quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sobre os salvamentos indevidos


"Educamos para quê?

 Para formarmos jovens que sejam autónomos, com bom carácter e pessoas que possam ser cidadãos que acrescentem valor. Escrevo, com frequência sobre a educação autoritária mas passarei a escrever mais sobre aquela em que a ausência de regras - ou pior, aquela onde hoje há regras e amanha já não - é mais comum. Lido cada vez mais com famílias que têm dificuldade em colocar regras porque sentem que estão a impor-se e a agredir, de certa forma, os filhos. Ora é urgente colocarmos os pontos nos "is" e distinguir o que é a função parental de uma agressão. Talvez o primeiro passo passe por sabermos que nem sempre os nossos filhos vão estar de acordo com as nossas decisões. E por isso irão ficar frustrados e zangados connosco. No entanto se soubermos que aquilo que estamos a fazer é justo e em nada coloca em risco o crescimento emocional dos nossos filhos, então é a nossa função fazermos aquilo que temos de fazer. Seja para pedir que os miúdos comam "como deve de ser" (sendo que explicamos o que é que o deve de ser é para nós) sendo para pararem de fazer barulho as 21,30 porque na casa ao lado há vizinhos que têm direito ao repouso. Nunca se falou tanto de educação como hoje, contudo parece haver tantas correntes e opiniões que por vezes é difícil identificarmos a que é a mais certa para nós. Sim, as crianças, tal como todos nós, precisamos de regras e limites porque é isso que nos dá segurança. Um mundo sem limites é um mundo profundamente angustiante porque sem eles a criança sente que não consegue crescer em segurança. Mais do que isso: é errado pensarmos que quando permitimos que uma criança tudo faça lhe estamos a mostrar mais amor. Porque aquilo que ela vai sentir é justamente o contrario. Se os meus pais deixam tudo é porque pouco se importam. O Caetano Veloso diz, e bem, quando a gente ama, a gente cuida. Por isso, como Dreykus diz, é necessário trabalharmos a autonomia da criança, ajudando-a a tornar-se mais responsável, não a salvando sempre."


Texto e imagem retirados do instagram de Mums the Boss

E isto a propósito deste meu post aqui enquanto as questões difíceis têm sido uma constante e, eu por lado quero-lhes poupar o sofrimento, mas não os quero poupar de aprender, crescer e processar a tristeza que da verdade possa vir.

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