Ontem tive reunião dos representantes dos pais das turmas de creche e pré-escolar com o respectivo coordenador e directora do colégio. É suposto que cada representante de turma questione todos os outros pais acerca de eventuais dúvidas, críticas ou sugestões, para que depois sejam transmitidas à direcção.
Depois de duas horas de reunião, saí de lá a pensar que talvez o estado da educação, os programas cada vez mais exigentes, a pressão que os miúdos sofrem por terem mais e mais trabalho, a falta de tempo para brincar, não seja apenas culpa do sistema, da forma que está montado. Há pais com uma responsabilidade GIGANTE nas proporções que isto está a tomar. Naquela reunião, foram levantadas questões do arco da velha, vindas de pais de crianças de 5 anos, que sofrem duma ansiedade antecipatória para a entrada para a primária que a mim me assustou. Não me considero especialmente desleixada ou demasiado relaxada com a educação/aprendizagens/conquistas dos meus filhos mas, perante aquele montão de dúvidas e medos, fiquei seriamente a pensar. Aqueles pais que queriam melhorias no ensino do inglês e queriam esmiuçar o que estava a ser feito para tal, queriam saber acerca do corpo docente para o ensino primário, queriam saber quais as "limitações" dos seus filhos em termos de memória, concentração e afins para o poderem trabalhar em casa ao longo deste ano, vão ser os pais que irão pressionar professores, directores e filhos para fazerem mais e melhor a toda a hora. É legítimo querermos que os nosso filhos usufruam ao máximo das suas capacidades, que as potenciem, mas é preciso pensar a que preço. Porque, nada mais certo do que todas as crianças, filhas de pais ansiosos em Novembro com o que vai acontecer em Setembro do ano seguinte, sofrerem na pele a ansiedade, a pressão e o medo de falhar.
Enquanto meio mundo de pais se vai queixar do excesso de matéria, de trabalhos de casa, o outro meio irá exigir o oposto aos professores, aos coordenadores e directores de escolas e, em cadeia, a informação chega a quem decide. O nosso mundo mudou, as exigências da sociedade são diferentes daquelas que existiam há vinte ou trinta anos atrás, mas a adaptação não pode acontecer a qualquer preço. E, assim sendo, eu vou-me continuar a borrifar para o facto do Diogo cantar músicas inteiras em inglês comigo a perceber apenas duas ou três palavras e vou ficando é muito satisfeita porque ele as quer cantar para mim, porque ele vem entusiasmado porque as aprendeu.