Nunca fui muito vaidosa, nem muito exigente com a minha forma física. Mesmo quando estava mais gordinha, apesar de não gostar especialmente, nunca foi coisa que me mexeu com os nervos ou com a auto-estima. A verdade é que adoro comer, adoro reuniões à volta da mesa e gosto da comida mais saudável à mais inimiga da balança.
Duas gravidezes relativamente próximas, a primeira com 19kilos extra e a segunda com um mega barrigão que albergava um leitão de quatro kilos e duzentas. Elas não matam, mas moem...
Em Maio deste ano decidi fazer alguma coisa, exercício, cuidados alimentares, tratamentos de estética... Comecei a escolher mais produtos biológicos, aumentei o consumo de água, iniciei-me na moda dos sumos detox, troquei os meus snacks de bolachas por fruta, sementes e frutos secos e, tchan tchan tchan tcha, comecei a correr. Mas, ao contrário de outras vezes que quis perder peso ou moldar o corpo, a motivação agora é completamente diferente. É certo que quero eliminar o pneu, quero caber em calças antigas, mas, acima de tudo, quero estar saudável e o corpo com bom aspecto vem em consequência e não como o mote principal. Creio que isto vem dos "trinta", da maturidade e da nova definição de prioridades, porque agora já não me interessa "exibir" um corpo magrinho, tonificado (que nunca tive), mas quero que ele seja o reflexo duma alimentação cuidada, de exercício e duma cabeça no lugar.
Lembro-me de ouvir, e achar uma perfeita parvoíce, um cliché, aquelas frases que se referiam às mulheres de 30 ou de 40 como muito melhores, mais seguras, mais confiantes do que as mais novas. Nunca me achei insegura ou com falta de auto-estima, mas confesso que o tempo me faz concordar com esses "clichés". Apesar de duas gravidezes que me duplicaram a pele da barriga, me alargaram a anca, deram-me cabo do peito, sinto-me infinitamente melhor agora do que quando tinha os meus vinte e tal.
Gosto disto. E gosto porque me leva a crer que terei um super-ego aos 40!!!!!!!
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