Brinquei com o assunto, mas apercebo-me que, sempre que tenho uma reunião com pais de meninos da idade dos meus, fico com muita coisa a andar ás voltas na minha cabeça. Não sou melhor do que ninguém, não sou melhor mãe do que as outras, mas há coisas com as quais eu não me identifico de todo.
Tratava-se então duma reunião para apresentar, aos pais dos meninos das salas dos 5 anos, o Projecto do 1º Ciclo do colégio, quais os valores porque se regiam, os moldes e pedagogias utilizadas, a organização de horários, intervalos, refeitórios, cargas horárias por área curricular e afins... Houve quem questionasse acerca de trabalhos de casa, férias, actividades extra-curriculares... e depois houve quem questionasse acerca da possibilidade dos professores enviarem fichas para os pais fazerem em casa com os filhos como preparação para testes e, a questão ia no sentido daquela mãe querer essas ditas fichas. Estou longe de querer criticar uns pais que se querem envolver no percurso escolar dos seus filhos, que os querem ajudar no estudo, aqui o que me faz confusão é este sofrimento por antecipação, esta necessidade de, com um ano de antecedência, programar o estudo de uma criança de 6 anos. Sim, porque também foi questionado a existência ou não de aulas de revisão para testes... E o tom da questão foi bem entendido, porque, algures na resposta da coordenadora, ouviu-se a frase "os pais devem ser pais e os professores são professores". Caramba, a criança ainda nem tem mochila e livros e já anda alguém a pensar como vão ser as vésperas dos testes. Isto é ansiedade pura, e os miúdos são esponjas, sentem, absorvem e guardam neles esse medo, essa responsabilidade desmedida. A pressão, quando bem doseada, e em algumas crianças e adultos, pode resultar bem, cria sensação de que é preciso agir, mas em outros tantos, a pressão causa uma ansiedade desmedida que bloqueia. Nós estamos longe de reagir igual e, tenho a plena noção que, no que à escola e estudo diz respeito, vou ter de ter atitudes bem diferentes com os meus dois filhos.
O que me "incomoda" aqui é o enfoque dado em testes, avaliações e notas, quando o destaque deveria ser dado à forma como aprendem, como pensam. Bem sei que o próprio sistema está organizado desta forma e, facilmente, somos engolidos por um bicho papão de rankings e classificações, mas acredito que devemos ser mais fortes do que isso e, em vez de criarmos máquinas de repetir e papaguear conhecimento, deveríamos apostar mais em criar pessoas capazes de pensar, refletir, questionar, com vontade de saber mais.
O que me "incomoda" aqui é o enfoque dado em testes, avaliações e notas, quando o destaque deveria ser dado à forma como aprendem, como pensam. Bem sei que o próprio sistema está organizado desta forma e, facilmente, somos engolidos por um bicho papão de rankings e classificações, mas acredito que devemos ser mais fortes do que isso e, em vez de criarmos máquinas de repetir e papaguear conhecimento, deveríamos apostar mais em criar pessoas capazes de pensar, refletir, questionar, com vontade de saber mais.
Que fique claro que eu incuto nos meus filhos o sentido de responsabilidade, que espero que se esforcem para que façam sempre o melhor que conseguirem.E, tal como a maioria das mães, fico orgulhosa quando assim é e, facilmente espalho aos quatro ventos que o Miguel teve uma nota excelente no exame de Karaté e que o Diogo traz uma avaliação fabulosa da patinagem. Mas, o que realmente me enche de orgulho, é vir discriminado que são respeitadores das regras da aula, que são esforçados, empenhados e que colaboram em todas as actividades. Não penso com certeza de forma muito diferente dessa mãe, mas a linha que separa o querer que eles sejam o melhor deles próprios e o melhor ponto final, é muito ténue. Quero filhos capazes, bem preparados para o futuro no que ao conhecimento diz respeito, mas não quero isso a todo o custo. Isto não é simples, pois não?





