Duas semanas depois já tenho a minha mudança de eleição: as manhãs.
São sem pressa, com tempo para rebolar na cama com cada um, para mimos sem a ditadura do relógio. Tenho tempo para abrir a janela e ver o tempo que faz lá fora, com calma. Gosto de não haver frases chatas.
Despacha-te.
Come isso depressa.
Já te chamei mil vezes, não vês que estamos atrasados.
Anda rápido.
Fica quieto para eu te vestir, assim chegas atrasado.
De cada vez que estas e outras me saíam pela boca, ficava um gosto amargo. Caramba, estava a passar para eles o meu stress, a minha pressa, a minha ansiedade de lutar contra o relógio. E eu não quero filhos ansiosos, com pressa de estar em todo lado.
E amanha faço panquecas em forma de coração, de quadrado e de círculo. Sim, amanhã, quinta feira, dia de semana, vai haver panquecas ao pequeno almoço.
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