A cada criança que me nasce o tempo de gestação aumenta em quase uma semana. É provável que o anterior deixe o espaço agradável e macio para que o seguinte não queira sair, é provável que este útero experiente seja ainda mais apetecível do que um útero a estriar, ou então é apenas a preguiça crescente destes meus filhos... Não sei, mas o que é certo é que nunca imaginei chegar a este limite. Não é um limite físico, de exaustão, de dores ou noites mal dormidas, nada disso. Fisicamente tenho muito pouco do que me queixar, com exceção da natural lentificaçao a que assisto em todas as minhas atividades diárias e isso, isso sim mexe comigo. De resto, durmo noites inteiras, não tenho uma única dor de costas, não sinto cansaço, mantenho até alguma agilidade, mas já chega.
E hoje, sexta feira 13, dia de azar para quem é supersticioso, parece-me um dia perfeito para se nascer. Ou melhor, parece-me o dia perfeito para a minha Beatriz nascer. Treze era o número da sorte da minha avó Bi, a pessoa que marcou com uma doçura única a minha infância e adolescência e, foi por tantas vezes a ouvir falar da sua mãe Beatriz, minha bisavó, que sempre soube que esse seria o nome da minha filha. É certo que até agora ela pouco colaborou com as minhas vontades, mas hoje pode ser que o Universo e a minha avó Bi conspirem a nosso favor e a tenha nos braços dentro de poucas horas.













