quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Hoje, no meu pedaço de tempo livre tinha previsto escrever sobre o doloroso início da escola do Miguel, a foto já estava pronta. Mas, entretanto vi aquela imagem e a dor foi outra, maior.
Não gosto de enfrentar estas realidades e, diariamente fujo delas, ao não ver telejornais e a ler só as notícias que me apetecem. É cobardia porque sei a angústia que me provocam, angústia de quem se sente impotente. E assim, prefiro não ver, não olhar, não saber, uma avestruz que enfia a cabeça na areia. Não é o certo.
Hoje obriguei-me a ver a imagem do menino. Aquele menino ali sozinho, aquele corpo morto que deu à costa, como se fosse uma coisa qualquer. O valor da vida daquele menino igual a lixo. E o que é que eu posso fazer depois de ver? Saber só que aconteceu não chega. Chorar de tristeza por aquele menino não chega. Saber que tantos outros fogem em direcção à morte por terem medo de morrer. Irónico. 
Entendo, por um lado, a publicação em catadupa destas imagens, mas não sei se terá o efeito desejável. Muitos a ver e talvez poucos (ou não os certos) a fazer. A Unicef, através deste link ajuda-nos a ajudar, a reunir bens essenciais, mas precisam tão mais do que isso. Precisam dum país que cuide, proteja, dê hipótese de vida.


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