Ontem desabei num pranto por causa do Diogo. Não aguentei mais o nó na garganta e chorei em modo "Maria Madalena", teve mesmo de ser. Não digo que esteja mais aliviada, porque o nó ainda cá esta, mas serviu para alguma coisinha... E porquê?
Porque o meu rico filho resolveu que iria armar o berreiro de cada vez que eu o deito. E quando eu digo "berreiro", eu quero dizer BERREIRO, com direito a vómito e tudo. Ele, que há meses e meses adormece sozinho na cama dela, seja quem for que o vai deitar (com fases mais fáceis e outras mais complicadas), achou que eu não era merecedora de tal acto em paz e sossego. Curiosamente, durante a minha, nossa, semana de férias, de cada vez que eu o deitava não havia ai, nem ui, mas bastou chegar a casa para a festa recomeçar. Mas que se passa meu filho? Achas que não te dou atenção suficiente enquanto estás acordado? Estás chateado comigo?
Não sei, não sei mesmo o que se passa naquela cabecinha, mas sei que me anda a deixar com a cabeça moida, o coração mirrado e um nó na garganta.
Já há uns tempos que noto que ele takes me for granted , como dizem os ingleses. Fica num excitamento quando vê os avós, por exemplo, e vê imensas vezes, quando está com qualquer um deles gasta-lhes o nome até à nausea, não vão eles esquecerem-se dele, mas comigo não faz isso. No fundo, ele sabe que não precisa de andar atrás de mim, eu estou sempre lá. Às tantas até é bom sinal, é sinal de que lhe transmito segurança, de que está certo da minha presença constante. Por outro lado não faz grande festa quando chego ao final de um dia de trabalho, não mostrou especial alegria quando voltamos do fim de semana prolongado sem ele... Quer dizer, não demonstra no imediato, mas 5 ou 10 minutos depois inicia o modo "pega-monstro" em que me trepa para o colo mesmo que eu esteja sentada no chão, diz "mama" a cada nanossegundo e coisas do género... Faz-me lembrar o cão da minha avó, que não lhe ligava nenhuma quando ela chegava das nossas férias no Algarve, até se mostrava chateado de início, mas depois derretia-se feito maluco. O Diogo age como se amuasse comigo de cada vez que eu chego e depois não desgruda nem um bocadinho. E talvez isto explique porque é que as birras para dormir fizeram um "pause" durante as férias... Mas isto sou eu a escrever e a pensar ao mesmo tempo...
Queres que a mamã deixe de trabalhar e fique 24h a venerar a tua beleza? A ir ao parque, à piscina, aos patos e andar de metro de traz para a frente todos os dias? É isso? Por favor, diz-me o que se passa rapaz. Mas em palavras que eu perceba, se não for pedir muito.
(post escrito em tom cómico, mas sem a mínima vontade de rir acerca deste assunto)