segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma espécie de mindfulness, mas ao contrário.

Na semana passada fui a Lisboa ao concerto do Bruno Mars e ouve uma coisa que me saltou de imediato à vista: a quantidade de gente que filma e fotografa cada instante., cada música, cada movimento. Aliás, a senhora que estava à minha frente filmou o concerto praticamente  todo com  a sua máquina fotográfica. Na mesma tarde tinha estado num café na baixa lisboeta e, ao nosso lado, duas raparigas no final da sua adolescência, fotografavam as panquecas, faziam boomerangs do mel a cair, fotografavam-se a beber os seus sumos verdes e a refeição delas ainda não ia a meio e nós já tínhamos terminado o nosso lanche (ok, estávamos mortinhos de fome), porque entre cada garfada que davam, teclavam qualquer coisa ao telemóvel.
O que eu quero dizer com isto, e não querendo parecer uma velha do Restelo, é que hoje em dia não se vive, filma-se fotografa-se para se viver depois. Atenção que eu adoro fotografia, ando quase sempre de máquina atrás de mim, tenho a minha conta do instagram que gosto de actualizar, filmo os meus filhos em momentos que em parecem interessantes e sei bem o impacto maravilhoso que estes registos possuem à posteriori, mas vejo à minha volta muito boa gente sem bom senso nesta área. Ver aquela gente durante um concerto brutal a assistir a tudo através do ecrã do telemóvel faz-me imensa confusão. A senhora que estava a minha frente, dançava de forma controlada para que o vídeo não ficasse tremido. Filmam para depois mostrar como foi tão bom, fotografam para depois mostrar como aquela panqueca era fofa, fazem vídeos para depois mostar como estavam felizes naquele momento enquanto o mel caia do frasquinho para o prato. Fotografam, gravam, registam para que depois se lembrem como aquele momento foi bom. E contra mim falo, que vejo nos meus álbuns de fotografia uma alegria imensa, que me deleito a fazer pijaminhas de fotos no facebook para os aniversários de quem eu gosto. Para mim, a fotografia é isso mesmo, um depósito de memórias para o futuro, mas o futuro não me faz sentido se eu no "agora" estiver apenas a planear o quanto vou desfrutar dele. Apesar de ser uma optimista por natureza, acredito que esta é o caminho que estamos a tomar, e apesar de detestar o discurso do "antigamente é que era bom" nesta caso vou ter mesmo de o usar. Acredito ser profundamente mais saudável viver as coisas, os momentos, as pessoas agora e não guardá-las, sistematicamente, para as viver intensamente depois.

karma is a bitch

Lembro-me perfeitamente de, algures na minha infância, ver a cara de enfado dos meus pais quando eu queria mostrar a maravilhosa habilidade de contar até 100. 
Nas última semanas, o Diogo tem-me feito perdoar os meus pais e entender o tédio que é ouvir alguém, mesmo que pequeno e fofo e lindo, a recitar os números TODINHOS de 1 a 100.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Alegria é #23


Ter na minha mão estes bilhetinhos para a PRIMEIRA fila!!
Estar a planear um super fim de semana gastronómico-romântico-cultural em Lisboa para essa altura.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Não digam que eu não sou vossa amiga #12

Descobri A água micelar e a minha pele dá pulinhos de alegria. Esta senhora para além de fazer a limpeza do rosto ainda funciona como desmaquilhante de olhos e lábios. Mas, para mim, isso nem é o melhor, o que eu adoro mesmo é a textura na pele, a sensação de hidratação com que fico no rosto depois de aplicar, sem aquela senção de repuxamento que ficava com algumas águas micelares. Além do mais, o cheirinho é  maravilhoso. Já usava o hidratante desta linha, o VitaC e adorava, mas vai-se lá saber porquê, andava a saltitar entre outras águas micelares.   A marca da água é MATIS.

quinta-feira, 23 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

Encerro em mim todas as Mães do Mundo

VERSÃO MÃE ZEN


Bem sei o que lhes custa acordar tão cedo, mas acima de tudo, sei que não são escravos do relógio como nós. Não sentem pressa em chegar a lado nenhum, não há urgências, o trânsito nunca entra na equação e o tempo para eles é uma medida abstracta. E que sorte a deles... Não entendem a necessidade de tomar o pequeno almoço sem brincadeiras pelo meio, porque brincar sim, é urgente. E divertem-se logo pela manhã, alheios aos ponteiros do relógio, riem-se, saem da cadeira, engasgam-se de rir. Porque haviam eles de se vestir rápido e bem, se enfiar umas cuecas na cabeça é muito mais divertido? Explico que tenho horas para começar a trabalhar, que não gosto nada de chegar tarde, escolho pequenos almoços mais rápidos para os dias em que entro mais cedo, para lhes (me) facilitar a vida. Sei que vão crescer, que me vão, eventualmente, pedir um relógio e aprender a ver as horas, que vão haver dias em que sentirão a necessidade de lutar contra o tempo, mas devia deixá-los desfrutar melhor deste tempo. Este tempo em que os pensamentos deles saltitam entre assuntos, em que uma tarefa é suspensa a meio porque outra coisa mais interessante lhes desperta a atenção, porque são tal e qual como o livro "Estava a pensar" me ensinou.




VERSÃO MÃE FORA DE ÓRBITA

Há manhãs que me deixam doente. Irrita-me ter que dizer a mesma coisa vinte vezes, irrita-me ter que ir buscar uma grua para os arrancar da cama, enquanto se queixam que ainda têm sono e eu com a certeza de que logo à noite vão adiar ao máximo a ida par a cama. E é assim tão difícil comer um prato de papas de aveia de seguida sem eu ter de mandar parar o raio da brincadeira a cada minuto? Ao tempo que a rotina é esta e, mesmo assim, ainda não conseguiram entender que eu tenho horas para ir trabalhar? Eu grito, ameaço, estabeleço novas regras, mudo a ordem dos acontecimentos (comer-vestir ou vestir-comer) para ver o que corre melhor. Mas custa assim tanto perceber que de manhã é só para acordar, comer, vestir e seguir para fora de casa? Vou trabalhar já cansada e, por mais que explique e esperneie, sinto que não me ligam nenhuma.


Vou deixar a Mãe Zen baixar em mim mais vezes que andar fora de órbita não traz nada de bom.

Alegria é #22

Receber mensagens de várias mães de colegas do Diogo, após a partilha desde artigo que escrevi para E os filhos dos Outros, a contar aquilo que já tinham testado em casa e o que tinha sido mais apreciado. Alegria é ver a ser desenhado um "workshop" entre algumas dessas mães para que para o próximo ano os lanches a enviar para a escola sejam saudáveis, diferentes e apelativos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Convicções


Vi o filme Hacksow Ridge por sugestão da minha irmã e, há muito que não me lembrava de ver um filme sem adormecer no sofá de minha casa. Em abono da verdade eu até adormeci, mas por opção, e continuei a ver o filme no dia seguinte. Não o fiz por sono, cansaço ou mesmo por já ser tarde, parei de ver a meio porque já não aguentava mais. O filme é gráfico, real, violento, explícito no que toca a cenário de guerra e, ao longo dos anos, fui perdendo a capacidade de ver imagens assim. Começo por ficar tensa, nervosa, angustiada e isso acontece quando tenho plena noção de que a realidade é/foi mesmo aquela. Confesso que, cada vez mais, tenho dificuldade em lidar com o mais podre da humanidade e, já confessei aqui esta minha fraqueza.
mas adiante, porque o filme é sobre muito mais do que explosões, baionetas, fogo, sangue e morte. O filme é sobre convicções, a sua força e a fé nelas mesmas. Não basta acreditar, é preciso agir de acordo e, esta história verídica, leva isto ao extremo. Um rapaz, que por convicções religiosas, não pega em armas, mas alista-se no exército americano para combater na Segunda Guerra Mundial para que, segundo ele, possa salvar vidas enquanto os outros as tiram. E se assim o desejou, assim o fez.
Emociona a força duma convicção e a forma cândida como ele nunca sequer se questionou, enquanto o mundo inteiro à volta dele o ridicularizava, o agredia, o empurrava para o lado oposto. 
Quantas das nossas convicções têm realmente esta força?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Adenda ao post anterior

Escrever a correr (não literalmente), fez com que eu me tivesse esquecido dum pormenor extremamente importante. É que estes treininhos do demónio fizeram-me também superar as dores nas costas, tornaram-me capaz de sobreviver a dias a fio longe da minha almofada XPTO sem qualquer desconforto. E isso, para quem traz defeitos de fabrico ao nível da coluna, é uma vantagem sem preço. A verdade é que o objectivo principal a que me propus foi de saúde, de fortalecimento de algumas partes que andavam maltratadas e me causavam dor e desconforto, mas obviamente que este fortalecimento traz ganhos estéticos (óbvio, óbvio) e que também eles me deixam muito feliz (óbvio, óbvio).
Para quem me perguntou, eu treino no Efit Porto e treinarei!!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Objectivar. Fazer. Superar.

Trata-se da sequência lógica que me tem acompanhado nos últimos meses no que ao desporto diz respeito. 
Se olhar para trás, vejo que fiz actividade física a maior parte da minha vida: natação, dança jazz, contemporânea, hip hop, capoeira, as tradicionais modalidades de ginásio, como aeróbicas, body combat, cycle, musculação, mas sem nunca ter criado aquele famoso "vício" pelo desporto. E, vendo bem, nunca pratiquei qualquer desporto que tivesse o mínimo de competição porque competitiva, definitivamente, é coisa que eu não sou. Ou não era. Há dois anos experimentei o crossfit e surpreendi-me, não por me ter tornado a típica crossfiter, mas porque comecei a treinar 3 vezes por semana às sete da manhã (ou da madrugada). Gostava daquilo, do facto de ser sempre diferente, de ir notando a minha evolução, mas sem nunca entrar em loucuras como vi muita gente fazer.. Por motivos vários, fui gradualmente abandonando a modalidade, até que dei por mim novamente a não fazer nenhum. Fui então desafiada por um amigo para experimentar o treino com electroestimulação que, de forma mais ou menos resumida, trata-se dum treino curto (+/- 30minutos), dado por um Personal Trainer, em que os pobres dos nossos músculos trabalham muito mais devido à electroestimulação e com o bónus de ser só uma vez por semana.Gostei, fiquei e mudei.
Se, no início me era completamente indiferente se conseguia fazer 20 ou 50 abdominais, se era capaz de fazer 2 ou 5 sprints, agora o pensamento mudou. Se, as minhas incursões no desporto sempre foram no sentido de cumprir os mínimos, a partir do momento que defini um objectivo para mim mesma, fui sentido a minha cabeça a mudar. Óbvio que não mudou sozinha, o facto de ter alguém que, semanalmente insiste comigo, me motiva e me manda calar de cada vez que eu digo que não vou conseguir, faz toda a diferença. No fundo, sentir que acreditam em nós e que nos acham capazes de fazer mais e melhor, é o suficiente para nós acreditarmos também. E, que fique bem claro, que esta última frase vai quase contra tudo aquilo em que eu acredito, mas nem sempre, nem nunca, certo? 
E depois vem a superação. Superar-me a mim mesma deu-me uma verdadeira explosão de alegria, um boom na minha auto-estima. Pode soar a exagero, a futilidade até, mas um objectivo é um objectivo, seja ele fazer uma tese de mestrado, mudar de emprego, mudar de casa, iniciar uma dieta ou correr uma maratona, acredito que a sensação de superação seja sempre igual, que a alegria e confiança que traz não se mede pela importância do feito alcançado. E, assim sendo, eu estou muito feliz comigo própria. (e ainda não atingi o objectivo que me propus)





This is us


"There's no lemon so sour that you can't make something resembling lemonade"

os nossos programas de quinta à noite.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Não digam que eu não sou vossa amiga #11

Nunca, mas nunca, sob nenhuma circunstância, comprem este chocolatinho aqui:


É perfeito demais para se fazer aquela coisa bonita e cheia de auto-controlo (coisa que nenhuma mulher tem na TPM), que é o "um quadradinho de vez em quando".  O teor de cacu está no ponto, está longe de ser um chocolate amargo, mas também não é nada doce e o toque do sal marinho acentua ainda mais o sabor do chocolate.E nunca o tentem barrar com uma camada de manteiga de amendoim caseirinha, fica mau de tão bom que é.

P.S.- vende-se no LIDL

sábado, 25 de fevereiro de 2017

New pancakes in the house



São a mais recente evolução das panquecas básicas cá de casa e, deixam-me muito feliz logo pela manhã! Eu adoro o sabor pouco doce dos frutos vermelhos e, o contraste com o sabor adocicado da banana fica perfeito. Ora atentem na receita "básico mais básico não há":

3 ovos
2 bananas pequenas/médias
5 colheres de sopa de farinha de aveia (ou outra qualquer a gosto)
1 iogurte grego natural
morangos, mirtilos, framboesas

Misturar tudo na varinha mágica, excepto os frutos vermelhos e o iogurte grego. Este último adicionar à mão e envolver, porque se batermos na varinha mágica fica uma massa muito liquida. Depois de colocar ao lume, numa frigideira anti-aderente, ou untada ligeiramente com óleo de coco, aguardar que a massa fique com bolhinhas e, nesse momento, juntar os frutos vermelhos a gosto em pedaços pequeninos. Virar, retirar, deixar esfriar e provar!! 
As quantidades que coloquei dão para mim e para os meninos, podendo ocasionalmente sobrar uma ou duas no máximo. 

Bom apetite

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Cavalos de corrida



Brinquei com o assunto, mas apercebo-me que, sempre que tenho uma reunião com pais de meninos da idade dos meus, fico com muita coisa a andar ás voltas na minha cabeça. Não sou melhor do que ninguém, não sou melhor mãe do que as outras, mas há coisas com as quais eu não me identifico de todo.
Tratava-se então duma reunião para apresentar, aos pais dos meninos das salas dos 5 anos, o Projecto do 1º Ciclo do colégio, quais os valores porque se regiam, os moldes e pedagogias utilizadas, a organização de horários, intervalos, refeitórios, cargas horárias por área curricular e afins... Houve quem questionasse acerca de trabalhos de casa, férias, actividades extra-curriculares... e depois houve quem questionasse acerca da possibilidade dos professores enviarem fichas para os pais fazerem em casa com os filhos como preparação para testes e, a questão ia no sentido daquela mãe querer essas ditas fichas. Estou longe de querer criticar uns pais que se querem envolver no percurso escolar dos seus filhos, que os querem ajudar no estudo, aqui o que me faz confusão é este sofrimento por antecipação, esta necessidade de, com um ano de antecedência, programar o estudo de uma criança de 6 anos. Sim, porque também foi questionado a existência ou não de aulas de revisão para testes... E o tom da questão foi bem entendido, porque, algures na resposta da coordenadora, ouviu-se  a frase "os pais devem ser pais e os professores são professores". Caramba, a criança ainda nem tem mochila e livros e já anda alguém a pensar como vão ser as vésperas dos testes. Isto é ansiedade pura, e os miúdos são esponjas, sentem, absorvem e guardam neles esse medo, essa responsabilidade desmedida. A pressão, quando bem doseada, e em algumas crianças e adultos, pode resultar bem, cria sensação de que é preciso agir, mas em outros tantos, a pressão causa uma ansiedade desmedida que bloqueia. Nós estamos longe de reagir igual e, tenho a plena noção que, no que à escola e estudo diz respeito, vou ter de ter atitudes bem diferentes com os meus dois filhos. 
O que me "incomoda" aqui é o enfoque dado em testes, avaliações e notas, quando o destaque deveria ser dado à forma como aprendem, como pensam. Bem sei que o próprio sistema está organizado desta forma e, facilmente, somos engolidos por um bicho papão de rankings e classificações, mas acredito que devemos ser mais fortes do que isso e, em vez de criarmos máquinas de repetir e papaguear conhecimento, deveríamos apostar mais em criar pessoas capazes de pensar, refletir, questionar, com vontade de saber mais.
Que fique claro que eu incuto nos meus filhos o sentido de responsabilidade, que espero que se esforcem para que façam sempre o melhor que conseguirem.E, tal como a maioria das mães, fico orgulhosa quando assim é e, facilmente espalho aos quatro ventos que o Miguel teve uma nota excelente no exame de Karaté e que o Diogo traz uma avaliação fabulosa da patinagem. Mas, o que realmente me enche de orgulho, é vir discriminado que são respeitadores das regras da aula, que são esforçados, empenhados e que colaboram em todas as actividades. Não penso com certeza de forma muito diferente dessa mãe, mas a linha que separa o querer que eles sejam o melhor deles próprios e o melhor ponto final, é muito ténue. Quero filhos capazes, bem preparados para o futuro no que ao conhecimento diz respeito, mas não quero isso a todo o custo. Isto não é simples, pois não?
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A minha criança interior está viva



Reunião de apresentação do Projecto e Organização do 1º ciclo na escola dos rapazes. Algures a meio da mesma, há uma mãe, extremosa até mais não, que questiona se, os professores têm por hábito enviar fichas para os alunos fazerem em casa antes dos testes. Na minha cabeça, o primeiro pensamento foi:
- Fichas? Mas agora os putos vão jogar poker?

(amanhã escrevo, de forma mais séria, sobre este assunto que me apoquenta)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Breackfast please

Gosto de partilhar, gosto mesmo. Tudo, ou quase tudo aquilo que acho que vai ser bom para quem me ouve, lê ou consulta. Gosto de oferecer coisas que eu própria gosto muito de ter, e dou por mim, várias vezes, a comprar presentes que já comprei para mim ou para os meus filhos. Neste contexto, partilho inúmeras vezes na minha conta de instagram os pequenos almoços lá de casa, ora meus, ora dos meninos, regra geral, bastante saudáveis, apelativos e muito variados. E, por isto mesmo, fui desafiada pelo meu amigo João Moreira Pinto, (em Outubro cof, cof cof) a escrever um post com sugestões de pequenos almoços saudáveis para os mais pequenos. Ora espreitem lá aqui!!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Questões para lá de pertinentes #29


Como é que se explica, no segundo mês do ano de 2017, que alguém, algures nos seus 30 anos, me pergunte se o meu endereço de email leva acento?



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Zebras, a morte, fotografias e a nossa mania de os salvar.


Quase dois meses depois tive de lhes contar que a zebra Tombi, que acompanhavam desde o segundo dia de vida, tinha morrido. No entanto, depois de tanto sofrimento a que já assisti naqueles dois por outras mortes de animais, desta vez não tive coragem para falar a verdade e disse que a Tombi já não estava na quinta porque tinha ido para um Jardim Zoológico. A primeira pergunta foi do Diogo, que quis saber se nunca mais a íamos ver, ao que o Miguel respondeu de forma muito pragmática: vamos a esse jardim zoológico e estamos com ela. Disse que não era possível, que era numa cidade muito longe e, nesse momento o Diogo desata a chorar, mas a chorar a sério. Revoltado. E eu quis um buraco para me enfiar porque me arrependi imediatamente de não ter dito a verdade, a minha mentira não lhe poupou qualquer tristeza, até acho que foi pior a emenda que o soneto, uma vez que o senti revoltado por não se ter despedido e apenas lhe terem dito na véspera de ir à quinta. 
O Miguel seguiu com a vida dele e foi, tranquilamente brincar. Mas o Diogo não. O Diogo deitou-se na cama, agarrou-se ao seu ursinho e  a mim numa tristeza... Pedi-lhe desculpa por lhe ter mentido, que não gosto mesmo nada de lhe mentir e contei-lhe o que realmente aconteceu. Pode até ter sido impressão minha, mas achei que, no meio do choro e da tristeza, se acalmou e disse logo que me desculpava, que eu menti "na hora certa", porque o Miguel estava no quarto, não ia entender a verdade e assim não ficou triste. Só este meu filho para dizer isto... Quis ficar agarrado a mim na cama, sentia-lhe a tristeza na força com que me abraçava e comovi-me também. 
Quando acalmou, sugeri-lhe imprimirmos umas fotografias que tínhamos tirado com a Tombi e colocá-las no quarto para que, desta forma, ficasse sempre presente. No dia seguinte, sem falhar, cheguei a casa com três fotos que ele emoldurou e, meticulosamente, escolheu o melhor local para pendurar.


E eu reforcei aquilo que tão bem sei, que não temos, nem devemos, nem precisamos de os salvar das tristezas da vida, das frustrações, da verdade, mesmo que isso magoe. Ele lidou, mais uma vez, com a morte,  percebeu a importância de termos momentos guardados em papel para que a saudade seja celebrada em honra de memórias felizes.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Questões para lá de pertinentes #28


O que leva alguém a criar a página de instagram do seu cão/gato/periquito/chinchila? 
Não daria para partilhar imagens do bicho na sua própria conta? E quando estes seres iluminados (e com muito tempo livre) possuem mais do que um animal e criam duas ou três páginas e, na biografia do bicho escrevem: Olá, sou o @Bobi, irmão mais novo do @Tareco, de forma a informar os visitantes que, aquele dono, administra mais do que uma página animal.
O cão/gato/piriquito/chinchila respondem às mensagens? Fazem likes nas próprias fotos? Seguem animais de outras espécies ou só da própria? Os bichinhos também terão haters que fazem comentários depreciativos à sua pelagem/plumagem ou mesmo quanto à sua forma física? Terão alguns patrocínios de marcas de ração?São eles que escolhem os filtros que mais lhes favorece o brilho do pelo/penas? Também partilham coisas no instastories? Será que, quando estes donos querem que os bichinhos procriem, lhes criam uma conta no Tinder? 

Há dias em que acordo com a cabeça carregadinha de pontos de interrogação.

Questões para lá de pertinentes #27


Sou só eu que acho estúpido quando vejo os donos da mercearia biológica da minha rua, cá porta a fumar?
É que não bate a bota com a perdigota. Estar preocupado, e bem, com todos os químicos e pesticidas presentes nas frutas e legumes e depois fazer inalações de benzeno e amigos, no mínimo é estranho.
Ou então aquilo é erva plantada no quintal das traseiras e, aí sim, há coerência.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Manhãs de sábado

Nem sempre gosto das manhãs de sábado, às vezes são confusas e atribuladas porque estou sozinha com os dois e com vontade de organizar e arrumar as coisas que foram ficando pendentes ao longo da semana. Para complicar, gosto de prolongar até a última o ligar da televisão. Se por um lado não sou muito inteligente em escolher orientar qualquer coisita em vez de brincar com os rapazes, por outro, sou chata no que toca a "tecnologias hipnotizadoras de crianças". Mas, regra geral a coisa flui, especialmente porque os ímpetos de arrumação não são assim tão frequentes. E, sábado passado, foi um dos bons. Houve direito a bolo de coco saudável, a fantoches do Dartacão com palhinhas, brincadeiras com dinossauros e alguma remodelação ligeira nos brinquedos que habitam lá por casa, sem recurso a qualquer DisneyPanda desta vida.
Ás vezes, ninguém sabe muito bem como nem porquê, mas há dias em que tudo corre bem, tudo flui com uma facilidade diferente.


A pedido de várias famílias (mentira, foram só duas), segue a receita do bolo:
1 chávena de farinha de coco
5 ovos
1/2 chávena de leite de coco light
1/2 chávena de açucar mascavado ou açucar de coco
2 colheres de sopa de óleo de coco
1 colher de chá de fermento em pó
Bater as claras em castelo. Bater as gemas, o açucar e o óleo de coco, adicionar o leite de coco aos poucos, mexendo sem parar. Depois colocar a farinha de coco e mexer suavemente, depois envolver as claras e o fermento. levar ao forno pré aquecido a 180º. (Na receita sugeriam 30 minutos, mas o meu demorou 50min e não ficou seco). 
A receita não é minha, vi algures na net e depois adaptei com alguns ingredientes que tinha em casa e, desta vez, a adaptação correu bem!! Ou pelo menos, bem o suficiente para já ter acabado.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Alegria é #21


Parar na berma duma rotunda (depois de ter dado duas voltas) para que eles pudessem ver, calmamente, o seu primeiro arco-íris. E depois, seguir por um caminho que não era o nosso, para termos onde parar o carro, sair das cadeirinhas para poder contar todas as cores. Alegria é ouvir o Miguel dizer, meio indignado, que o arco-íris não tem purple. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quéquinhos

Gosto de inventar receitas simples, saudáveis e docinhas para os rapazes e, estes queques, são uma das últimas invenções. Uso para pequeno almoço (deles e meu), para lanches ou para fomes inesperadas!!


A receita é simples, basta juntar uma banana grande ou duas médias, dois ovos, quatro colheres de sopa de farinha de aveia e, de vez em quando, junto também uma colher de sopa de iogurte grego e coco ralado a olho. Depois é só colocar em formas e rechear com o que a dispensa e a imaginação permitirem, como por exemplo: framboesas, mirtilos, pepitas de chocolate preto, manteiga de amendoim, compota, and so on, and so on. Cozinham em pouco mais de 10 minutos num forno aquecido a 150-180º. São tão rápidos que hoje acordei, misturei tudo na varinha mágica, pus no forno e fui-me arranjar enquanto estavam no forno.
Bom apetite!!


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cheiros e paixões

Cheiras-me a filho!
Disse-lhe enquanto o beijava, num destes dias ao regressar da escola. E, desde então que lhe digo esta frase mais do que uma vez ao dia. Sei que ele não a entende, mas também sei que acha alguma graça porque, não raras vezes, me passa a mão na cara cheio de mimo.
Não sei se todas as mães de mais do que um passam por isto, mas eu tenho fases de paixão por cada um deles. Não gosto sempre igual dos dois, ou pelo menos não os sinto sempre da mesma forma. E, nos últimos tempos ando apaixonada pelo Diogo e sinto-lhe o cheiro a filho com mais intensidade. Não é que me desleixe do Miguel, não é isso, mas o amor é uma coisa e a paixão é outra. Amo todos os dias e todas as horas aqueles dois, mas tenho alturas de paixão separadas para cada um. E, nessas alturas, o cheiro a filho vem mais intenso do pescoço daquele para quem a minha paixão se dirige. Nestes períodos, acho-o ainda mais bonito,  mais engraçado, confesso até que me sinto mais paciente com ele, mais fácil a ceder. Não sei se isto faz sentido para mais alguém, mas eu até acho alguma piada a estes enamoramentos temporários, porque sei que são isso mesmo, temporários e que. logo a  seguir, há-de vir uma paixão assolapada pelo outro e assim sucessivamente. No fundo, é um caso de poliamor maternal!!


E, por estes dias, é este que mais em cheira a filho.