Quarenta semanas e cinco dias foi o tempo que precisamos esperar para te ter no colo. E que dia louco foi o 18 de Abril, que montanha russa de emoções vivemos eu e o teu pai. Uma ida à urgência para que alguém te incentivasse a sair, três médicos que achavam mais prudente esperar que espontaneamente quisesses nascer e uma médica (bruta como um camião) que achou que aquele até era um dia bom para nasceres. Um toque que me fez doer até à alma, recomendações de ir caminha e comer um almoço leve. Seguiu-se um wrap de frango e uma tarte banofee com vista para o mar, 5km de caminhada no primeiro dia de sol e calor e um regresso ao hospital. E depois, aquilo que se sabe, ou pelo menos que eu bem sei. Em poucas horas nascias, com um choro forte e ininterrupto durante minutos, umas preguinhas nas coxas e braços com que não contávamos e cheia de saúde. E, por mais filhos que eu tenha, aquele momento em que me colocam no colo, o corpo quente, pegajoso e escorregadio junto à minha pele, é esse o momento em que eu choro. Foi assim com os teus irmãos e foi assim contigo. Fizemos as pazes nesse segundo e "perdoei-te" todas os pequenos obstáculos que me foste obrigando a ultrapassar nestes 9 (ou 10) meses. Aqueles momentos em que te chamo "minha filha" pela primeira vez enquanto te agarro, te toco, te beijo são tão intensos, tão únicos e ficam-me agarrados à pele. Acho que é aí que o nosso amor verdadeiramente nasce.
Longe de ser a nossa imagem mais bonita, é a nossa primeira, o nosso primeiro, de tantos, tantos, abraços. É aqui que o meu colo nasce para ti.
18 de Abril 2018
Hospital de S. João, Porto
20.44h
3.590kg, 50,5cm














