sábado, 12 de maio de 2012

Perspectivas


Ontem morreu, de uma forma estúpida (mas existe forma não estúpida de se morrer?), Bernardo Sassetti. Foi o Pedro que me ligou a contar. E ele, que pouco conhecia da sua obra estava chocado, estava incomodado porque só lhe pensava nas filhas. Disse-me que desde que o Diogo nos entrou pela vida dentro, de cada vez que alguém morre só pensa nos filhos que deixa.
Comigo acontece-me coisa parecida, mas ao contrário. Quando alguém jovem morre, penso de imediato na sua Mãe e imagino o contra natura que é ver um filho ir sem o poder agarrar para este lado. Pensei assim recentemente, na Helena Sacadura Cabral e agora não foi diferente (apesar de não saber se o Bernardo tinha a Mãe viva).
No fundo, apesar do nosso pensamento ser dirigido para diferentes alvos a raiz é a mesma. É um filho que nos faz isto, que nos altera a perspectiva perante tudo o que acontece. É um filho que nos faz pensar mais em nós porque precisamos de andar por cá para que os cuidemos como merecem, é a pensar no Diogo, mesmo quando ando sozinha, que travo com o pé que antes teimava em acelarar. Um filho muda-nos a vida em coisas nunca antes imaginadas, porque um filho entra-nos na vida toda, na nossa, na dos nossos e na de todos os outros que a nós nada são.

Que os filhos e sua Mãe encontrem o abraço nas teclas de um piano, na música de uma vida.

3 comentários:

Mum's the boss disse...

tão bonito o que escreveste... um bjinho

Ana disse...

Gostei mesmo muito do que escreveste.

Kiki disse...

Tal e qual!!! Podia ter sido eu a escrever isto!