sexta-feira, 23 de março de 2018

Elas não matam, mas moem

Pregou-nos o primeiro susto no momento de primeira ecografia, não aparecia... ficou, durante largos e dolorosos minutos a possibilidade de se tratar duma gravidez ectópica, dum falso positivo.. Foi preciso ir para um ecógrafo de maior definição para que ela se deixasse ver, implantadinha no sítio certo, mas mais jovem do que seria de pensar. Por precaução tive de utilizar uns óvulos hormonais que me faziam parecer grávida de 3 meses, quer na barriga, quer nas mamas, tudo em grande em plenas férias. Às 12 semanas tive direito à minha primeira ida à urgência, nada de grave, tudo no sítio, mas com direito a umas horas de angústia. Na ecografia do primeiro trimestre descobre-se uma placenta anterior que pode ter duas implicações: a menos grave é que iria demorar mais a sentir a bebé ou ter muito menos perceção dos seus movimentos na gravidez toda, ou, caso essa placenta ficasse anterior e baixa, a total impossibilidade dum parto normal. Felizmente a placenta subiu, demorei muito mais a sentir os seus pontapés (contrariamente ao que seria expectável numa terceira gravidez), mas diariamente sou brindada com partes do corpo que gentilmente de espetam nas costelas e bexiga. No entanto, a placenta subida, conjugada com uma criança que permanece sentada no trono às 37 semanas, faz com que seja totalmente impossível ter uma imagenzinha do seu rosto, que está estrategicamente colocado atrás da placenta. Tristeza grande para os meus filhos que me pedem fotos da mana de todas as vezes que sabem que venho da consulta. Ás 28 semanas aquele maravilhoso teste da glicose dá estupidamente positivo. Estupidamente porque deu muito alto? Não. Estupidamente porque o limite seriam 153 e deu 154!! Consequência: diagnóstico de Diabetes Gestacional com direito a 4 picadas diárias nestes dedos de princesa e algum controle alimentar. Ficaria muito menos irritada com esta condição se, de facto, tivesse valores alterados aqui e ali, mas não... Dois meses de picadinhas amorosas nas polpas dos dedos e está tudo normal. Eu sei que é estúpido eu desejar ter os açucares destrambelhados, não o desejo obviamente, mas o raio da análises podia ter dado 1 pontinho abaixo e era menos uma coisa para eu consumir a minha alma. Nas mesmas análises do segundo trimestre aparece-me, pela primeira vez, anemia. Ok, é a anemia fisiológica da gravidez, normal normalíssimo, mas nunca antes me aconteceu nas outras duas gravidezes e eu percebo que sou gaja que lida mal com as suas fragilidades. Por volta das 30 semanas, nova ida ao serviço de urgência, por dores com três horas de evolução, mas que foram susto e mais nada. No total de três gravidezes tive duas idas à urgência e foram todas para a menina Beatriz. Entretanto, consulta, atrás de consulta e rapariga com manias de elegância engorda em passo de caracol e vai de ficar de baixa mais cedo do que previsto e continua sem virar de cabecinha para baixo às 37 semanas, coisa que os irmãozinhos fizeram algures às 30 semanas. Sendo menina e estando sempre sentada acresce bastante o risco de ter displasia da anca e me trazer mais uma ligeira consumição de alma. Versão cefálica externa (Google it), parto pélvico, cesariana? Tudo hipóteses com os seus riscos implícitos e cabe-me a mim escolher a opção a tomar. Como se não bastasse e porque me parece que esta gravidez é tipo hotel com "tudo incluído", vou ter direito a ter de fazer um antibiótico durante o parto porque uma porcaria duma análise deu positiva.

Ora bem, bem vistas as coisas não há aqui nada de muito grave, nada realmente sério e preocupante, mas estas niquices não matam, mas moem. Junta-se a isto uma maior labilidade emocional nunca antes sentida e temos o cocktail ideal para que eu pretenda dar à Beatriz uma bela duma palmada naquele rabinho magrinho mal nasça, sendo que apenas a perdoo se der uma cambalhota nas próximas 48h, engordar convenientemente e nascer, tal como os irmãos, de forma rápida e indolor às 39 semanas. Prometo que aí eu esqueço tudinho e fazemos as pazes.

Sem comentários: