Cheiras-me a filho!
Disse-lhe enquanto o beijava, num destes dias ao regressar da escola. E, desde então que lhe digo esta frase mais do que uma vez ao dia. Sei que ele não a entende, mas também sei que acha alguma graça porque, não raras vezes, me passa a mão na cara cheio de mimo.
Não sei se todas as mães de mais do que um passam por isto, mas eu tenho fases de paixão por cada um deles. Não gosto sempre igual dos dois, ou pelo menos não os sinto sempre da mesma forma. E, nos últimos tempos ando apaixonada pelo Diogo e sinto-lhe o cheiro a filho com mais intensidade. Não é que me desleixe do Miguel, não é isso, mas o amor é uma coisa e a paixão é outra. Amo todos os dias e todas as horas aqueles dois, mas tenho alturas de paixão separadas para cada um. E, nessas alturas, o cheiro a filho vem mais intenso do pescoço daquele para quem a minha paixão se dirige. Nestes períodos, acho-o ainda mais bonito, mais engraçado, confesso até que me sinto mais paciente com ele, mais fácil a ceder. Não sei se isto faz sentido para mais alguém, mas eu até acho alguma piada a estes enamoramentos temporários, porque sei que são isso mesmo, temporários e que. logo a seguir, há-de vir uma paixão assolapada pelo outro e assim sucessivamente. No fundo, é um caso de poliamor maternal!!
E, por estes dias, é este que mais em cheira a filho.

