Na semana passada fui a Lisboa ao concerto do Bruno Mars e ouve uma coisa que me saltou de imediato à vista: a quantidade de gente que filma e fotografa cada instante., cada música, cada movimento. Aliás, a senhora que estava à minha frente filmou o concerto praticamente todo com a sua máquina fotográfica. Na mesma tarde tinha estado num café na baixa lisboeta e, ao nosso lado, duas raparigas no final da sua adolescência, fotografavam as panquecas, faziam boomerangs do mel a cair, fotografavam-se a beber os seus sumos verdes e a refeição delas ainda não ia a meio e nós já tínhamos terminado o nosso lanche (ok, estávamos mortinhos de fome), porque entre cada garfada que davam, teclavam qualquer coisa ao telemóvel.
O que eu quero dizer com isto, e não querendo parecer uma velha do Restelo, é que hoje em dia não se vive, filma-se fotografa-se para se viver depois. Atenção que eu adoro fotografia, ando quase sempre de máquina atrás de mim, tenho a minha conta do instagram que gosto de actualizar, filmo os meus filhos em momentos que em parecem interessantes e sei bem o impacto maravilhoso que estes registos possuem à posteriori, mas vejo à minha volta muito boa gente sem bom senso nesta área. Ver aquela gente durante um concerto brutal a assistir a tudo através do ecrã do telemóvel faz-me imensa confusão. A senhora que estava a minha frente, dançava de forma controlada para que o vídeo não ficasse tremido. Filmam para depois mostrar como foi tão bom, fotografam para depois mostrar como aquela panqueca era fofa, fazem vídeos para depois mostar como estavam felizes naquele momento enquanto o mel caia do frasquinho para o prato. Fotografam, gravam, registam para que depois se lembrem como aquele momento foi bom. E contra mim falo, que vejo nos meus álbuns de fotografia uma alegria imensa, que me deleito a fazer pijaminhas de fotos no facebook para os aniversários de quem eu gosto. Para mim, a fotografia é isso mesmo, um depósito de memórias para o futuro, mas o futuro não me faz sentido se eu no "agora" estiver apenas a planear o quanto vou desfrutar dele. Apesar de ser uma optimista por natureza, acredito que esta é o caminho que estamos a tomar, e apesar de detestar o discurso do "antigamente é que era bom" nesta caso vou ter mesmo de o usar. Acredito ser profundamente mais saudável viver as coisas, os momentos, as pessoas agora e não guardá-las, sistematicamente, para as viver intensamente depois.
2 comentários:
Contra mil falo, mas concordo em absoluto! Fotografo e publico, mas sem cair no ridículo! Hoje em dia, a vida publicada é quase sempre mais importante que a vida vivida.
Até porque o depois já passou... Será que essa senhora algum dia irá ver o concerto todo?
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