus livros de cabeceira:




  • Amor em tempos de cólera de Gabriel Garcia Marquez - à espera de ser guardado na estante!



  • Travessuras de uma menina má de Mario Vargas Losa - à espera que lhe comece a folhear as páginas;



  • O grande livro do bebé de Mário Cordeiro - de consulta pontual;



  • O grande livro dos medos e das birras de Mário Cordeiro - mesmo a chegar ao fim, mas estou a adorar. Gosto do bom senso, do respeito pela criança, os casos, a flexibilidade e as boas dicas. Aconselho!



  • Besame mucho de Carlos Gonzalez - um livro assumidamente fundamentalista do colo, do mimo, do dormir com os pais e afins. Apesar de não concordar a 100% com tudo, adorei o primeiro capítulo do livro que aborda a evolução dos animas e sua ligação com os progenitores, a parte científica e biológica da logação mãe-filho. Recomendo!



  • A criança feliz de Chantal Gazal - este está na outra mesa de cabeceira a ser lido muuuuiiiitooo lentamente!



  • 1, 2, 3 uma colher de cada vez - a tirar dicas para os próximos menús!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Falar a verdade!!

"Falar a verdade com as crianças é, simultaneamente, um dos assuntos que mais me apaixona e, ao mesmo tempo, um dos mais complexos a explicar.
Complexo porque temos anos de história e de hábitos e de formas de fazer que nos levam a acreditar que uma criança não percebe, não ouve e não se lembra. Anos de condutas onde ‘para o teu bem’, eu decido fazer assim, tal e qual como os meus pais fizeram comigo. Anos de vezes em que escutámos ‘oh, que diferença faz?’ Por isso, ao querer explicar-te e ao fazer o apanhado daquilo que leio, tenho de considerar tudo isto. E para quê? Para que consiga passar, da melhor forma, o que é esta coisa do ‘falar verdade’ e ‘falar de verdade’.
Sabes, quando tomei consciência da importância e da urgência em educar para a felicidade, percebi que este é, claramente, o ponto de partida para tudo. Qualquer criança, seja em que idade for (mesmo de colo), tem a necessidade e também o direito que o adulto lhe diga a verdade. E esta verdade chuta para canto o silêncio mentiroso, as distrações piedosas ou as frases enganosas que criam angústias, falsas expectativas e uma obediência que assenta no medo de uma coisa que não se sabe exactamente o que é ou nem se domina. Esta verdade permite que aquele (pequeno) sujeito se construa plenamente e se possa humanizar.

Ao mesmo tempo, ‘falar de verdade’ com uma criança (e novamente sublinho, mesmo com as de colo), implica que as consideremos pessoas sensatas, respeitáveis e capazes de compreender o que lhes dizemos sem, no entanto, as tomarmos por adultos ou até mais maduras do que na verdade são. E tudo isto pode parecer confuso porque temos gerações e gerações atrás de nós que consideravam as crianças como seres menores. A maior parte de nós foi educado assim, como um ser menor, até uma determinada idade. E desmanchar este conceito, que está tão enraízado na cultura ocidental, é muito complicado.
(Repara: se te lembrares das tuas aulas de História, sabes que não há muito tempo atrás, as famílias eram muito numerosas e a mortalidade infantil também. Assim, olhar para uma criança e tratá-la como uma pessoa, como um ser humano, era uma coisa difícil de fazer porque não valia a pena, até uma determinada altura. Muitas delas, acabariam por morrer, entretanto. Era quase uma questão de sobrevivência emocional. Claro que as condições foram melhorando mas o tratamento que era dado aos miúdos, continuou a ser o mesmo. E isso foi-se arrastando e arrastando ao longo dos anos. )
Entretanto, a evolução da ciência e os estudo científicos vieram comprovar e provar uma série de coisas – as crianças percebem e sentem as coisas e merecem que a verdade lhes seja dita, convenientemente – para que possam entender o que se passa, ‘digerir’ os acontecimentos e avançar na vida. E é nesses estudos e leituras que me apoio para aquilo que vou escrever aqui e também na minha experiência pessoal.
Quando eu era pequena, e tinha febres e tosse, a minha mãe dava-me o xarope de cenoura. Aposto que tu também tomaste. E toda a gente sabia que eu não gostava nem um bocadinho. Então, e porque eu tinha mesmo de tomar aquela coisa, a minha mãe dizia que eram morangos com açucar. E eu choramingava e engolia e dizia ‘não, mamã, isto é o xarope de cenoura’. E do outro lado ouvia que não, que era parecido mas não era. Eram morangos! Eu sabia que tinha de tomar e tomava. Aquilo que eu pensava já na altura, talvez menos lucidamente que agora era ‘ora bolas, se eu estava a cooperar porque é que não me diziam a verdade?’
Outro exemplo é a história do homem do saco ou do bicho mau. Em minha casa era o homem do saco que vinha quando as meninas faziam asneiras. E eu tinha mesmo muito medo do homem do saco porque ele tinha levado uma das meninas que vivia na casa em frente à nossa. E como eu nunca tive a chance de tirar a história a limpo, fiquei anos a acreditar que o gajo podia vir, um dia. What a waste of time! Hoje, tenho a noção que algumas vezes agi por medo mais do que por ter compreendido a necessidade de fazer o que me era pedido. Apenas porque não houve explicação ou paciência para isso. E depois, porque a minha avó fez assim com a minha mãe e a mãe da minha avó fez assim com ela, and so on and so on. Hoje, à distância, sei que os meus pais fizeram como foram ensinados e, como no final as crianças se tornaram adultos bem formados e ‘normais’, não haveria nenhuma razão para fazer diferente.
Mas há e cada vez mais estudos científicos que mostram que devemos e podemos fazer diferente.
No livro ‘The whole-brain child’, o autor, um senhor de nome Daniel Siegel e outra de nome Tina Bryson, relembram-nos que quando os pais falam com os filhos sobre as experiências que eles (putos) tiveram, os miúdos têm um melhor acesso às memórias. Relembram-nos também que aqueles pais que falam com os filhos sobre os sentimentos, ajudam-nos a desenvolver a sua inteligência emocional. Aliás, se leste ‘A Inteligência Emocional’, do Daniel Goleman, sabes que mais importante que um elevado QI é um elevado QE – e esse, treina-se e cresce! (Sim, as boas notícias são que, mesmo quando formos todos muito velhinhos, quanto mais experiências tivermos, mais o nosso cérebro cresce e expande. É lógico que não vai explodir na nossa cabeça, por estar tão crescido! O que eu quero aqui dizer é que as células continuam a renascer e continuam a estabelecer conexões. )
Neste mesmo livro do Sr. Siegel e da Sra. Bryson, conta-se a história de um pequenito de pouco mais de dois anos. Ele ia de carro com a ama e a senhora teve um AVC e, por consequência, um acidente. A ama foi levada para o hospital e o miúdo assistiu, sem estar ferido, a tudo. Se a mãe do miúdo não o tivesse ajudado a compreender a história, os seus medos teriam ficado por resolver e poderiam vir à superfície de uma outra forma, como por exemplo, ter medo de andar de carro (e agora vais tu dizer ‘oh pá, agora desculpa-se tudo com ‘ai o puto vai ficar traumatizado’ – em algumas coisas sim, noutras, é apenas aprender e saber lidar com as frustrações – mas sobre isso irei falar num outro post). Voltando à história: a mãe, ao fazer isto, ajudou-o a integrar quer a história que tinha tido lugar quer as emoções e sentimentos do filho, acerca da mesma. Não lhe disse nunca ‘olha o que eu tenho aqui! O Noddy! Ai que bom, uma mota nova!’ Ajudou-o sim a voltar a ser um rapaz normal de 2 anos, que digeriu a situação (o autor aqui também explica a ligação entre o lado direito e esquerdo e isso, também, vou deixar para uma outra altura). E um cérebro onde esta ‘digestão’ é feita resulta em melhores decisões, num melhor controlo do corpo e das emoções, num melhor auto-conhecimento, em melhores relações e sucesso na escola. Txiiii! Já viste? E isto tudo está nas mãos dos pais e dos educadores que acompanham os nossos filhos.
Trocando isto por miúdos, o que aqui percebemos é que é contando a verdade que os ajudamos – e estes especialistas em desenvolvimento e psiquiatras infantis sabem-no e estudaram o suficiente para o dizerem, com todas as letras.
Mas se isto é verdade e nos parece sensato, vamos mais longe, então. Falar verdade? Mas que verdade? Toda? Ora bem, aquela que os miúdos precisam de saber e que lhes diz respeito (eu sou de opinião que as situações íntimas, como o teor de zangas e coisas do tipo devem ser guardadas – e poupar a criança a detalhes sujos, que não lhe acrescenta nada – e aí vê-se a maturidade dos pais).
Imagina que, depois das férias da Páscoa, o melhor amigo do teu filho não volta para a escola. Todos decidem não falar do acidente que houve e, em vez disso, dizer que ele mudou para outra escola. Que diferença faz? Faz uma diferença grande, do meu ponto de vista e do ponto de vista da maior parte dos autores.
É certo que é só mais à frente que as crianças percebem o carácter definitivo da morte mas têm direito à verdade, a saber que o melhor amigo teve um acidente e não volta mais e que foi para o céu. O céu é uma boa forma de explicar a situação. E esta situação tem de ser integrada e tem de lhe ser dita porque o amigo fez parte da vida do teu filho. Há autores que vão mais longe e que dizem que, se não o fizeres, estarás a tratar o teu filho como um animal doméstico. Eu percebo que a maior parte de nós não o façamos como forma de os proteger da dor e como forma de os poupar. E em nome de uma ‘verdade’ dura, podemos até esconder ou omitir ou até mentir. Eu sou de opinião (e esta é a minha forma de ver, atenção – tu tens a tua) que devemos dizer as coisas, adaptadas à idade e maturidade deles, com palavras adequadas. Os miúdos sabem que há alguma coisa que não está bem. Só não conseguem exprimirem-se e dizer que sabem. Mas o silêncio e os não ditos estão lá.
E o mesmo se aplica para todas aquelas frases que enunciei no meu texto anterior, sobre as birras dos pais. Dá trabalho, obrigada a que se páre, olhe para a criança, se respire fundo e se fale com ela. Com empatia e cuidado. E também com firmeza, em alguns casos.
E ao fazê-lo, aquilo que todos nós ganhamos, novamente e sempre, é saber que a casa é o sítio onde eu me sinto, enquanto criança, e mais tarde, enquanto adolescente, um ser humano protegido. E, como a Dra. Laura Markham disse na entrevista, acredita que vais querer que eles se sintam protegidos e que venham falar contigo quando forem adolescentes!"


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Digam-me

Digam-me que o meu filho é lindo e eu encho-me de baba!
Digam-me que é esperto e simpático e fico toda orgulhosa!
Digam-me que é um bebé feliz e, aí sim, o meu coração transborda!

terça-feira, 3 de abril de 2012

Sobre a arte

Foi-me oferecido pela Ana, (há séculos e séculos atrás), este selo com a implícita missão de falar sobre arte. Pouco percebo ou entendo sobre arte, mas para mim, arte é a capacidade de fazer algo que está fora do alcance do comum mortal e, com isso fazer pensar, sonhar, refletir, chorar, rir , talvez até invejar. Assim, é arte um quadro de Picasso ou Goya, como o é uma finta do Messi. Porque, por mais que qualquer um de nós passe anos a praticar, a treinar com afinco, a estudar, nunca seremos capazes de fazer igual.

No que toca às artes plásticas, sou pessoa com largo défice e, o trabalho manual é coisa que não me assiste. Não tenho jeito para desenho, para pintura (nem a dos olhos), escultura ou outras que tais. O meu pensamento abstracto é foleiro e a minha capacidade de transpor para imagem sentimentos ou ideias é reduzida. No entanto safo-me bem no Pictionary, mas duvido que alguém considere arte o desenho dum elefante a que todos aplidaram de "mochila". Adiante.

Se pudesse escolher uma arte para mim seria, sem dúvida, a da representação. Fiz Teatro durante 3 anos e deu-me um gozo imenso, deixou-me saudades e pena de não ter explorado mais esse meu lado. Gostava dos ensaios, da escolha da caracterização das nossas personagens, dos nervos antes de cada representação, mas gostava ainda mais do "durante", dos risos que suscitávamos e das palmas no final. Tivesse eu investido na minha formação e, em vez de estar num consultório, estaria nos Morangos com Açucar. Uma peninha mesmo...