quarta-feira, 16 de março de 2011

Sentimentos ao minuto

Desconfiança
Quinta, 18.30h, sala de espera do Obstetra. A consulta era para "dar uma ajudinha", de forma a que o Diogo nascesse entre sexta e sábado, mas algo me dizia que tal não ia acontecer.
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Surpresa
Ao levantar do sofá para me dirigir ao consultório tenho ruptura de membranas, o Diogo queria oficialmente nascer. Ficamos felizes, ríamos...
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Calma, muita calma
Recebi instruções para ir a casa, pegar nas malas e rumar ao hospital. Sentia uma calma que me fazia confusão, o meu filho ia nascer e eu era a mais calma do grupo (pai, avó e tia). Confesso que senti que era falta de consideração com o Diogo, eu estava como se a coisa mais importante da minha vida não estivesse prestes acontecer... Mesmo quando as contrações começaram e aumentaram e aumentaram, eu mantinha-me calma. Estranho...
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Turbilhão. Loucura. Esforço.
E é assim que descrevo o "nosso trabalho de parto". Rápido e intenso, sem margem para sentimentos elaborados ou muito pensados. Os movimentos eram puramente instintivos, o corpo pedia-os e eu obedecia, sem o mínimo de raciocínio.
O meu cérebro e o meu coração eram o Pedro.
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Calor
Foi o que senti quando me puseram aquele corpo quente, pequeno, húmido e MEU no colo. Confesso que sempre achei que seria nesta hora que o meu coração explodia de amor e de felicidade plena, mas não... O cansaço era tal ( e a falta de oxigenação cerebral, segundo o Pedro) que os meus sentimentos estavam anestesiados, confusos, dormentes. Lembro-me do toque da pele dele, húmida, no meu peito, o choro forte...
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Explosão de amor
Depois de todos os procedimentos necessários, depois do Pai o vestir, o Diogo veio de novo para o meu colo, para mamar. No exacto momento em que, aquela boquinha mínima e perfeita agarra o meu peito, com uma força voraz, o meu coração explodiu, os meus olhos encheram-se de água e a minha vida cresceu. Cem anos passem e este instante será eterno na minha memória.
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Paz
Não há outro sentimento possível quando se olha para aquele anjo a dormir ao meu lado. Fomos para o quarto, exausta, com corpo a pedir sono e eu a lutar contra... Não queria dormir um segundo, de forma a não perder cada instante, cada expressão, cada movimento sereno. Que tranquilidade...
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Responsabilidade vs Medo
E foi o que senti, domingo a noite, enquanto subiamos, os 3, o elevador para ir para nossa casa. Agora éramos só nós... Aquela vidinha cheia de futuro era nossa, total e absoluta responsabilidade, uma dependência maior que o mundo. Que medo incrível de falhar. E o banho? E as noites compridas? Será que ele vai mamar bem? Vai ter dores? Vamos estar á altura do que aquele meio metro de gente precisa? Que aperto no peito, entre e a cave e o oitavo andar!
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Felicidade imensa
E assim são agora os meus dias!

4 comentários:

marta disse...

"Encore" de lágrimas para a Tia Marta!!

Que maternidade tão pura que agora te enche essa alma.
Que sentir tão bem (d)escrito.

Eu remeto-me ao silêncio de um sorriso. E à baba... E às lágrimas :)
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Anónimo disse...

As minhas lágrimas ainda caem rosto abaixo ao ler esta tua aventura... Conseguiste descrever o indiscritível... E a felicidade q agora recheia o teu dia a dia é proporcional ao amor q vai crescendo e crescendo choro após sorriso!!! Parabéns... Como te disse, este amor é incondicional... Ahhhh ele é LINDO!!! Passado na aprovação da Benedita...
Estou ansiosa por ter esse menininho no meu colinho!!!

Beijos
Mara Capela

Rakell disse...

Estas palavaras são INCRIVEIS! parabens pela forma como descreves aquilo que sentiste e sentes! :) é impossível ler e ficar indiferente!
Beijo grande

XaVier disse...

que lindo Ana... adorei...