sexta-feira, 22 de junho de 2012

Run Forest, run...


Nunca fui pessoa dada ao exercício físico, com excepção dos 2 anos de capoeira e todos os outros em que percorri diversos tipos de dança. Fora isso, não estou lá!
Mas, há um mês atrás, acompanhei o Senhor meu Esposo a uma Meia Maratona no Douro. Ai meu Deus que maluqueira passar 2 horas a correr e, ai se era eu que me levantava a esta hora para ir correr e, ai que se pode fazer tanta coisa interessante em 2 horas e ai, ai, ai...
Mas, por almas desconhecidas, eu e a minha amiga Ana, no mesmo fim de semana em que gozámos com os senhores maridos corredores, resolvemos iniciar os nossos corpos nessa arte de dar à perna. E, como se isso não bastasse, porque somos Mães extremosas que adoram enroscar nas suas (lindíssimas) crias e não dispensam esse tempo por nada deste mundo (nem mesmo por ter um corpinho Gisele Bunchen), resolvemos que a melhor hora seria mesmo a pré-laboral! Trocado por miúdos, às 7.45h da matina!
E já se passou um mês e estou para lá de orgulhosa da minha pessoa preguiçosa que tem um amor desmedido à cama e à almofada. Tenho corrido 3 a 4 vezes por semana, já corri em horas obscenas ao Domingo, debaixo de uma chuva chata e, alegria alegria, ainda não me fartei.
Confesso que ainda ninguém me ouviu dizer: ai, isto de correr é viciante e, ai que gosto tanto e não sou capaz de passar mais de 2 dias sem correr e ai, ai, ai... Menos, muito menos!
Para além do orgulho por mexer este corpo (ainda banhoso), esta nossa iniciativa só prova que o tempo é aquilo que fazemos com ele e, querendo e estabelecendo prioridades, conseguimos fazer o que bem entendermos, cuidar de nós e destes corpos que a maternidade maltratou (2 lambonas portanto!!)
Por isso... catch me, if you can!


terça-feira, 19 de junho de 2012

Das "Cenas de Homens"

Depois de ler isto aqui, a Ana Lemos teve esta ideia fantástica!
Claro que já estou a ver o meu marido a ligar-me 3 vezes na mesma para perguntar isto e aquilo, mas adorei a forma como transformou, o que parece ser uma típica falha masculina, numa ideia criativa e, ainda por cima, com doçura no final!
A minha mais valia é ter um rapaz e apenas precisar de 2 envelopes: "dia a dia" e "festa". Ah, e não me posso esquecer de mencionar as meias!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Questões para lá de pertinentes #4

Ah e tal tens de arrumar o teu carro, porque é uma vergonha e tal... E olha a lixeirada que tens na tua porta e até tens embalagens de iogurte de há não sei quanto tempo... blá blá blá.
E eu pergunto:
Se não fossem as embalagens de iogurte, onde é que eu punha os caroços de cereja?

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cenas de Homens #3

Sempre que é o Pedro a vestir o Diogo na minha ausência, regra geral corre mal! Em termos de baby fashion, claro! Ou leva a roupa do dia anterior porque estava lá pousada, ou sai à rua de fato de treino.
Ontem, deixei a roupa pronta para que o vestisse para um lanche comemorativo de 1º Comunhão... esqueci-me de especificar as meias... e o rapaz foi de mocassin castanho escuro e meia bege!!! Bege! Tão lindo e com pé de gesso!

Lição de uma vida #8

Se não queres que o Actimel vire na tua carteira, não deixes que o teu filho o ponha a boca imediatamente antes de o guardares.

sábado, 9 de junho de 2012

domingo, 3 de junho de 2012

Dos tais dias a 2




Deixamos a cria entregue a quem tanto o ama e partímos rumo um ao outro!
E, foi para lá de bom!
Deixei que o Sol entrasse em mim, sem falar, só estando ali, naquele lugar saído de um qualquer álbum de fotografias. Apanhei o vento com as mãos e gostei que me pusesse o cabelo a andar à roda. Subimos dunas e muralhas e eu fui princesa de havaianas. Vimos morangos  a nascer e estufas onde prometemos voltar para casar de novo.
Compramos 3 chaves velhas  e ferrugentas, sem pensar que eram 3 os anos que comemorávamos e, connosco, veio o nosso primeiro presépio. Vimos as Berlengas lá ao longe e tentamos, sem conseguir, disfarçar as gargalhadas que nos provocava a conversa da mesa do lado.
Brindamos à vida num círculo de fogo ao entardecer, com nozes e passas regadas a música e conversas soltas.

Foram 3 dias para lembrar porque é que 3 anos de namoro deram lugar a mais 3 de casados!

sábado, 2 de junho de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

Vozes de um consultório que é meu #4

Conheci este mês a dona N. Uma senhora franzina, despachada, com os seus cinquentas e tais, actualmente de baixa por ter sido operada a uma hérnia discal, mas cheia de vontade de recomeçar a trabalhar. Vinha com a filha, a M. de 20 anos. Perguntei-lhe se a M. era filha única, ao que me respondeu: "Tenho 5 filhos, 3 biológicos e 2 adoptadas, a M. é uma delas". A dona N. é cozinheira e o marido é guitarrista de fado! Não devem passar dificuldades económicas, mas com certeza que não sobra quase nada ao final do mês. Perante isto perguntei-lhe: "Tudo se cria, não é dona N?" Ao que ela me responde: "Havendo amor, empurra-se da direita, empurra-se da esquerda e tudo se consegue."
Melhor impossível, não acham? E, curiosamente apenas conheço as 2 meninas (mulheres) adoptadas, as 2 muito educadas, simpáticas e, aparentemente "desencucadas".
Não poderia acreditar mais, porque, acima de tudo, é mesmo isso que os filhos esperam dos pais: AMOR! os filhos não esperam o melhor dos colégios, actividades extra-curriculares, um curso de inglês ou a roupa xpto! Tudo isso somos nós que queremos dar. E, obviamente não tiro a legitimidade a esses nossos "quereres". Quando oiço casais em que ambos trabalham, vivem sem dificuldades de maior e dizem: Nós gostávamos muito de ter mais filhos, mas  a vida de hoje em dia não permite... não há dinheiro." acho que partem da permissa errada, muito provavelmente de forma não intencional. Pode não haver tempo, pode não haver vontade,ou pode não haver mesmo dinheiro à séria, o que não corresponde à maior parte dos casos que conheço. Mas, havendo amor e vontade de o dar todos se criam, sem dramas, sem playstations acabadinhas de lançar no mercado e sem as sapatilhas da moda. Haja tempo para brincar, colo, imaginação para histórias repetidas até à exaustão, músicas e danças, sermões de quando em vez e braços para abraçar!

(Ok, eu falo de barriga cheia, é certo, mas, quem me conhece, sabe que tenho os pés bem acentes no chão, nunca me iludi com o tudo o que sempre andou à minha volta e isso até me dá uma prespectiva diferente. Agora que tenho 30, tenho a certeza que trocava muito do que tive por mais tempo, mais brincadeiras e menos cansaço do trabalho!)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

E, há 3 anos foi assim...


E pensavam que a festa tinha terminado?? Nada disso, toca acordar com a malta toda dentro do nosso quarto, a comer os restos do nosso pequeno almoço!
Melhor impossivel!
Querem mais?
Então siga tudo lá para casa  comer os bolos que sobraram, compra-se uns frangos e minis!
Festa com muito e festa com pouco!
Porque nunca existe tempo a mais com quem se gosta, e há ressacas que precisam ser curadas em grupo!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Há 3 anos foi assim...


                                     









Foi o dia mais fantástico da minha vida.
Nunca sonhei muito com o dia do meu casamento, nunca fui de imaginar que queria assim ou assado e, talvez por isso, aquele dia soube-me ao melhor que a vida tem. Foi o verdadeiro "dia feliz". Não só por im, mas pelos rostos dos 280 que connosco partilharam todos os minutos.
O dia começou cedo, a calma era tanta que ainda adiei, por duas vezes, o toque do despertador. Olhei lá fora e estava nublado mas não fiquei triste. Banho, cabelo, maquiagem e sucessivas e doces mensagens que o meu telefone ia recebendo. Depois fotos em local peculiar e regresso a casa para ir para onde me esperavam!
No momento em que eu e o meu Pai nos preparávamos para sair de casa em direcção à igreja, as nuvens abrem-se e dão lugar a um céu limpo. Os dois, com os olhos em lágrimas dizemos ao mesmo tempo: Foi o avô! Foi a avó que nos mandou o sol! Tanto que lhe pedi!
A loucura na igreja e eu sentia-me verdadeiramente maravilhosa, linda, com um sorriso gigante. Estava tão feliz! Cerimónia emotiva, as nossas irmãs a ler, a minha madrinha a ler com as lágrimas embrulhadas nas palavras e a música... a música foi dos céus! Saída apoteótica e beijos e mais beijos, abraços a pertados e sentidos. Não sei se eram os meus olhos, mas nesse dia senti que todos estavam tão felizes quanto nós!
E depois a festa. Ou melhor, o FESTÃO! Não há memória de coisa igual... Foi a loucura até às 7h da manhã, dancei, dancei, dancei, dancei. Rimos tanto nesse dia!
Foi, para mim, o dia de amor pleno. Amor de dois que se querem unir para sempre, amor à nossa família que connosco encheu o coração, amor de amigos porque sem eles nada fazia sentido. Do que mais me lembro nesse dia foi mesmo do amor que senti por todos os lados, naqueles abraços, naquelas palavras que nos iam sendo ditas, nos sorrisos, na alegria, na música...
Se casasse outra vez, queria tudo igual, tudo, tudo, tudo.
Foi, sem dúvida, o dia mais feliz da minha (que virou nossa) vida!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Dos Globos de Ouro

Fica-me esta imagem.
E eu sou pessoa que se traumatiza com facilidade, ou se calhar isto não entre no conceito de "com facilidade".

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Entre muitas outras qualidades, entre elas a modéstia, também sou uma pessoa muito bem mandada. E, assim sendo, irei fazer aquilo que meus fiéis seguidores e comentadores de meu querido blog mandam, ou seja, eu e meu marido, vamos SOZINHOS para destino romântico em território nacional e, pelo simpático período de 3 dias, de forma a comemorar o 3º aniversário do nosso casamento!
Mas, para além de bem mandada, também sou pessoa que gosta de provocar inveja alheia e, para isso, seguem fotos do local escolhido!






(isto é dentro do quartinho!!!)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Alguém que decida porque nós não estamos capazes

-Vamos festejar o nosso 3º aniversário a Florença e Veneza?
-Boa ideia, vamos  marcar.
-Levamos o Diogo.
-Levamos, vai ser giro.
- Se calhar era melhor não levarmos, é cansativo para ele, tantas viagens.
-E também nos fazia bem uns dias só para nós.
-Oh mas vamos estar sempre a falar dele.
-E vamos ter tantas saudades.
-Então levamos.
-Não, espera, é melhor ele ficar. assim podemos ir jantar fora a sítios giros e passear.
-Pois, mas ficamos de terça a domingo sem ele?
-Tens razão, é muito tempo. Vamos só a Florença e ficamos menos tempo.
-Isso.
-Mas também se vamos só a Florença ele podia ir.
-Então vai.
-Isso, vai ser giro ver como se comporta.
- Mas e namorar?
-Tens razão, vamos só´os 2, ele fica bem.
-Mas custa-me tanto deixa-lo.
-E a mim...
-E se formos passear por cá. Tipo Óbidos e assim...
-Pois e, assim ele vinha connosco.
-Boa ideia, fazemos umas férias mais simples e ele vem.
- Mas é o nosso aniversário de casamento, precisamos de ter uns dias só para nós.
-É verdade, mas ele é tão lindo.
-Pois é, e se formos só na sexta até Domingo?
-Podia ser e assim ele vinha connosco.
- Vinha, ele ia gostar de passear.
- Vi um hotel fantástico, lindo, mesmo bom para namorar
- Ah esse! É fantástico, mas nada adequado para levar bebés.
-Era bom para o nosso aniversário.
-Pois era. e se fóssemos só os 2?
-Íamos na sexta e vinhamos no Domingo?
-No fundo só no sábado é que não estávamos com ele.
-Pois...
- Então ele fica.
-Combinado.
-Mas já sei que vamos estar sempre a falar dele.
-Pois vamos, é natural.
- Ele está tão engraçado.
- Achas que não pode ir?
- Não sei...
-Não está fácil!

E assim têm sido as nossas conversas dos últimos 15 dias...
Itália, Óbidos e afins!
Vai menino. Não vai menino!
Olha, decidam vocês!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

"É fundamental que a relação amorosa dos pais esteja em primeiro lugar, antes da relação dos pais com as crianças"
 Eduardo Sá

Sempre acreditei nisto e continuo a acreditar, mas confesso... na maior parte das vezes não consigo. O meu primeiro pensamento vai sempre para aquele que deveria ser o segundo. Assumo. Discordo de mim própria em pequenos gestos, mas às vezes o útero fala mais alto que o coração. Acredito que passe, não que o amor diminua, mas fica mais calmo.
A verdade é que precisamos de crescer um pouco em todas as fases da vida, e há dias em que "me falta um bocadinho assim"!

sábado, 12 de maio de 2012

Perspectivas


Ontem morreu, de uma forma estúpida (mas existe forma não estúpida de se morrer?), Bernardo Sassetti. Foi o Pedro que me ligou a contar. E ele, que pouco conhecia da sua obra estava chocado, estava incomodado porque só lhe pensava nas filhas. Disse-me que desde que o Diogo nos entrou pela vida dentro, de cada vez que alguém morre só pensa nos filhos que deixa.
Comigo acontece-me coisa parecida, mas ao contrário. Quando alguém jovem morre, penso de imediato na sua Mãe e imagino o contra natura que é ver um filho ir sem o poder agarrar para este lado. Pensei assim recentemente, na Helena Sacadura Cabral e agora não foi diferente (apesar de não saber se o Bernardo tinha a Mãe viva).
No fundo, apesar do nosso pensamento ser dirigido para diferentes alvos a raiz é a mesma. É um filho que nos faz isto, que nos altera a perspectiva perante tudo o que acontece. É um filho que nos faz pensar mais em nós porque precisamos de andar por cá para que os cuidemos como merecem, é a pensar no Diogo, mesmo quando ando sozinha, que travo com o pé que antes teimava em acelarar. Um filho muda-nos a vida em coisas nunca antes imaginadas, porque um filho entra-nos na vida toda, na nossa, na dos nossos e na de todos os outros que a nós nada são.

Que os filhos e sua Mãe encontrem o abraço nas teclas de um piano, na música de uma vida.

Lições de uma vida #6

Há a velocidade da luz e depois há velocidade "criança em direcção à asneira"

(lição aprendida quando, no segundo que pisco o olho para por rimel, o Diogo cola a sua escova de dentes na sanita)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Letras de livros #8

"O nascimento de uma criança doente é a morte do filho idealizado.
...
Seria tolice imaginar que é bom ter um filho deficiente, mas que pense duas vezes quem julgue poder determinar, com saber e autoridade, que vida merece ser vivida."

in Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes

Aleatoriedades minhas #2

Sempre que subo escadas penso no medo que tenho em pousar o pé demasiado atrás e cair para trás.  E bater com a cabeça. E que ninguém me vai ver, especialmente se for nas escadas de serviço do prédio.Sempre! Nunca caí e não sei de onde me vem este pensamento.
Mas não deixo de as subir...

Aleatoriedades minhas #1

Quando ando sozinha de carro tenho conversas imaginárias com pessoas reais. E ás vezes choro e rio sozinha, faço caras e caretas e, outras vezes desenvolvo sentimentos verdadeiros em consequencia de conversas que não existem,
Mas isso sou eu, que trago uma esquizofrénica cá dentro.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Letras de livros #7

"Detesto lugares comuns. São uma espécie de outlets da inteligência onde, por preços muito mais baratos, se compram imitações do pensamento."

in Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes

Eu não disse? Eu não disse? Eu disse...

E, a 4 de Janeiro do presente ano, eu fiz uma previsão bem linda. E, para que não restassem dúvidas, publiquei-a aqui!!
E, até agora, já levo com 5 amigas com barrigas e corações a crescer!
Uma por mês! Não é fantástico?
Quem será a menina de Junho?
Aceitam-se inscrições.

De Domingo

"Amor de Mãe.
É o meu amor por ti, igual a nenhum outro que sinto, igual a nenhum outro que alguém sentiu. Cada Mãe ama de um jeito, do melhor jeito que sabe e pode. E eu amo-te como se ama! De forma simples, pura, sem segredos ou complexos, sem esperas, sem pressa. Amo-te instintiva e irracionalmente. Está-me no sangue amar-te, esta-me nas mãos e nos braços que são teus. O meu amor de Mãe vem do mais dentro de mim, vem-me das entranhas, do útero e do cordão que ninguém corta. Não tem fim, não faz pausas, não estremece, não acalma nem se esconde... só cresce. Cresces tu. Á custa do meu leite e do meu amor, dos meus dedos e do meu colo. Encharco-te de amor em cada olhar que te lanço, em cada sequência de beijos intermináveis, em cada vez que penso em ti. Amor de Mãe é respirar amor, é saber que sou a pessoa mais importante do mundo porque precisas de mim, é sentir medo de falhar, é achar que aquele beijo que te dou enquanto dormes é essencial para que sonhes, é sentir que o meu coração bate fora do meu peito e não querer viver de outra maneira,é ficar a preparar uma festa de 6 meses até as 2h da madrugada sabendo que não mais dar valor, mas que te mostrarei as fotos no futuro, é despedir-me de ti de cada vez que me ausento (nem que sejam 2 minutos) e ligar de meia em meia hora para saber como estás, é ter a certeza de que conheço cada olhar, cada gesto teu porque passo a maior parte do meu dia a observar-te, é explodir de felicidade porque te atiras para o meu colo, é ganhar o dia quando me sorris, é achar que a vida dificilmente é melhor quando te enroscas em mim para dormires, é mostrar as tuas fotografias a qualquer pessoa minimamente conhecida, é cheirar-te para te guardar em mim, é imaginar todos os nossos diálogos quando cresceres, é ter vontade que nãos cresças mais para que me caibas sempre no colo e, ao mesmo tempo, ficar felicíssima por cada centímetro a mais, é sentir um orgulho infinito só porque és meu,é pensar nas brincadeiras que vamos fazer daqui a um ano, a dois, dez ou vinte, é saber que todos os meus desejos se viram para ti, é sentir que mal nasceste e já eu não sabi viver sem ti. Uma Mãe não explica o amor, apenas sente um filho como se de uma parte do seu corpo se tratasse. Porque és mais meu do que este coração que trago no peito."

...escrito em Setembro 2011 e publicado neste canto.
Provavelmente, a melhor coisa que escrevi até hoje porque, com toda a certeza, me vem do melhor que senti até hoje.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Letras de livros #6

"Doutor: É de olhares. É de olhares que eu preciso. Tudo o que o médico diz sem olhar é bula de medicamento. Papel fininho, dividido em 8 partes, como instruções de montagem. Não... é d eolhares que eu preciso. De um certo olhar. Preciso doutor, que o azul dos seus olhos me faça companhia, que a cor, que é do céu e do mar me traga paz... não, minto, a planície onde se estenda tranquila a criança que trago nos meus braços. Percebo que desse lado da secretária, com os seus instrumentos e o seu saber, crie uma distância que o preserve da dor, e que derrame sobre o meu filho prognóstico sem esperança, abanos de cabeça onde chocalha a impotência. Pare! Nos seus olhos receba-o e a mim, que somso um só. Doutor, o senhor é homem...não compreende...mulher e filho têm o mesmo caule, a mesma raiz. Não se iluda doutor, somos o mesmo, matéria ou espírito, somos o mesmo. Toque-lhe e a mim me toca, beije-o, e a mim me beija, acaricie-o e a mim festeja. O meu filho doutor, não se esqueça, o Meu Filho. Por favor, olhe-me eno seu olhar prometa-me. Não, minto, jure pela saúde dos seus, que o saberei proteger, que viverá para sempre, criança sem mágoas junto a mim, que o meu peito é redondo como céu, a minha pele sem ruído como o mar. Jure que terá o conforto que o meu ventre prometeu. Mais, muito mais; que o meu ventre lhe jurou. Sim, porque dentro de mim existia um oceano, e a parede do meu útero era um universo sem estrelas, noite perfeita, que as estrelas, às vezes, não deixam dormir. Doutor, ele cresceu dentro de mim. Não anuncie desgraças, privações, troças, desamores. O meu corpo é um casulo, dele só nascem boboletas.
...
Quem veio de país tão misterioso, (as pessoas não sabem, mas a minha barriga é aquele país distante ond evivem príncipes sem medo, e princesas de cintura fina e virgindade guardada), decerto crescerá sem mazelas que um beijo não console, sem rodas vivas que o meu olhar não ampare, sem que se interrompa a minha promessa eterna de mulher. Não, de mãe, que ser mulher, é apenas uma desculpa, sim, uma desculpa para ser mãe. O senhor não sabe, não conhece... Não, doutor, não olhe assim para mim, não anuncie dores, mortes, imperfeições. Não finja saber o que de todo desconhece. Alguma vez sentiu dentro de si, a vida que justifica a vida. Não, agora a a sério... Doutor, que sabe o doutor da vida, se nunca, dentro de si, ela cresceu?

...

diga-me doutor, se alguma vez dos seus olhos nasceram rosas? Da sua barriga se abriram folhas, cresceram pétalas, espantos e encantos? Risos sequer? Mãos de criança? Diga doutor, já alguém se alimentou do seu seio, e, farto, adormeceu? Alguma vez dos seus olhos nasceu o Sol? Doutor, se dentro de si nada que se pareça com um jardim alguma vez brotou, se dentro de si nem risos nem choros, nem olhos nem mãos, nem esperança nem dor, nem nada do que nesta vida merece ser celebrado, alguma vez brotou, tire a gravata, doutor e por uma vez, peço-lhe, cale os seus olhos."

Crónica do olhar que anuncia a morte
in Sinto Muito de Nuno Lobo Antubes