terça-feira, 29 de março de 2016

É sempre tudo feito às pressas


Tudo bem que o senhor não devia ter agendado a extracção dos dois molares cariados para o dia da gravação do spot publicitário, mas podiam, pelo menos, ter esperado que o efeito da anestesia passasse.
Quem tiver a sorte de ouvir o anúncio que passa na rádio, percebe logo que foi gravado mesmo à porta do consultório.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Aleatoriedades minhas #28

Posso medir o meu grau de felicidade pelo volume da música no carro. E pelas belas figuras que faço a cantar como se não houvesse amanhã.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Generosidade infinita

Quando alguma coisa é infinita significa que é imensa, inteira, presente quando menos se espera e é assim a generosidade das crianças, a forma como nos amam e nos lembram, tantas vezes, que o amor incondicional nos vem deles.
Todas as noites, quando o deito para dormir e me enrosco um pouco, o Miguel diz, de sorriso na boca e olhos entreabertos com meiguice, "Mamã linda. Mamã boa". Nunca lhe ensinei tal coisa e já o faz há vários meses. E diz isto, às vezes depois de meia dúzia de ralhetes para que se deite e fique sossegada, depois de eu ter sido tudo menos linda e boa. Diz-me isto mesmo depois daqueles momentos em que não tive paciência, fui mais fria. E aquele momento de doçura dele lembra-me que eu sou "linda e boa", lembra-me que sei fazer melhor e, às vezes, fico com a sensação de que ele sabe disto muito melhor do que eu. Aquelas frases dele funcionam como pequenos post-it que colo na minha memória para que, no dia seguinte eu seja efectivamente "linda e boa". E sou, porque ele assim o diz.
Também há uns dias o Diogo me deu uma lição de generosidade. Depois de vinte (ou terão sido trinta?) vezes que o chamei para vir tomar banho e ele me ignorava enquanto brincava, eu, munida duma dor de cabeça gigante, e uma total ausência de paciência, agarrei-o de forma firme bem bruta no braço e arrastei-o até à banheira enquanto disparava meia dúzia de frases azedas e de forma também firme bruta e agressiva coloquei-o no quarto de banho. Ele agarra-se a mim e de sorriso na cara diz tranquilamente: "Mesmo quando és bruta comigo e me empurras eu adoro-te para sempre".
Bem sei que "children see, children do" e este é reflexo de todas as vezes que lhe disse que o amo muito até quando ele faz a maior birra, quando faz a maior asneira, mas não deixa de ser maravilhoso assistir à facilidade com que o amor lhes sai. 
Apesar de não viver envolta em culpas e ressentimentos comigo própria quando não me sai a melhor frase ou o gesto mais meigo, estas frases e atitudes destas pessoas pequenas são puros ensinamentos. Porque todas as crianças são assim, não é mérito cá de casa, é a essência da infância e, o nosso mérito é manter esta generosidade no seu todo ao longo da vida, permitir que sejam felizes neste amor que sentem e espalhá-lo um pouco todos os dias. O nosso trabalho está em fazer com que o adulto que está a caminho não anule esta simplicidade no sentir.

Aleatoriedades minhas #27

Adoro, adoro, adoro, do fundo, fundinho do meu coração, pessoas que assinam posts no facebook. Imagino sempre que são daquele tipo de pessoas que voltam duas vezes atrás para ver se o carro está fechado, se o ferro está desligado... Aquele tipo de pessoas que gosta mesmo, mesmo, mesmo de ter a certeza daquilo que faz.

sexta-feira, 11 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

5

Podia dizer muita, muita coisa acerca do que o dia de hoje representa, mas só me ocorre isto:

Hoje, sinto-me cinco anos mais feliz.

quarta-feira, 9 de março de 2016

A propósito de amanhã

Enquanto beijava, de forma chata e semi-obsessiva, o Diogo, pedia-lhe que não fizesse anos, que parasse de crescer e que, a partir de agora, não havia mais aniversários e ficaria sempre com 4 anos. Ele riu-se e disse:

- Oh mamã, mas mesmo quando eu tiver 5 anos ainda vou caber no teu colo.

E eu fiquei feliz por estarmos em perfeita sintonia no que toca às prioridades desta vida.

terça-feira, 8 de março de 2016

Ando para escrever isto há uns tempos

Irritam-me pessoas que se maquilham, já estando maquilhadas. Irrita-me que simulem que se desmaquilham, limitando-se a passar, ao de leve, o algodão. Eu até entendo que é bonito vender sonhos, ver imagens perfeitas, de dias cheios de sol, roupas que encaixam na perfeição, crianças lindas impecavelmente arranjadas e felizes.Eu também gosto de, ocasionalmente, ir para uma dimensão à parte em que apenas existem coisas bonitas e, por isso, entendo bem o conceito. Não me choca que o foco esteja no belo.
Choca-me é a mentira que faz perpetuar o descontentamento alheio e a ilusão de que com os outros é tudo mais bonito e mais fácil. 
Não me lixem... Eu consigo andar com muito boa cara durante o dia, com um ar fresco e fofo, uma pele de cor bonita e textura suave, mas não acordo assim diariamente. Quando, à noite, retiro o rímel ( e até é com o tal bifásico da sephora), na primeira passagem fico toda borratada e com ar de panda e depois continuo a limpar. Quando retiro a base, a minha pele não fica exactamente igual. É que se ficasse eu nem a punha.
Depois vão lá meia dúzia de inocentes (mais as outras tantas que nada dizem) comentar em como é fabuloso que ela acorde com tão bom ar e que quase nem se nota que retirou a maquilhagem. Essas inocentes ficam a remoer no porquê de também elas não terem uma pele perfeita e não acordarem com um ar fabuloso, ao invés da típica cara de cú matinal. 
Gosto de coisas bonitas, mas há poucas coisas mais lindas do que a verdade. E a verdade é que, a esmagadora maioria das mulheres não tem a pele imaculada e resplandecente quando acorda e, a verdade, é que não há nada de errado nisso. 
Assumir defeitos requer coragem e auto-estima no ponto de rebuçado e, neste plano, lembro-me sempre da Tyra Banks (que é a Tyra Banks e não outra qualquer) que se mostrou sem qualquer produto, sem perucas, pestanas e afins e, acredito que, com este gesto, retirou muitas minhocas da cabeça de senhoras inocentes que, coitadas, sofriam por não serem sempre fabulosas, no que toca à imagem, obviamente.
Acredito que devemos tentar sempre ser a melhor versão de nós mesmas, em tudo, mas sem mentiras e esforços irrealistas que causam angústias completamente desnecessárias.
E, posto isto, sai uma salva de palmas para todas as mulheres que acordam, praticamente todos os dias, com cara de fim de festa! clap! clap! clap!

sexta-feira, 4 de março de 2016

Leis de Murphy adaptada a mim #4

Uma pessoa vai ao shopping. Uma pessoa almoça lá e toma o seu cafézinho com canela, como tanto gosta.
Qual a probabilidade da pessoa passear uma meia horita pelo dito shopping com uma mega mancha de canela no nariz?
100%, obviamente.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Detesto hormonas

Com especial destaque para as minhas, que teimam em me controlar o humor, entre outras coisas. Detesto este lado demasiado biológico, que me faz lembrar todos os meses que, apesar de racional, sou um animal. 
E o que quero eu dizer com isto?
Que tenho um Síndrome Pré Menstrual f@di#d!
Fico com uma depressão a cada 28 dias, mal humorada, irritada, sensível, chata, achar que tudo na minha vida está errado, que só tomei decisões erradas, que os meus filhos são uns mal educados, que o meu marido não me serve, o meu apetite para comida triplica e o outro desaparece. Mas eu afinal sou o quê?? Não deveria eu, enquanto pessoa (humana) ser superior à minha biologia e usar a diferenciação da minha massa encefálica para não me deixar afectar desta forma? Trocava, mil vezes, estes sintomas por umas brutas dumas cólicas porque a sua resolução era bem mais simples e objectiva. Agora isto não tem solução. Pior, eu até podia já estar de sobreaviso para o mau humor e conseguir racionalizar porque sei de onde vem, mas não. Todos os meses me deixo enganar e acho sempre que estou coberta de razão para me queixar, chatear e implicar. 
Odeio isto, juro que odeio.

(P.S.- que este post nunca te sirva, a ti Pedro Costa, para num qualquer momento de discussão, lançares a frase: ui, deves estar com o período. Serás um homem morto.)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Questões para lá de pertinentes #21

Entre mim e a minha irmã acontece uma coisa engraçada, eu trato-a pelo nome e ela trata-me por mana. Pensei que se devia aos nossos 10 anos de diferença, mas o mesmo acontece com os meus filhos. O Diogo, mais velho, trata o irmão pelo nome e o Miguel, trata o irmão por mano.
Digam-me, pessoas com irmãos e/ou com mais de um filho, convosco acontece a mesma coisa?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Eu achava que já tinha visto (quase) tudo

...mas entretanto, no grupo de Mães do facebook, deparo-me com não uma, não duas, mas muitas mães a sugerirem que outra levasse o filho a um medium ou a um curandeiro, enquanto a primeira se queixava do seu filho ter comportamentos mais violentos quando falava e brincava sozinho.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Lei de Murphy adaptada a mim #4.1

Como se estudar bioestatistica com TPM não fosse azar o suficiente, hoje tratei de bater com o carro.
É todo um universo a conspirar a meu favor.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Lei de Murphy adaptada a mim #4

Deixas o pior exame do mestrado para a época de recurso e o filho da mãe calha mesmo em cima dos teus dias de TPM.

Alegria é #17

"Depenar" um molho de espinafres, sozinha na cozinha, a ouvir a playlist "Acoustic covers" do spotify.

(momento gata borralheira no relax)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Irrita-me profundamente que me digam que eu vou fazer o exame de bioestatística na boa, que não tenho nada com que stressar, mimimi mimimi.
Eu ando em estado de semi-pânico bem disfarçado, porque só eu sei como o meu raciocínio lógico-matemático está ao nível duma hiena. Eu juro, que preferia cair dum lanço de escadas do que ter de estudar esta treta e ainda ser submetida a exame. Assim caía e já estava. Assunto arrumado. Podia doer um bocado no imediato mas depois passava. Ninguém me compreende...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Lei de Murphy adaptada a mim #3

Depois duma odisseia para arranjar o explicador para a cadeira de Bioestatistica (a.k.a. tortura medieval para o meu pobre cérebro limitado em tudo que às matemáticas diz respeito), marco a primeira explicação com dez dias de antecedência, envio todos os slides das aulas e um exame tipo. Chego na hora marcada e a primeira coisa que oiço é:
-Qual é a disciplina mesmo?

Tem tudo para correr bem, não tem?

domingo, 31 de janeiro de 2016

Aleatoriedades minhas #25

Ando há meses para comprar um champô seco mas ainda não tive coragem. No fundo é como dizer: eu hoje vim aqui comprar um champô para aqueles dias em que me armo em badalhoca e não me apetece tomar banho, mas quero o cabelo compostinho.
Tenho mesmo vergonha que pensem isto de mim e, assim sendo, lá vou adiando e, que remédio, lá vou tomando um banho decente com alguma frequência

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Aleatoriedades minhas #24

Há pouco mais dum par de anos, odiava unhas cinzentas ou pretas, achava uma parolisse pegada.
Agora acho uma chiqueza. No fundo, sou uma vira casaca da pior espécie.
(Este é o típico post de quem devia estar a estudar e arranja todas as desculpas para não o fazer)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Não Marta Cunha.
O post abaixo não é sobre a Sá.

Pó de fada.... no AR!!!

As Mães são fadas, toda a gente sabe disso. E eu acho um desperdício aquelas que não usam os seus poderes com mais frequência, acho até criminoso. Toda a gente sabe que um beijinho de Mãe num dói-dói tem um efeito três vezes mais potente que uma colher de sobremesa de Ben-U-Ron (eu sou médica e leio estudos científicos duplamente cegos e afirmo isto com toda a propriedade). Mas há mais para além do beijinho, há infinitos poderes desconhecidos e à espera de serem explorados.
Lá em casa funciona, os meus poderes são musicais, apesar de eu cantar mal como o raio. Descobri esta minha magia com o Diogo, rapaz dado ao drama quando se magoa, e eu inventei uma música carregada de analgésico e anti inflamatório que funciona em segundos. Aliás, já o apanhei (secretamente) a cantar sozinho, para si próprio essa música depois de se magoar e também a cantar para o irmão. O meu truque canta-se assim: 

Sai, sai, sai, 
vai embora dói-dói.
Sai, sai, sai
Da cabeça (ou local magoado) do Diogo (ou do Miguel)
(segue-se um beijinho no local)

Entretanto, achei que era um mundo a explorar e, com o Miguel, rapaz dado à má disposição matinal e à telha em geral, descobri que o truque musical também traz sorrisos. No fundo é um Prozac que actua em segundos, sem efeitos laterais, com excepção dum belo sorriso, tal como pede a minha música.
As Mães são fadas mascaradas de pessoas mas, às vezes, são tão pessoas, tão pessoas , tão pessoas que se esquecem que são fadas com poderes mágicos, truques infalíveis e pós de perlim pim pim na ponta dos dedos. Eu também me esqueço, mas felizmente tenho filhos que sabem disto melhor do que eu e me lembram de vez em quando. Lembram-me que sou uma fada quando me pedem a música do dói-dói, quando me dizem, em momentos de semi-discussão, que aquilo que lhes falta para estarem bem dispostos é miminhos nas costas com as unhas (dito pelo Diogo) ou um abraço meu (dito pelo Miguel).
E segue um beijo mágico e cheio de estrelinhas para todas as fadas com que me cruzo que, com poucos adereços fazem a magia acontecer!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


O Verão aterrou no meu cabelo. 

New year resolution?
Nop. 
Last year resolution mas com new year time to do it.
Apesar de estar mega loira e o meu sonho capilar alternar entre um ruivo suave e um castanho amêndoa, posso dizer que estou muito satisfeita.
Feliz por este ano começar com "tempo" para o que planeio e com a alegria duma mudança não sonhada.

Esta pequena pessoa dá cabo de mim

Há alturas em que não o aguento, que me apetece tirar férias de ser mãe dele, sabê-lo bem longe de mim, onde não possa ouvir o seu chorro TÃO frequente, as suas birras irritantes, a palavra mamã repetida até à exaustão. Há dias em que eu queria que ele não me quisesse para nada. Vestir, despir, dar de comer, desapertar o cinto do carro, sentar e tirar da cadeirinha, apanhar um brinquedo que cai, ler a história e deitar, acudir pesadelos e outras maleitas nocturnas, dar colo, limpar o ranho, dar remédios, tirar sapatos, levar a fazer xixi, limpar o rabo, pentear, arranjar as meias que estão a cair, cortar a carne e dar a sopa... tudo (e muito mais) tem de ser feito por mim, sob pena duma avalanche de lágrimas e dum chorro sem fim.
Isto cansa, mói e leva a minha paciência ao limite.
É tão mais simples ser uma "boa mãe" ( seja lá o que isso for) dum filho fácil.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Tenho uma amiga #16

Cujo nível de exigência com os filhos lhe causa angústia e frustração intensa. Bastava "apenas" baixar as expectativas e seria uma Mãe muito mais feliz.