Desconfiança
Quinta, 18.30h, sala de espera do Obstetra. A consulta era para "dar uma ajudinha", de forma a que o Diogo nascesse entre sexta e sábado, mas algo me dizia que tal não ia acontecer.
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Surpresa
Ao levantar do sofá para me dirigir ao consultório tenho ruptura de membranas, o Diogo queria oficialmente nascer. Ficamos felizes, ríamos...
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Calma, muita calma
Recebi instruções para ir a casa, pegar nas malas e rumar ao hospital. Sentia uma calma que me fazia confusão, o meu filho ia nascer e eu era a mais calma do grupo (pai, avó e tia). Confesso que senti que era falta de consideração com o Diogo, eu estava como se a coisa mais importante da minha vida não estivesse prestes acontecer... Mesmo quando as contrações começaram e aumentaram e aumentaram, eu mantinha-me calma. Estranho...
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Turbilhão. Loucura. Esforço.
E é assim que descrevo o "nosso trabalho de parto". Rápido e intenso, sem margem para sentimentos elaborados ou muito pensados. Os movimentos eram puramente instintivos, o corpo pedia-os e eu obedecia, sem o mínimo de raciocínio.
O meu cérebro e o meu coração eram o Pedro.
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Calor
Foi o que senti quando me puseram aquele corpo quente, pequeno, húmido e MEU no colo. Confesso que sempre achei que seria nesta hora que o meu coração explodia de amor e de felicidade plena, mas não... O cansaço era tal ( e a falta de oxigenação cerebral, segundo o Pedro) que os meus sentimentos estavam anestesiados, confusos, dormentes. Lembro-me do toque da pele dele, húmida, no meu peito, o choro forte...
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Explosão de amor
Depois de todos os procedimentos necessários, depois do Pai o vestir, o Diogo veio de novo para o meu colo, para mamar. No exacto momento em que, aquela boquinha mínima e perfeita agarra o meu peito, com uma força voraz, o meu coração explodiu, os meus olhos encheram-se de água e a minha vida cresceu. Cem anos passem e este instante será eterno na minha memória.
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Paz
Não há outro sentimento possível quando se olha para aquele anjo a dormir ao meu lado. Fomos para o quarto, exausta, com corpo a pedir sono e eu a lutar contra... Não queria dormir um segundo, de forma a não perder cada instante, cada expressão, cada movimento sereno. Que tranquilidade...
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Responsabilidade vs Medo
E foi o que senti, domingo a noite, enquanto subiamos, os 3, o elevador para ir para nossa casa. Agora éramos só nós... Aquela vidinha cheia de futuro era nossa, total e absoluta responsabilidade, uma dependência maior que o mundo. Que medo incrível de falhar. E o banho? E as noites compridas? Será que ele vai mamar bem? Vai ter dores? Vamos estar á altura do que aquele meio metro de gente precisa? Que aperto no peito, entre e a cave e o oitavo andar!
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Felicidade imensa
E assim são agora os meus dias!
4 comentários:
"Encore" de lágrimas para a Tia Marta!!
Que maternidade tão pura que agora te enche essa alma.
Que sentir tão bem (d)escrito.
Eu remeto-me ao silêncio de um sorriso. E à baba... E às lágrimas :)
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As minhas lágrimas ainda caem rosto abaixo ao ler esta tua aventura... Conseguiste descrever o indiscritível... E a felicidade q agora recheia o teu dia a dia é proporcional ao amor q vai crescendo e crescendo choro após sorriso!!! Parabéns... Como te disse, este amor é incondicional... Ahhhh ele é LINDO!!! Passado na aprovação da Benedita...
Estou ansiosa por ter esse menininho no meu colinho!!!
Beijos
Mara Capela
Estas palavaras são INCRIVEIS! parabens pela forma como descreves aquilo que sentiste e sentes! :) é impossível ler e ficar indiferente!
Beijo grande
que lindo Ana... adorei...
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