segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Não digam que eu não sou vossa amiga #11

Nunca, mas nunca, sob nenhuma circunstância, comprem este chocolatinho aqui:


É perfeito demais para se fazer aquela coisa bonita e cheia de auto-controlo (coisa que nenhuma mulher tem na TPM), que é o "um quadradinho de vez em quando".  O teor de cacu está no ponto, está longe de ser um chocolate amargo, mas também não é nada doce e o toque do sal marinho acentua ainda mais o sabor do chocolate.E nunca o tentem barrar com uma camada de manteiga de amendoim caseirinha, fica mau de tão bom que é.

P.S.- vende-se no LIDL

sábado, 25 de fevereiro de 2017

New pancakes in the house



São a mais recente evolução das panquecas básicas cá de casa e, deixam-me muito feliz logo pela manhã! Eu adoro o sabor pouco doce dos frutos vermelhos e, o contraste com o sabor adocicado da banana fica perfeito. Ora atentem na receita "básico mais básico não há":

3 ovos
2 bananas pequenas/médias
5 colheres de sopa de farinha de aveia (ou outra qualquer a gosto)
1 iogurte grego natural
morangos, mirtilos, framboesas

Misturar tudo na varinha mágica, excepto os frutos vermelhos e o iogurte grego. Este último adicionar à mão e envolver, porque se batermos na varinha mágica fica uma massa muito liquida. Depois de colocar ao lume, numa frigideira anti-aderente, ou untada ligeiramente com óleo de coco, aguardar que a massa fique com bolhinhas e, nesse momento, juntar os frutos vermelhos a gosto em pedaços pequeninos. Virar, retirar, deixar esfriar e provar!! 
As quantidades que coloquei dão para mim e para os meninos, podendo ocasionalmente sobrar uma ou duas no máximo. 

Bom apetite

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Cavalos de corrida



Brinquei com o assunto, mas apercebo-me que, sempre que tenho uma reunião com pais de meninos da idade dos meus, fico com muita coisa a andar ás voltas na minha cabeça. Não sou melhor do que ninguém, não sou melhor mãe do que as outras, mas há coisas com as quais eu não me identifico de todo.
Tratava-se então duma reunião para apresentar, aos pais dos meninos das salas dos 5 anos, o Projecto do 1º Ciclo do colégio, quais os valores porque se regiam, os moldes e pedagogias utilizadas, a organização de horários, intervalos, refeitórios, cargas horárias por área curricular e afins... Houve quem questionasse acerca de trabalhos de casa, férias, actividades extra-curriculares... e depois houve quem questionasse acerca da possibilidade dos professores enviarem fichas para os pais fazerem em casa com os filhos como preparação para testes e, a questão ia no sentido daquela mãe querer essas ditas fichas. Estou longe de querer criticar uns pais que se querem envolver no percurso escolar dos seus filhos, que os querem ajudar no estudo, aqui o que me faz confusão é este sofrimento por antecipação, esta necessidade de, com um ano de antecedência, programar o estudo de uma criança de 6 anos. Sim, porque também foi questionado a existência ou não de aulas de revisão para testes... E o tom da questão foi bem entendido, porque, algures na resposta da coordenadora, ouviu-se  a frase "os pais devem ser pais e os professores são professores". Caramba, a criança ainda nem tem mochila e livros e já anda alguém a pensar como vão ser as vésperas dos testes. Isto é ansiedade pura, e os miúdos são esponjas, sentem, absorvem e guardam neles esse medo, essa responsabilidade desmedida. A pressão, quando bem doseada, e em algumas crianças e adultos, pode resultar bem, cria sensação de que é preciso agir, mas em outros tantos, a pressão causa uma ansiedade desmedida que bloqueia. Nós estamos longe de reagir igual e, tenho a plena noção que, no que à escola e estudo diz respeito, vou ter de ter atitudes bem diferentes com os meus dois filhos. 
O que me "incomoda" aqui é o enfoque dado em testes, avaliações e notas, quando o destaque deveria ser dado à forma como aprendem, como pensam. Bem sei que o próprio sistema está organizado desta forma e, facilmente, somos engolidos por um bicho papão de rankings e classificações, mas acredito que devemos ser mais fortes do que isso e, em vez de criarmos máquinas de repetir e papaguear conhecimento, deveríamos apostar mais em criar pessoas capazes de pensar, refletir, questionar, com vontade de saber mais.
Que fique claro que eu incuto nos meus filhos o sentido de responsabilidade, que espero que se esforcem para que façam sempre o melhor que conseguirem.E, tal como a maioria das mães, fico orgulhosa quando assim é e, facilmente espalho aos quatro ventos que o Miguel teve uma nota excelente no exame de Karaté e que o Diogo traz uma avaliação fabulosa da patinagem. Mas, o que realmente me enche de orgulho, é vir discriminado que são respeitadores das regras da aula, que são esforçados, empenhados e que colaboram em todas as actividades. Não penso com certeza de forma muito diferente dessa mãe, mas a linha que separa o querer que eles sejam o melhor deles próprios e o melhor ponto final, é muito ténue. Quero filhos capazes, bem preparados para o futuro no que ao conhecimento diz respeito, mas não quero isso a todo o custo. Isto não é simples, pois não?
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A minha criança interior está viva



Reunião de apresentação do Projecto e Organização do 1º ciclo na escola dos rapazes. Algures a meio da mesma, há uma mãe, extremosa até mais não, que questiona se, os professores têm por hábito enviar fichas para os alunos fazerem em casa antes dos testes. Na minha cabeça, o primeiro pensamento foi:
- Fichas? Mas agora os putos vão jogar poker?

(amanhã escrevo, de forma mais séria, sobre este assunto que me apoquenta)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Breackfast please

Gosto de partilhar, gosto mesmo. Tudo, ou quase tudo aquilo que acho que vai ser bom para quem me ouve, lê ou consulta. Gosto de oferecer coisas que eu própria gosto muito de ter, e dou por mim, várias vezes, a comprar presentes que já comprei para mim ou para os meus filhos. Neste contexto, partilho inúmeras vezes na minha conta de instagram os pequenos almoços lá de casa, ora meus, ora dos meninos, regra geral, bastante saudáveis, apelativos e muito variados. E, por isto mesmo, fui desafiada pelo meu amigo João Moreira Pinto, (em Outubro cof, cof cof) a escrever um post com sugestões de pequenos almoços saudáveis para os mais pequenos. Ora espreitem lá aqui!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Questões para lá de pertinentes #29


Como é que se explica, no segundo mês do ano de 2017, que alguém, algures nos seus 30 anos, me pergunte se o meu endereço de email leva acento?



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Zebras, a morte, fotografias e a nossa mania de os salvar.


Quase dois meses depois tive de lhes contar que a zebra Tombi, que acompanhavam desde o segundo dia de vida, tinha morrido. No entanto, depois de tanto sofrimento a que já assisti naqueles dois por outras mortes de animais, desta vez não tive coragem para falar a verdade e disse que a Tombi já não estava na quinta porque tinha ido para um Jardim Zoológico. A primeira pergunta foi do Diogo, que quis saber se nunca mais a íamos ver, ao que o Miguel respondeu de forma muito pragmática: vamos a esse jardim zoológico e estamos com ela. Disse que não era possível, que era numa cidade muito longe e, nesse momento o Diogo desata a chorar, mas a chorar a sério. Revoltado. E eu quis um buraco para me enfiar porque me arrependi imediatamente de não ter dito a verdade, a minha mentira não lhe poupou qualquer tristeza, até acho que foi pior a emenda que o soneto, uma vez que o senti revoltado por não se ter despedido e apenas lhe terem dito na véspera de ir à quinta. 
O Miguel seguiu com a vida dele e foi, tranquilamente brincar. Mas o Diogo não. O Diogo deitou-se na cama, agarrou-se ao seu ursinho e  a mim numa tristeza... Pedi-lhe desculpa por lhe ter mentido, que não gosto mesmo nada de lhe mentir e contei-lhe o que realmente aconteceu. Pode até ter sido impressão minha, mas achei que, no meio do choro e da tristeza, se acalmou e disse logo que me desculpava, que eu menti "na hora certa", porque o Miguel estava no quarto, não ia entender a verdade e assim não ficou triste. Só este meu filho para dizer isto... Quis ficar agarrado a mim na cama, sentia-lhe a tristeza na força com que me abraçava e comovi-me também. 
Quando acalmou, sugeri-lhe imprimirmos umas fotografias que tínhamos tirado com a Tombi e colocá-las no quarto para que, desta forma, ficasse sempre presente. No dia seguinte, sem falhar, cheguei a casa com três fotos que ele emoldurou e, meticulosamente, escolheu o melhor local para pendurar.


E eu reforcei aquilo que tão bem sei, que não temos, nem devemos, nem precisamos de os salvar das tristezas da vida, das frustrações, da verdade, mesmo que isso magoe. Ele lidou, mais uma vez, com a morte,  percebeu a importância de termos momentos guardados em papel para que a saudade seja celebrada em honra de memórias felizes.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Questões para lá de pertinentes #28


O que leva alguém a criar a página de instagram do seu cão/gato/periquito/chinchila? 
Não daria para partilhar imagens do bicho na sua própria conta? E quando estes seres iluminados (e com muito tempo livre) possuem mais do que um animal e criam duas ou três páginas e, na biografia do bicho escrevem: Olá, sou o @Bobi, irmão mais novo do @Tareco, de forma a informar os visitantes que, aquele dono, administra mais do que uma página animal.
O cão/gato/piriquito/chinchila respondem às mensagens? Fazem likes nas próprias fotos? Seguem animais de outras espécies ou só da própria? Os bichinhos também terão haters que fazem comentários depreciativos à sua pelagem/plumagem ou mesmo quanto à sua forma física? Terão alguns patrocínios de marcas de ração?São eles que escolhem os filtros que mais lhes favorece o brilho do pelo/penas? Também partilham coisas no instastories? Será que, quando estes donos querem que os bichinhos procriem, lhes criam uma conta no Tinder? 

Há dias em que acordo com a cabeça carregadinha de pontos de interrogação.

Questões para lá de pertinentes #27


Sou só eu que acho estúpido quando vejo os donos da mercearia biológica da minha rua, cá porta a fumar?
É que não bate a bota com a perdigota. Estar preocupado, e bem, com todos os químicos e pesticidas presentes nas frutas e legumes e depois fazer inalações de benzeno e amigos, no mínimo é estranho.
Ou então aquilo é erva plantada no quintal das traseiras e, aí sim, há coerência.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Manhãs de sábado

Nem sempre gosto das manhãs de sábado, às vezes são confusas e atribuladas porque estou sozinha com os dois e com vontade de organizar e arrumar as coisas que foram ficando pendentes ao longo da semana. Para complicar, gosto de prolongar até a última o ligar da televisão. Se por um lado não sou muito inteligente em escolher orientar qualquer coisita em vez de brincar com os rapazes, por outro, sou chata no que toca a "tecnologias hipnotizadoras de crianças". Mas, regra geral a coisa flui, especialmente porque os ímpetos de arrumação não são assim tão frequentes. E, sábado passado, foi um dos bons. Houve direito a bolo de coco saudável, a fantoches do Dartacão com palhinhas, brincadeiras com dinossauros e alguma remodelação ligeira nos brinquedos que habitam lá por casa, sem recurso a qualquer DisneyPanda desta vida.
Ás vezes, ninguém sabe muito bem como nem porquê, mas há dias em que tudo corre bem, tudo flui com uma facilidade diferente.


A pedido de várias famílias (mentira, foram só duas), segue a receita do bolo:
1 chávena de farinha de coco
5 ovos
1/2 chávena de leite de coco light
1/2 chávena de açucar mascavado ou açucar de coco
2 colheres de sopa de óleo de coco
1 colher de chá de fermento em pó
Bater as claras em castelo. Bater as gemas, o açucar e o óleo de coco, adicionar o leite de coco aos poucos, mexendo sem parar. Depois colocar a farinha de coco e mexer suavemente, depois envolver as claras e o fermento. levar ao forno pré aquecido a 180º. (Na receita sugeriam 30 minutos, mas o meu demorou 50min e não ficou seco). 
A receita não é minha, vi algures na net e depois adaptei com alguns ingredientes que tinha em casa e, desta vez, a adaptação correu bem!! Ou pelo menos, bem o suficiente para já ter acabado.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Alegria é #21


Parar na berma duma rotunda (depois de ter dado duas voltas) para que eles pudessem ver, calmamente, o seu primeiro arco-íris. E depois, seguir por um caminho que não era o nosso, para termos onde parar o carro, sair das cadeirinhas para poder contar todas as cores. Alegria é ouvir o Miguel dizer, meio indignado, que o arco-íris não tem purple. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quéquinhos

Gosto de inventar receitas simples, saudáveis e docinhas para os rapazes e, estes queques, são uma das últimas invenções. Uso para pequeno almoço (deles e meu), para lanches ou para fomes inesperadas!!


A receita é simples, basta juntar uma banana grande ou duas médias, dois ovos, quatro colheres de sopa de farinha de aveia e, de vez em quando, junto também uma colher de sopa de iogurte grego e coco ralado a olho. Depois é só colocar em formas e rechear com o que a dispensa e a imaginação permitirem, como por exemplo: framboesas, mirtilos, pepitas de chocolate preto, manteiga de amendoim, compota, and so on, and so on. Cozinham em pouco mais de 10 minutos num forno aquecido a 150-180º. São tão rápidos que hoje acordei, misturei tudo na varinha mágica, pus no forno e fui-me arranjar enquanto estavam no forno.
Bom apetite!!


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cheiros e paixões

Cheiras-me a filho!
Disse-lhe enquanto o beijava, num destes dias ao regressar da escola. E, desde então que lhe digo esta frase mais do que uma vez ao dia. Sei que ele não a entende, mas também sei que acha alguma graça porque, não raras vezes, me passa a mão na cara cheio de mimo.
Não sei se todas as mães de mais do que um passam por isto, mas eu tenho fases de paixão por cada um deles. Não gosto sempre igual dos dois, ou pelo menos não os sinto sempre da mesma forma. E, nos últimos tempos ando apaixonada pelo Diogo e sinto-lhe o cheiro a filho com mais intensidade. Não é que me desleixe do Miguel, não é isso, mas o amor é uma coisa e a paixão é outra. Amo todos os dias e todas as horas aqueles dois, mas tenho alturas de paixão separadas para cada um. E, nessas alturas, o cheiro a filho vem mais intenso do pescoço daquele para quem a minha paixão se dirige. Nestes períodos, acho-o ainda mais bonito,  mais engraçado, confesso até que me sinto mais paciente com ele, mais fácil a ceder. Não sei se isto faz sentido para mais alguém, mas eu até acho alguma piada a estes enamoramentos temporários, porque sei que são isso mesmo, temporários e que. logo a  seguir, há-de vir uma paixão assolapada pelo outro e assim sucessivamente. No fundo, é um caso de poliamor maternal!!


E, por estes dias, é este que mais em cheira a filho.


Standing ovation please


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Alegria é #20

Ter os meus dois filhos de 5 e 3 anos a brincarem juntos durante quase uma hora. E eu, enquanto faço malas, vou ouvindo gargalhadas, conversas e cumplicidades.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Amor azul


Tinha mesmo de vir, estava a pedir desde ontem para vir ao Dragão. Ontem chorou, revoltado, porque eu lhe explicava que não ia poder vir ao jogo com o seu equipamento do Dragon Force, leia-se t-shirt de manga curta, calções e meias até ao joelho. Hoje, mal entrou no carro, vindo da escola, a primeira coisa que fez foi começar a despir a sua roupa para vestir o equipamento. Consegui convence-lo a vestir a t-shirt por cima das outras duas camisolas. Mas, e o casaco? Quando vestir o casaco ninguém vê. Toca de arranjar uma camisola de adulto para por por cima do kispo. Tentei dissuadi-lo ao chegar a casa e perguntei se ficava muito chateado caso eu lhe dissesse que não me apetecia nada ir ao futebol. Respondeu-me, num tom doce e só dele: chateado não fico mamã, mas fico só assim um bocadinho triste.

E eu, mesmo depois de ter acordado as 6.45h da madrugada para ir a uma aula de cycle, de ter trabalhado 8h, achei que era capaz de, por ele, enfrentar um transito de final de dia e um frio de gelar. Amor de mãe é pouco mais do que isto.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Fotografia

Fiz, este domingo que passou, um workshop de fotografia para nabos. Nabos bem equipados, é certo, mas para quem não percebe nada de técnica fotográfica, tem uma máquina boa e não tira proveito dela. O workshop foi dado pela Isabel Saldanha e, apesar de não ser uma seguidora assídua do trabalho dela, ia lendo coisas aqui e ali que me faziam pensar que seria o tipo de pessoa que gostaria de conhecer. Descomplexada, aberta, pura, sem desconfianças pelas pessoas e pela vida, feliz.
E ela é mesmo assim, tal como imaginei que fosse. Ela é tal e qual aquilo que escreve, e essa foi a melhor parte do dia. Só a apresentação dela, que durou uns bons dez minutos, foram o suficiente para ter a certeza que o dia ia ser bom. A Isabel dá-se e, nos dias que correm, é uma raridade. Diria mais, é uma preciosidade.  E eu adoro pessoas assim, que não estão de pé atrás no primeiro encontro, que acreditam em inocentes até prova em contrário, que se mostram sem receios, que vivem a vida sem nada a esconder e acreditam, muito, na partilha de tudo. Em metáfora fotográfica que a Isabel usou, uma fotografia é bem melhor quando tem mais luz, e a luz depende da abertura, quem tem maior abertura é mais iluminado. Na fotografia e na vida.
E, dois dias depois, recebo a apresentação integral do workshop com uns extras cheios de dicas. Precisava de o fazer? Não. É trabalho dela, esforço dela dado assim de mão beijada, correndo o risco de ser copiado. E ela nas tintas para isso, tenho a certeza. A abertura também é isto...
Fotografia é técnica, é geometria, é conhecimento teórico. Fotografia é guardar para sempre momentos, congelar memórias e isso só se consegue com uma sensibilidade e entrega que não se aprende em manuais. Do meu domingo trouxe inspiração, acima de tudo, inspiração.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Não consigo.
Não consigo ver imagens, reportagens do que se passa em Aleppo. Não consigo abrir aqueles vídeos que andam pelo facebook como forma de sensibilização e, quando abro, não chego a ver meia dúzia de segundos. Mudo de canal, ao fim de escassos minutos, quando vejo aquelas grandes reportagens com imagens demasiado reais, demasiado explícitas, demasiado angustiantes.
Confesso, não consigo mesmo.
Lido mal com a minha impotência, muito mal mesmo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Alegria é #19

Voltar. Regressar. Chegar.
Subir o elevador de madrugada e pensar "vou cheirá-los".
Encostar-me ao Diogo e dizer-lhe, bem baixinho enquanto ele dormia tão lindo, "já cheguei, meu amor" e, sem sequer abrir os olhos, agarrou-se a mim, deu-me beijos e sorriu Sorriu tanto e continuou a dormir. 
Cheirar o Miguel, dar-lhe beijos e ele manter-se num sono imperturbável.
Enfiar-me na minha cama e agarrar-me ao Pedro, tão quentinho.
Fazer a minha primeira granola caseira e deixar a cozinha com um delicioso cheiro a coco e canela.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Love me now



Conheci o John Legend há mais de dez anos, por mero acaso. Naquela altura, de forma mais ou menos regular cometia a ilegalidade de fazer o download de músicas e álbuns inteiros de um qualquer programa cujo nome já não me recordo, e , ao engano foi-me parar ao computador o álbum "Live at the knitting factory". Fiquei maravilhada, viciada e apaixonada por este senhor. Depois apaixonei-me pelo Pedro e a música "Refuge", desse mesmo álbum, tornou-se "a nossa música", aquela que juntos cantávamos alto nas viagens de carro, a que nos fez delirar no nosso casamento, a que ainda hoje ouço com a mesma emoção.  Desde então não há álbum que saia que eu não compre, já o vi em concerto em Portugal por duas vezes e, estivemos quase para o ir ver a Londres também.
Até há um, dois anos, não sabia nada da vida pessoal dele, limitava-me a ouvi-lo em repeat, não lhe conhecia a mulher, acho até que nem sabia que era casado. Conheci-a (sacana do caraças) e ainda fiquei a gostar mais daquele universo. A sacana é gira que se farta, tem uma página de instagram com um sentido de humor fora de série, é completamente autêntica, formam um casal para lá de maravilhoso, lidaram publicamente com a infertilidade de uma forma naturalíssima e agora têm uma filha que dá vontade de trincar. A bem dizer, são as únicas celebridades que sigo no instagram e, da mesma forma que o Pedro tem direito aos seus "free pass" o Johinho é o meu.
A verdade é que, mais de dez anos a ouvi-lo e o senhor ainda me surpreende e lança mais uma música deliciosa e com um videoclip cheio de histórias de amor, incluindo a dele. 
 

domingo, 20 de novembro de 2016

Estou sozinha no aeroporto, pronta para embarcar para cinco dias longe deles. Primeira vez que nos afastamos tantos dias, no máximo tinham sido três. Vim porque quis, porque assim o decidi, e mesmo sendo de livre vontade, chorei pela primeira vez num aeroporto. O Diogo foi o primeiro, agarrou-se a mim e não me queria largar. O Miguel seguiu-lhes os passos e o meu coração encolhia a cada beijo, a cada "vou ter muitas saudades tuas". Dissemos adeus, enviamos beijos ao longe em todos as janelas possíveis e, caramba, como eu amo aqueles três...
Como fazem aqueles e aquelas que, sem outra hipótese, se afastam dos seus por semanas, meses? Como fazem?

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

De quem é a culpa?

Ontem tive reunião dos representantes dos pais das turmas de creche e pré-escolar com o respectivo coordenador e directora do colégio. É suposto que cada representante de turma questione todos os outros pais acerca de eventuais dúvidas, críticas ou sugestões, para que depois sejam transmitidas à direcção.
Depois de duas horas de reunião, saí de lá a pensar que talvez o estado da educação, os programas cada vez mais exigentes, a pressão que os miúdos sofrem por terem mais e mais trabalho, a falta de tempo para brincar, não seja apenas culpa do sistema, da forma que está montado. Há pais com uma responsabilidade GIGANTE nas proporções que isto está a tomar. Naquela reunião, foram levantadas questões do arco da velha, vindas de pais de crianças de 5 anos, que sofrem duma ansiedade antecipatória para a entrada para a primária que a mim me assustou. Não me considero especialmente desleixada ou demasiado relaxada com a educação/aprendizagens/conquistas dos meus filhos mas, perante aquele montão de dúvidas e medos, fiquei seriamente a pensar.  Aqueles pais que queriam melhorias no ensino do inglês e queriam esmiuçar o que estava a ser feito para tal, queriam saber acerca do corpo docente para o ensino primário, queriam saber quais as "limitações" dos seus filhos em termos de memória, concentração e afins para o poderem trabalhar em casa ao longo deste ano, vão ser os pais que irão pressionar professores, directores e filhos para fazerem mais e melhor a toda a hora. É legítimo querermos que os nosso filhos usufruam ao máximo das suas capacidades, que as potenciem, mas é preciso pensar a que preço. Porque, nada mais certo do que todas as crianças, filhas de pais ansiosos em Novembro com o que vai acontecer em Setembro do ano seguinte, sofrerem na pele a ansiedade, a pressão e o medo de falhar. 
Enquanto meio mundo de pais se vai queixar do excesso de matéria, de trabalhos de casa, o outro meio irá exigir o oposto aos professores, aos coordenadores e directores de escolas e, em cadeia, a informação chega  a quem decide. O nosso mundo mudou, as exigências da sociedade são diferentes daquelas que existiam há vinte ou trinta anos atrás, mas a adaptação não pode acontecer a qualquer preço. E, assim sendo, eu vou-me continuar a borrifar para o facto do Diogo cantar músicas inteiras em inglês comigo a perceber apenas duas ou três palavras e vou ficando é muito satisfeita porque ele as quer cantar para mim, porque ele vem entusiasmado porque as aprendeu.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Lei de Murphy adaptada a mim #5

Qual é o melhor dia para o frigorífico avariar?
Ao fim de semana, obviamente, e depois duma ida ao supermercado com o bicho atestado de iogurtes, queijo e legumes para quinze dias.

Tenho uma amiga #17

Que anda a fazer demasiada questão em evidenciar que é magra sem fazer qualquer tipo de restrição alimentar e que até come uns docinhos e uns pãezinhos e "ah e tal dieta não é comigo".
Até aqui muito bem, não fosse eu saber que isto é mentira.
Até aqui muito bem, não fosse ela dizer isto à frente de pessoas que há anos lutam contra a balança.
Até aqui muito bem, não fosse ninguém lhe ter perguntado nada.
E, assim sendo, não está nada bem. Está tudo errado. Errado na sua essência mentirosa e injusta, na necessidade de estúpida de querer parecer qualquer coisa que não se é, de se demarcar dos comuns mortais que, para perder peso, precisam obrigatoriamente de fazer restrições, tal como dizem as mais básicas leis da matemática. 
No fundo, as inseguranças manifestam-se das mais variadas formas e esta é uma delas.