quarta-feira, 23 de maio de 2018

Beatriz

Quarenta semanas e cinco dias foi o tempo que precisamos esperar para te ter no colo. E que dia louco foi o 18 de Abril, que montanha russa de emoções vivemos eu e o teu pai. Uma ida à urgência para que alguém te incentivasse a sair, três médicos que achavam mais prudente esperar que espontaneamente quisesses nascer e uma médica (bruta como um camião) que achou que aquele até era um dia bom para nasceres. Um toque que me fez doer até à alma, recomendações de ir caminha e comer um almoço leve. Seguiu-se um wrap de frango e uma tarte banofee com vista para o mar, 5km de caminhada no primeiro dia de sol e calor e um regresso ao hospital. E depois, aquilo que se sabe, ou pelo menos que eu bem sei. Em poucas horas nascias, com um choro forte e ininterrupto durante minutos, umas preguinhas nas coxas e braços com que não contávamos e cheia de saúde. E, por mais filhos que eu tenha, aquele momento em que me colocam no colo, o corpo quente, pegajoso e escorregadio junto à minha pele, é esse o momento em que eu choro. Foi assim com os teus irmãos e foi assim contigo. Fizemos as pazes nesse segundo e "perdoei-te" todas os pequenos obstáculos que me foste obrigando a ultrapassar nestes 9 (ou 10) meses. Aqueles momentos em que te chamo "minha filha" pela primeira vez enquanto te agarro, te toco, te beijo são tão intensos, tão únicos e ficam-me agarrados à pele. Acho que é aí que o nosso amor verdadeiramente nasce.


Longe de ser a nossa imagem mais bonita, é a nossa primeira, o nosso primeiro, de tantos, tantos, abraços. É aqui que o meu colo nasce para ti.


18 de Abril 2018
Hospital de S. João, Porto
20.44h
3.590kg, 50,5cm


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Quarenta


A cada criança que me nasce o tempo de gestação aumenta em quase uma semana. É provável que o anterior deixe o espaço agradável e macio para que o seguinte não queira sair, é provável que este útero experiente seja ainda mais apetecível do que um útero a estriar, ou então é apenas a preguiça crescente destes meus filhos... Não sei, mas o que é certo é que nunca imaginei chegar a este limite. Não é um limite físico, de exaustão, de dores ou noites mal dormidas, nada disso. Fisicamente tenho muito pouco do que me queixar, com exceção da natural lentificaçao a que assisto em todas as minhas atividades diárias e isso, isso sim mexe comigo. De resto, durmo noites inteiras, não tenho uma única dor de costas, não sinto cansaço, mantenho até alguma agilidade, mas já chega. 
E hoje, sexta feira 13, dia de azar para quem é supersticioso, parece-me um dia perfeito para se nascer. Ou melhor, parece-me o dia perfeito para a minha Beatriz nascer. Treze era o número da sorte da minha avó Bi, a pessoa que marcou com uma doçura única a minha infância e adolescência e, foi por tantas vezes a ouvir falar da sua mãe Beatriz, minha bisavó, que sempre soube que esse seria o nome da minha filha. É certo que até agora ela pouco colaborou com as minhas vontades, mas hoje pode ser que o Universo e a minha avó Bi conspirem a nosso favor e a tenha nos braços dentro de poucas horas.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Um de cada, se faz favor






Tudinho da Gocco, a única loja onde entrei e não fui invadida por uma overdose de cor de rosa no que toca  a roupa de menina. Nada contra o rosa, mas de cada vez que vou espreitar as lojas fico logo enjoada, porque parece que as meninas não usam mais cor nenhuma. Depois de 7 anos em que ia SEMPRE espreitar a coleção de menina de cada vez que ias às compras para os rapazes, agora que posso lá ir intencionalmente deixou de me apetecer e, confesso que fui ultra controlada no que toca a compras. Até estou com medo de ter sido demais... Não me sinto atraída por golas de rendas, folhos, laços, saiais e afins e tenho ideia de já ter gostado disso tudo. Eu, que a vida toda me imaginei com três filhas (Beatriz, Carolina e Catarina), mergulhei no mundo azul e estou mesmo à espera de a ter nos braços para baixar em mim o espírito de "Mãe de menina", seja lá o que isso for...


Pefect


Não sei porquê, mas quando, algures no meio do Inverno ouvi esta música na rádio, longe de ser a primeira vez, senti o coração acelerado e imaginei-me "dancing in the dark with you between my arms". Imaginei-me com a Beatriz nos braços, nas danças nocturnas que serão só nossas, longe de serem perfeitas, longe de serem a melhor parte desta coisa da maternidade, mas será a nossa dança. E eu espero ter a clareza de espírito para o sentir assim. Não sei se vou ter noites longas como as do Miguel, mas espero que desta vez não me volte  a ver envolvida nessa luta para mudar o que não depende 100% de mim. Não desejo noites recortadas até aos quase dois anos outra vez, longe disso, mas desta vez sei que aguento, que sobrevivo, que não vai durar para sempre. Acredito que me espera uma dança bem mais calma. Uma calma minha, não dela, não tenho ilusões, mas de uma forma ou de outra será Perfect.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Ao menos fazia-te feliz


Chateei-me com o Diogo ontem ao final da tarde no carro a caminho de casa, tinha sido mal educado ignorando as indicações que lhe dávamos, chamei-o à atenção e, como sempre, não gostou. Chegamos a casa, o pai deu-lhe banho e aparece-me no quarto a pedir uma massagem com o creme hidratante. Disse-lhe "Sinceramente não me apetece porque estou chateada contigo, ou tu achas que te apetecia fazer uma massagem a uma pessoa com quem te acabaste de chatear?". Começou a fazer beicinho, os olhos encheram-se de água e, no meio do seu esforço para não desatar a chorar, deu-me mais uma chapada à Diogo
- Eu fazia a massagem, ao menos fazia a outra pessoa feliz...
E eu engoli em seco, pedi-lhe que se virasse de costas e lá teve direito à sua massagem que tanto adora.
Às vezes (tantas) não sei lidar com a sensibilidade deste meu filho, porque disse aquilo com toda a sua honestidade. Se por um lado adoro este seu lado tão único que o faz empático, meigo e especialmente perspicaz para os sentimentos de quem o rodeia, também o torna de amuo fácil porque com tão pouco fica triste, uma tolerância reduzida à frustração e uma choraminguice que nos rouba o discernimento tantas vezes... E, se o lado bom desta sua sensibilidade e gosto em agradar eu queria saber manter e preservar para sempre, o outro lado por vezes domina-me e sei que nem sempre consigo o equilíbrio certo para preservar a sua doçura e mandar a choraminguice para o espaço. Estão ligadas, a base é a mesma  e nós ficamos no limbo para não estragar a sua melhor característica ao querer diminuir drasticamente aquela que mais nos incomoda. 
E um livrinho de instruções, não se arranja??

Questões para lá de pertinentes #32

Como é que um corpo que me obriga a fazer xixi a cada meia hora, ainda tem a lata para fazer "retenção de líquidos"?

sexta-feira, 23 de março de 2018

Elas não matam, mas moem

Pregou-nos o primeiro susto no momento de primeira ecografia, não aparecia... ficou, durante largos e dolorosos minutos a possibilidade de se tratar duma gravidez ectópica, dum falso positivo.. Foi preciso ir para um ecógrafo de maior definição para que ela se deixasse ver, implantadinha no sítio certo, mas mais jovem do que seria de pensar. Por precaução tive de utilizar uns óvulos hormonais que me faziam parecer grávida de 3 meses, quer na barriga, quer nas mamas, tudo em grande em plenas férias. Às 12 semanas tive direito à minha primeira ida à urgência, nada de grave, tudo no sítio, mas com direito a umas horas de angústia. Na ecografia do primeiro trimestre descobre-se uma placenta anterior que pode ter duas implicações: a menos grave é que iria demorar mais a sentir a bebé ou ter muito menos perceção dos seus movimentos na gravidez toda, ou, caso essa placenta ficasse anterior e baixa, a total impossibilidade dum parto normal. Felizmente a placenta subiu, demorei muito mais a sentir os seus pontapés (contrariamente ao que seria expectável numa terceira gravidez), mas diariamente sou brindada com partes do corpo que gentilmente de espetam nas costelas e bexiga. No entanto, a placenta subida, conjugada com uma criança que permanece sentada no trono às 37 semanas, faz com que seja totalmente impossível ter uma imagenzinha do seu rosto, que está estrategicamente colocado atrás da placenta. Tristeza grande para os meus filhos que me pedem fotos da mana de todas as vezes que sabem que venho da consulta. Ás 28 semanas aquele maravilhoso teste da glicose dá estupidamente positivo. Estupidamente porque deu muito alto? Não. Estupidamente porque o limite seriam 153 e deu 154!! Consequência: diagnóstico de Diabetes Gestacional com direito a 4 picadas diárias nestes dedos de princesa e algum controle alimentar. Ficaria muito menos irritada com esta condição se, de facto, tivesse valores alterados aqui e ali, mas não... Dois meses de picadinhas amorosas nas polpas dos dedos e está tudo normal. Eu sei que é estúpido eu desejar ter os açucares destrambelhados, não o desejo obviamente, mas o raio da análises podia ter dado 1 pontinho abaixo e era menos uma coisa para eu consumir a minha alma. Nas mesmas análises do segundo trimestre aparece-me, pela primeira vez, anemia. Ok, é a anemia fisiológica da gravidez, normal normalíssimo, mas nunca antes me aconteceu nas outras duas gravidezes e eu percebo que sou gaja que lida mal com as suas fragilidades. Por volta das 30 semanas, nova ida ao serviço de urgência, por dores com três horas de evolução, mas que foram susto e mais nada. No total de três gravidezes tive duas idas à urgência e foram todas para a menina Beatriz. Entretanto, consulta, atrás de consulta e rapariga com manias de elegância engorda em passo de caracol e vai de ficar de baixa mais cedo do que previsto e continua sem virar de cabecinha para baixo às 37 semanas, coisa que os irmãozinhos fizeram algures às 30 semanas. Sendo menina e estando sempre sentada acresce bastante o risco de ter displasia da anca e me trazer mais uma ligeira consumição de alma. Versão cefálica externa (Google it), parto pélvico, cesariana? Tudo hipóteses com os seus riscos implícitos e cabe-me a mim escolher a opção a tomar. Como se não bastasse e porque me parece que esta gravidez é tipo hotel com "tudo incluído", vou ter direito a ter de fazer um antibiótico durante o parto porque uma porcaria duma análise deu positiva.

Ora bem, bem vistas as coisas não há aqui nada de muito grave, nada realmente sério e preocupante, mas estas niquices não matam, mas moem. Junta-se a isto uma maior labilidade emocional nunca antes sentida e temos o cocktail ideal para que eu pretenda dar à Beatriz uma bela duma palmada naquele rabinho magrinho mal nasça, sendo que apenas a perdoo se der uma cambalhota nas próximas 48h, engordar convenientemente e nascer, tal como os irmãos, de forma rápida e indolor às 39 semanas. Prometo que aí eu esqueço tudinho e fazemos as pazes.

quinta-feira, 22 de março de 2018

domingo, 18 de março de 2018

A nobre arte de tomar decisões

Não posso comer demais porque a miúda lembrou-se de me brindar com uma diabetes gestacional, mas entretanto mandaram-me ficar em modo de semi-repouso e "comer para a frente" porque a rapariga anda a crescer pouco. O fisioterapeuta mandou-me passar o mínimo possível de tempo sentada/ deitada e tentar mexer sempre qualquer coisinha todos os dias para que o problema na minha anca não agrave, mas de forma a que a Beatriz cresça talvez seja melhor parar com o ginásio. Como estou com diabetes, o meu peso não pode aumentar muito, mas se paro o ginásio e se me ponho no sofá a comer e dormir fica difícil não engordar que nem uma lontra. A Beatriz ainda não virou e tenho de optar entre fazer a manobra de versão cefálica externa, que me pode induzir o trabalho de parto, tentar o parto pélvico ou ir para uma cesariana que era tudo o que não queria. Como ela é um bebé pequeno, ainda tem espaço para virar e isso facilita a manobra, mas se me mandam ficar em casa a repousar é provável que ela engorde mais um bocadinho e complique tudo o resto. A manobra para por a bebé de cabeça para baixo, para além de ter o risco de me iniciar o trabalho de parto mais cedo do que deveria, pode trazer a vantagem de diminuir bastante o risco da Beatriz ter displasia da anca, patologia mais associada a bebés do sexo feminino e que estão sentadinhas na barriga.
Alguém tem decisões para a troca?


Qual é, qual é

Qual é a pior coisa deter de ir a um casamento às 36 semanas de gravidez?

Ter de arranjar uma roupa aprestável e que não me faça parecer um saco? Não
Aguentar umas valentes horas em cima duns tacões com um mínimo de salto? Não
Não poder beber um gin nos aperitivos? Não
Resistir estoicamente a entradas, pratos, bolos, mesa de doces e queijos porque peso já temos o suficiente no lombo? Não
Não dançar mais do que uma música seguida? Não

O pior é mesmo ter de tirar a maquilhagem. Juro... É que se no dia a dia basta um disco desmaquilhante com um bocadinho de tónico, nestes dias gasto três ou quatro e tenho de usar tónico e o desmaquilhante de olhos e o camandro. Não fui feita para estes rituais, não fui mesmo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Abri o blogger para me vir lamentar do facto da minha criança ainda não ter virado e que, caso isso não aconteça nos próximos 15 dias, acaba-se o espaço e posso ter de ir para cesariana.
Mas entretanto tive uma manhã de consultas pesadas... uma mãe que perdeu a filha adolescente há 10 anos para uma leucemia e, o tempo não lhe cura a dor e outra mãe que vem do IPO para a consulta porque o filho adolescente teve uma recaída da sua leucemia. E eu, juntamente com as minhas hormonas, tentei aguentar-me a não chorar com elas, tentei não ser médica o suficiente para saber o que acontecem nas recaídas. Hoje foi mau, foi triste. Não há doenças boas, mas esta é para lá de injusta.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Carnavalices

Sempre gostei do Carnaval e podem-se contar pelos dedos duma mãos as vezes que não me mascarei, mesmo na idade adulta. Claro que o gosto dobra quando há duas pessoas pequenas em casa para mascarar e, pelo menos uma dessas pessoas, Miguel de seu nome, costuma dar-me trabalho nesse campo. Não porque não goste de se mascarar, mas antes porque a sua criatividade e as suas ideias fixas, lhe permitem escolher personagens cujas roupas não existem. Aos 2 anos escolheu ir de Raiva, personagem do Divertidamente, aos 3 foi de Gato da Cartola, personagem dum livro que adora, e este ano quis ir de Buck a doninha louca do filme Idade do Gelo. Tenho a sorte de ter uma sogra que trata da maior parte do processo e com uma costureira maravilhosa neste campo, mas há sempre coisas e adereços que me complicam a vida. 
Este anos, uns dias antes do Carnaval, comentava este lado do Miguel com uma mãe dum menino da sala dele e como tinha dado voltas à cabeça, e aos sites todos, para arranjar a espada do Buck, que é um dente de dinossauro envolto em lianas. Disse-me que o filho dela, felizmente, ainda não escolhe as máscaras (ou não tem direito a escolher, fiquei na dúvida) e, para ela isso era uma coisa boa. Já eu, apesar da trabalheira, acho este lado do Miguel maravilhoso. Criativo, original,com ideias e opiniões muito próprias, sem seguir as cabeças e ideias alheias. Aliuás, está-se bem nas tintas quando lhe digo que os outros meninos não vão fazer a mínima ideia daquilo que ele está mascarado. Ainda por cima, escolhe personagens com as quais se identifica e com as quais eu também o identifico muito. Se aos dois anos o Miguel era bastante impulsivo e quis ir de Raiva, ao longo dos anos foi escolhendo personagens cómicas, ligeiramente loucas e com um humor bastante non sense, tal como ele. Isto para mim é fantástico e, enquanto der, não tento sequer contrariar este lado, mesmo que com uma barriga de 7 meses tenha de percorrer Santa Catarina, em vésperas de Carnaval para ir tentar comprar a última lança de guerreiro romano (coisinha mais parecida com dente de dinossauro) para a noite lhe dar uma (duas ou três...) pintadela de branco. 




terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Agora é que vai ser diferente

Tenho dois filhos rapazes, estou grávida duma menina e, se eu recebesse um euro por cada vez que ouço "ui, agora é que vai ser diferente" quando as pessoas se apercebem desse facto, já teria amealhado bastante para gastar tudo em fraldas. De cada vez que essas frases me entram pelo ouvido a dentro, a imagem dos meus dois filhos, rapazes, salta-me logo na cabeça. Se fisicamente não poderiam ser mais opostos (um loiro de pele branca, o outro moreno com uma pele de fazer inveja, um que com quase 5 anos mantém mãos e pés papudos como se fosse ainda bebé, o outro todo esguio, um de perna curta e o outro com pernão que não acaba) em termos de feitio e comportamento também não lhes consigo ver semelhanças... Quando ouço que agora, porque vou ter uma menina, é que vai ser diferente, automaticamente uma tabela comparativa de feitios dos meus dois rapazes é elaborada mentalmente e, caramba, há coisas em que são totalmente opostos e eu não posso ser uma Mãe igual para os dois. O Diogo é responsável, organizado, arrumado, não preciso de lhe lembrar para fazer os trabalhos de casa, adora passar horas sentado a montar legos, é melodramático, choramingas, insatisfeito, extrovertido, confiante, falador, uma vontade enorme de agradar, às vezes não olhando a meios para agradar o outro, com grande dificuldade de ferir susceptibilidades, mesmo que para isso não seja totalmente honesto consigo próprio, influenciável, proteccionista nos trabalhos, cuidadoso. O Miguel é um pequeno tractor, detesta arrumar, adora brincadeiras físicas que envolvam contacto corporal e  lutas, é concentrado, pragmático e com uma excelente capacidade de se controlar, nunca foi dado a birras e chora muito pouco, mesmo quando de magoa a sério, é honesto e fala a sua verdade sem medos, é trapalhão, abrutalhado e todos os dias vira um copo ou um prato, é muito criativo, tímido nos contactos iniciais e, apesar de estar claramente a mudar, não gosta de grande exposição.
Se agora é que vai ser diferente?? Pois claro que será diferente, mas não porque é menina, mas porque é outra pessoa, outra forma de ver o mundo. Óbvio que há diferenças inerentes ao sexo, não tenho de insistir para que puxe a pilinha para trás quando faz xixi, vou ter de comprar amaciador cá para casa e mais elásticos para o cabelo, vou assitir a um proteccionismo maior por parte dos irmãos, talvez me envolva num mundo de princesas cor de rosa, mas isto está longe de ser a grande diferença. A diferença será ela, a sua essência, a sua natureza e eu farei nascer uma terceira Mãe em mim para que me adapte mais uma vez.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ansiedades boas

Ansiava que o Diogo soubesse ler, pelo poder e conhecimento que isso lhe traz. Ansiava que ele soubesse ler para lhe poder mandar recados surpresa na lancheira. 
Hoje foi o primeiro. "Amo-te batata", para que saiba que só posso ter sido eu a escrever.
Agora anseio pelo final do dia para saber o que achou da surpresa.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Alerta #2


E cabe-me alertar-vos novamente, para produtos do demónio. Desta vez trata-se dum cocktail de frutos secos, composto por arandos e passas desidratados com pistácios, amendoas e pós mágicos viciantes (este último ingrediente não está descrito na listagem, mas eu estou muito desconfiada). 
Mais vos informo que abri o pacote após o almoço, para ter um ligeiro acompanhamento do café e devorei o pacote inteiro. Ah e tal, muito saudável, gordura muito boa para o cérebro da Beatriz, açucar apenas da fruta, muita fibra e coiso e tal... mas lambuzei quase MIL CALORIAS após o almoço. MIL. MIL....

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Alegria é #26

...descobrir um novo dom maravilhoso no filho mais velho e ter plena certeza que vou abusar da sua boa vontade o máximo de vezes que conseguir. 
Não digam nada a ninguém, mas o Diogo faz umas massagens maravilhosas e, quem me conhece, sabe o quanto eu gosto de festinhas, miminhos, massagens, que me cocem as costas e afins.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Parem o relógio.Urgentemente.

Disse aqui, em janeiro deste ano, que lhe repeti por diversas vezes a frase "cheiras-me a filho" e, nas últimas semanas, ao regressar da escola, o rapaz cheira-me a suor. Ok, é levezinho, continua a ser o cheiro do meu filho, mas não o cheiro do meu bebé. Confesso que fui inspeccionar directamente ao sovaco para ter a certeza que não estaria com alucinações olfactivas, que o cheiro não viria da roupa por algum adulto acabado de correr a maratona se ter encostado... Como é que é possível? Não há uma lei que proíba crianças de  seis anos e nove meses de terem cheiro a adolescente??
Não me conformo.
Não estou preparada.
Não quero estar e tenho raiva de que esteja.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

É que é tal e qual...

Li agora este post no blogue Amãezónia e, se o meu touro (a.k.a Miguel) não se enquadra praticamente nada nesta descrição, já o meu peixe (a.k.a. Diogo) não poderia estar melhor.

"Peixes: as esponjas do zodíaco infantil. Topam tudo, por isso esqueçam aquela ideia de falar sobre eles com terceiros enquanto eles brincam ao lado com legos. Eles estão ligados. O humor matinal e as explosões emocionais podem ser questões delicadas, nada de abusar. Como são ultra-sensíveis os pais têm que estar sempre atentos para não pisarem a linha. Isto pode ser esgotante para uma mãe galinha (descontrai amiga). Dizem sempre maravilhas deste signo mas por experiência própria, acreditem, podem ser um osso duro de roer. Porque vivem no mundo da imaginação há alta possibilidade de estas crianças vos imaginarem continuamente com cabeça de dinossauro ou unicórnio.
Principal característica: birras (do tipo dramático).

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Homens de família

O Diogo entrou para a escola com dois anos e meio e, passados meia dúzia de meses já falava da Carolina como sendo sua namorada e, algures na sala dos 3 anos, um ano depois, perguntou-lhe se ela queria casar com ele, ela aceitou e ele disse que o Paulo Gonzo iria cantar no casamento deles. Segundo ele, iam ter 14 filhos (??) e, para esse efeito, ele ia comprar um camião (??) porque um carro normal não dava para tantas cadeirinhas. Traziam flores um para o outro, ficavam envergonhados quando se encontravam fora da escola e ai de quem dissesse ao Diogo que era melhor arranjar outra namorada, chegou a chorar de fúria quando lhe sugeriram trocar. Entretanto, no início dos 5 anos a Carolina disse que não queria namorar mais porque, segundo a irmã mais velha, os rapazes eram uns chatos. O Diogo andava triste, chorou quando me contou e o tempo fez a sua parte. 
O Miguel entrou para a escola com dois anos e meio e, já quase no final do seu primeiro ano de creche, foi falando com mais amor da Beatriz, que era a melhor amiga e, resolveram assumir o namoro (de início muuuuito mais ela do que ele) já na sala dos 3 anos. Falam um do outro em casa quando estão de férias, ficam tristes quando um não vai à escola. Há duas semanas atrás começou com uma conversa acerca de casamento e de que iria casar com a Beatriz. Pela forma como me falou achei por bem perguntar-lhe se a Beatriz estava a par desses seus planos e ele disse-me que lhe iria contar. Lá lhe expliquei que tem de a pedir em casamento, que pode usar um anel para esse efeito e não apenas comunicar-lhe os factos. Dias mais tarde, trouxe da fábrica do pai uns "brilhantes" e guardou-os no bolso para oferecer  e, numa sexta ao final da tarde, recebo mensagem da mãe da minha nora dizendo que a filha estava noiva e radiante com o seu "brilhante de verdade" que serviria para ela construir o anel. (adoro esta geração DIY). O Miguel já me contou que vai casar apenas quando for adulto, aos 18 anos (??) e muito desprendido  diz-me que vai para outra casa e eu fico na minha (o meu bebé ultra dependente de mim foi para onde?).
Posto isto, tenho dois projectos de homens casadoiros, com vontade e planos sérios de constituir família e abandonar o meu colo... Pensando bem, não sei se acho assim tanta graça.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sacanas das hormonas

Hoje, em pleno trânsito, dei por mim emocionada, de olhos cheios de água enquanto me apercebia que o Miguel vai fazer 5 anos...
... em Maio do próximo ano.

domingo, 26 de novembro de 2017

As tais vinte

As vinte semanas são uma marco, quanto mais não seja porque dizem que é no meio que está a virtude. Já senti os outros "meios" ao ponto de os escrever, primeiro estes e dois anos depois estes. Nunca são iguais e, diga-se o que disser, não se vive a segunda e a terceira gravidez com a intensidade da primeira. Porque o factor novidade esmorece, porque já sabemos muito bem ao que vamos, o que é ou não normal e expectável sentir e acontecer, porque temos filhos fora de nós que nos ocupam o colo, a cabeça e as preocupações também. Não é melhor, nem pior, é apenas diferente. E apesar de o ter escrito consciência plena de que isto é o normal, por vezes tenho pena de não sentir aquele entusiasmo da primeira vez, é como se agora toda a emoção e  amor estivessem guardados para quando a vir. Não sinto aquela loucura duma primeira gravidez e, contribui para isso o facto de, por ter a placenta anterior, mesmo já estando a meio (ou a mais do que isso) ainda não a sentir porque  aplacenta lhe amortece os movimentos. Saber que se está grávida é bom, ver as ecos é emocionante, mas ter aqueles toques e mexidelas ao longo do nosso dia ajuda a lembrar que temos uma pequena pessoa muito nossa a crescer às nossas custas. Como se, ao longo das horas eles nos fossem lembrando que estão por ali. E, nesta fase estes movimentos são bons, ainda estou ligeiramente distante da fase em que sentimos um pé a empurrar as costelas, outro a esmagar o fígado e uns apertos no estômago. Sim, porque aí não haverá placenta que me safe...
Apesar de, em teoria, as vinte semanas marcarem o meio, eu desejo do fundo, fundinho do meu coração que o meio real desta gravidez já esteja mais do que ultrapassado. Porque a barriga está gigante, porque me basta a estria que me apareceu no finalzinho da gravidez do Miguel, porque suspeito bem que a anca me vai doer a gravidez toda com uma linda tendência para agravar à medida que a menina cresce, porque já me custam apertar as fivelas dos sapatos, porque o Miguel continua a pedir colo, porque os meninos estão ansiosos por ter a mana cá fora, porque me vai saber pela vida ter de novo um bebé colado a mim, porque estou muito curiosa para saber se desta vez vem uma loira ou morena, porque continuo sem me imaginar envolta em laços, folhos, rendas e cor de rosa, porque não queria passar dos 10 kilos. É só por isto.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Alerta

O demónio enfiou-se dentro dum frasco. Não comprem, não provem, desviem-se das prateleiras de supermercado, não lhe sintam sequer o cheiro. 
Eu não fui a tempo, mas tu ainda tens hipóteses.

(trata-se duma manteiga de amendoim carregadinha de pequenos e crocantes pedaços dessa leguminosa safada)