As crianças, com especial destaque para os nossos filhos, são um estorvo à vida. Deixámos de ter espontaneidade no dia a dia a dia porque tudo tem de ser pensado e preparado com a devida antecedência. A sopa tem de estar feita, a roupa do colégio pronta, é preciso decidir de véspera quem leva e vai buscar à escola, em que actividades extra curriculares vão participar, e o que tenho pensado para os entreter enquanto dou um jeito à casa e faço o jantar. Os horários para cumprir, a rotina que pode ser quebrada, mas o mínimo possível para que haja estabilidade e previsibilidade na vida dos pequenos. Não dá para chegar às oito da noite e decidir que, afinal não quero fazer jantar e vamos mas é ao cinema. Para conseguir jantar fora a um sítio não baby friendly, é necessário todo um planeamento estratégico de horas e avós e malas com pijamas e roupa para o dia seguinte. E a barriga, aquilo que fazem à nossa barriga? Não querem que vos explique tudo aquilo que um filho faz a uma relação, pois não? Sãos as discussões devido ao cansaço e à falta de espontaneidade que os putos nos tiram, são o "faz assim porque é melhor" ou "faz assado porque eu é que sei", é o tempo de qualidade ao final do dia que desaparece e se esfuma entre banhos, jantares e brincadeiras com os meninos que precisam da atenção dos papás. As férias são planeadas, em parte, a pensar neles porque se eles estiverem tranquilos e divertidos nós poderemos pensar em relaxar e descansar. No entanto a tarde pára para as sestas, caso contrário ficaria o caos instalado devido ao mau humor. Mas, mesmo assim, o raio dos miúdos acham que podem fazer birras porque afinal nem queriam aquela comida ou três gelados por dia é que é a conta certa e somos uns autênticos tiranos por só dar dois. Os filhos dão cabo do nosso sono e da nossa paciência. O Miguel voltou a dormir mal, a querer colo a cada 5 minutos acordado, a andar no meio das minhas pernas enquanto eu faço coisas por casa. Lembrou-se que me quer a mim para tudo e mais alguma coisa e, ai de alguém que se lembre de lhe descalçar os sapatos, porque isso (e tudo o resto) só a sua mãezinha pode fazer. Os filhos desgastam-nos, fazem-nos olheiras e rugas e depois fazem-nos gastar um dinheirão em cremes e tratamentos para parecer que estamos óptimas, frescas e fofas. O Diogo é um choramingas, em casa, única e exclusivamente em casa porque na escola, o sacana, não dá um ai e tem sempre bolinha verde de muito bom comportamento. Em casa chora e dramatiza cada momento e consome-me a paciência a cada choramingadela. Os irmão, aquela tal multiplicação do amor, pegam-se, empurram-se, querem o brinquedo um do outro e odeiam-se momentaneamente. Fazem queixas um do outro em catadupa e eu, ingénua, às vezes ralho, tomo partidos, castigo o agressor e, dali a dois décimos de segundo, estão a rir e a brincar como se o conflito anterior fosse totalmente irrelevante.
Os filhos acabam com a vida que existia antes deles, mas dão-lhe uma luz e uma cor tão únicas que fazem com que todas as linhas escritas acima sejam um pequeno nada. Deito-me à noite com eles para que adormeçam e sou invadida por um misto de perdão pelo mal que me fazem e agradecimento imenso por serem meus. Lembro-me de, em Agosto, me ter deitado com os dois, um de cada lado, para dormir a sesta, abraçaram-me e adormeceram assim. Eu numa posição desconfortável, atravancada entre dois corpos pequenos cada um mais em cima de mim do que o outro e estes pensamentos loucos passaram todos pela minha cabeça. Loucos porque senti uma felicidade tão serena e boa enquanto pensava em como a minha vida mudou. A maternidade é isto mesmo, uma posição incómoda a que o nosso corpo se adapta e se sente feliz.
Os filhos acabam com a vida que existia antes deles, mas dão-lhe uma luz e uma cor tão únicas que fazem com que todas as linhas escritas acima sejam um pequeno nada. Deito-me à noite com eles para que adormeçam e sou invadida por um misto de perdão pelo mal que me fazem e agradecimento imenso por serem meus. Lembro-me de, em Agosto, me ter deitado com os dois, um de cada lado, para dormir a sesta, abraçaram-me e adormeceram assim. Eu numa posição desconfortável, atravancada entre dois corpos pequenos cada um mais em cima de mim do que o outro e estes pensamentos loucos passaram todos pela minha cabeça. Loucos porque senti uma felicidade tão serena e boa enquanto pensava em como a minha vida mudou. A maternidade é isto mesmo, uma posição incómoda a que o nosso corpo se adapta e se sente feliz.
4 comentários:
Tão bom ler isto.
solucei... mt bonito, escrito com o coração
(estas hormonas estão a dar cabo de mim!)
Eu não sou mãe e duvido que venha a ser mas gostei muito deste texto :)
Muito bem dito, como sempre!
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