quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Vozes dum consultório que é meu #6

E, no dia em que dizem ser aquele em que se celebra o amor, fui mensageira de um dos piores diagnósticos.
23 anos, simpático,  e, agora, com a doença que se transmite também pelo amor..
Faça quantos cursos fizer de "como dar más notícias" e, o murro que levei no estômago ninguém me tira. Olhei para aquelas análises durante segundos intermináveis, li cada letra ao pormenor, não fossem os meus olhos estar enganados...E não estavam.
Que grande merda. Apeteceu-me dizer isto ao B., mas não pude. Expliquei o que tinha a explicar, dei a resposta possível a todas as questões que me colocou, disse-lhe para aparecer quando quisesse, que hoje era muita informação para digerir. Fiz aquilo, que dizem que deve ser feito e, no entanto, a sensação de impotência é muito grande.
Gostei do B. logo na primeira consulta, há um mês atrás, falei dele em casa, a empatia foi mesmo imediata e fui eu que sugeri as análises "especiais" porque, segundo ele, nada havia a temer...
Que merda.
O B. não saiu com uma sentença de morte, como seria há uns 20 ou 30 anos atrás, mas saiu do consultório com um peso pesado que nunca o irá largar.

2 comentários:

Joana Monteiro disse...

E que merda mesmo confiar nas pessoas e depois levar com uma bomba dessas........... :(

Mum's the boss disse...

:(