segunda-feira, 6 de março de 2017

Convicções


Vi o filme Hacksow Ridge por sugestão da minha irmã e, há muito que não me lembrava de ver um filme sem adormecer no sofá de minha casa. Em abono da verdade eu até adormeci, mas por opção, e continuei a ver o filme no dia seguinte. Não o fiz por sono, cansaço ou mesmo por já ser tarde, parei de ver a meio porque já não aguentava mais. O filme é gráfico, real, violento, explícito no que toca a cenário de guerra e, ao longo dos anos, fui perdendo a capacidade de ver imagens assim. Começo por ficar tensa, nervosa, angustiada e isso acontece quando tenho plena noção de que a realidade é/foi mesmo aquela. Confesso que, cada vez mais, tenho dificuldade em lidar com o mais podre da humanidade e, já confessei aqui esta minha fraqueza.
mas adiante, porque o filme é sobre muito mais do que explosões, baionetas, fogo, sangue e morte. O filme é sobre convicções, a sua força e a fé nelas mesmas. Não basta acreditar, é preciso agir de acordo e, esta história verídica, leva isto ao extremo. Um rapaz, que por convicções religiosas, não pega em armas, mas alista-se no exército americano para combater na Segunda Guerra Mundial para que, segundo ele, possa salvar vidas enquanto os outros as tiram. E se assim o desejou, assim o fez.
Emociona a força duma convicção e a forma cândida como ele nunca sequer se questionou, enquanto o mundo inteiro à volta dele o ridicularizava, o agredia, o empurrava para o lado oposto. 
Quantas das nossas convicções têm realmente esta força?

2 comentários:

Rita disse...

Quando terminei de ver o filme, inevitavelmente me pus a pensar se seria capaz de defender as minhas convicções daquela forma. Rapidamente percebi que a resposta era não e isso entristeceu-me um bocadinho. Mas depois voltei a pensar no assunto de outra prespetiva: a questão não está no facto de eu ser capaz, ou não de defender as minhas convicções daquela forma, o cerne da questão está no facto de eu não acreditar em nada com a mesma força que aquele homem acreditava na sua fé. Nada. E isso alegrou-me um bocadinho mais. Não gosto de certezas absolutas.

Se bem que, se todas as convicções fossem como a dele (não acredito no "meio", mas acredito no fim), que bem que estávamos.

Anónimo disse...

Adorei este filme!!!! E sim, é brutal a crueza das imagens, mas é lindo o filme…

Beijinhos, Raquel