Sinto-me uma maluca, confusa, indecisa, sem certezas e, ao mesmo tempo, cheia delas. E esta loucura toda vem na sequência do post anterior.
Nos últimos tempos tenho lido imensos sites, artigos, blogs, maioritariamente mummy blogs e seus links para aqui e para acolá. Gosto de saber com0 educam as crias, como brincam, que dificuldades sentem e como lhes dão a volta. Gosto de ler que passam, ou passaram, por situações iguais às minhas, gosto de saber que as resolveram bem, que os rebentos estão felizes e saudáveis. Esta coisa da maternidade parece que nos faz precisar do sentido de "identificação" (ou então sou só eu que sou insegura).
Mas, quanto mais leio, mais me embrulho em sentimentos de culpa, misturados com medos, e ao mesmo tempo com a certeza de ser uma Mãe do melhor que sei e posso. Ás vezes sinto que concordo com tudo que leio, mesmo que sejam opostos. Se por um lado sei que as crianças precisam de regras e firmeza, que isso lhes traz segurança, também me corta o coração em pedaços deixar o Diogo chorar. Concordo que não há melhor forma de educar que o amor, o colo, o carinho e a pele, mas também me parece importante que ele crie a sua autonomia, que aprenda que quando acordar eu vou lá estar. Sei que, acima de tudo, devo confiar no meu instinto, no meu coração, mas este malandro ordena-me logo para lhe pegar no colo e embala-lo até adormecer, mesmo sabendo que estou a ser chantageada com um choro sem lágrimas. E depois leio que o choro é o único sinal de alerta que os bebés sabem dar, já o faziam no Paleolítico quando se sentiam ameaçados, a levar com chuva ou a ser picados por formigas e, esse choro, servia para desencadear a protecção da Mãe. E, ignorando este choro, dizem alguns, estamos a ensinar aos nossos filhos que não podem contar connosco. Leio estudos que falam das maravilhas de deixar a criança no quarto dos pais até tarde, e, melhor ainda na cama dos pais, o co-sleeping, que une a família, que acalma bebés agitados e depois lembro-me dos adolescentes que vi na Pedopsiquiatria com depressões por não saberem lidar com as suas frustrações, por serem dependentes e, uma grande, grande, maioria partilhou a cama com os pais, ou só com a mãe, até bem, bem tarde.
Adoro adormecer o meu filho no colo, aquela carinha quente e macia junto à minha, os braços à volta do meu pescoço e aquela respiração lenta e pausada. O cheirinho doce a aveia, os sorrisos que dá quando adormece, tudo isso me enche o coração de alegria, mas quando, a meio da noite, tenho de ficar 30 ou 40 minutos a embala-lo, quando me apercebo que não adormece no coque ou no carrinho enquanto passeamos porque apenas adormece ao colo, a coisa complica. Se calhar, quando ele tiver 14 anos e me mandar dar 2 voltas de cada vez que lhe pedir um beijo ou um xi, talvez me arrependa de não ter aproveitado enquanto me cabia entre os braços.
Aiiiiii iiiiiiiii........(em modo grito mesmo)
Talvez ande a ler demais, talvez seja uma fase mais insegura, talvez seja o sono, mas estas pequenas decisões deixa-me indecisa (??!!). Não quero um filho inseguro, não lhe quero fomentar medos, mas também o quero autónomo e com a certeza que me vai encontrar sempre.
Raisparta (eu sei que não se escreve assim) os míúdos que não vêm com livro de instruções, com dicas de consulta rápida, algoritmos e guidelines.
Estou com esta confusão toda e a criança tem 10 meses, nem me quero imaginar quando ele entrar na idade da parvoeira... vou ser um ponto de interrogação com pernas!
3 comentários:
Depois de não ter consweguido aqui entrar, lá andei às voltas e consegui aqui chegar. Não foi fácil. Só por si já mereço o prémio de melhor leitora deste blog!
Então lá vamos dar conselhos que valem o que valem.
Vais ler muita coisa, vais descansar e vais desesperar. vais encontrar mensagens contraditórias entre si.
Acima de tudo tens que respeitar a tua personalidade de mãe, que vais conhecendo aos poucos e poucos e respeitar a personalidade e temperamento do teu filho.
Eu tenho 4 e já fiz de tudo.
Por exemplo ( e acho que este exemplo é paradigmático e explica tudo).
O meu terceiro, o Vicente, foi o bebé mais difícil de todos. Eu que tinha bebés a dormir até tarde no meu quarto mas não na minha cama, tornei-me adepta, porque lá teria de ser, do co-sleeping e de muito colo. para acalmar o meu coração li Carlos Gonzalez que dizia isso mesmo. Era um bebé agitado que precisava de sentir-me muito seguro entre nós.
..
Eu sempre quis ter uma filha. Sempre. E ao 4º veio a menina. provavelmente toda a gente pensaria que esta é que eu mimaria até mais não e que fazia tudo e mais alguma coisa.
Posso-te dizer que ela só dormiu uma vez na minha cama em quase 5 meses. Não foi preciso. De todo.
Portanto...lê muito mas encontra o teu registo. Tenta nãos tressar muito -sei que não é fácil. Acredito que todas as mães sejam atormentadas pela culpa. Só que umas falam disso e outras não. Umas têm mais sorte que têm bebés de temperamento mais fácil...e outras não.
Beijo
Eu não quero com estes posts passar a ideia que o meu bicho é difícil de domar e tem um feitio torcido, nada disso. tem sido um menino maravilhoso de se ver crescer, sempre bem disposto, sociável, não estranha um colo, é brincalhão e meiguinho e,apesar de muito enérgico, até há bem pouco tempo dormia 11h de noite mais 3 e tal durante o dia divididas em 3 sestas. Não teve cólicas, sempre mamou bem, á transição para sólidos foi facílima, come tudo, tem um desenvolvimento fantástico, nunca teve nada para além de ranho, nenhum dente o deitou a baixo... ( e depois de escrever isto tudo vejo que sou exigente como o caraças por querer que ele adormeça sozinho, porque se vir bem, é só o que lhe falta).
O meu anjo é mesmo um anjo, mas estas noites mal dormidas dão-nos cabo do sistema e fazem-nos entrar em modo de "auto-mutilação psicológica"!!
Sei que o bom senso é rei, o instinto e o coração é que mandam e não espero que os próximos sejam iguais, são pessoas e por isso são únicos!
Quanto ao prémio de melhor leitora irei estudar, mas o de mais esforçada já está a caminho!!! Eheheheh!
Queres a minha opinião de tia, que ainda não tem crias mas que te conhece bem?
Pergunta à tua mãe como fez contigo. Resultou.
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